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Cadê o camisa 9?

Centroavante é um personagem muito falado nesse início de ano. Muitos times precisavam de um: Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Flamengo… É inegável que um jogador dessa posição, especialista, possa ajudar muito o time.

Um deles já resolveu esse problema: o Corinthians trouxe Liédson, um jogador da posição que foge ao estereótipo de “empurrador de bolas para as redes”. É rápido, habilidoso, se mexe muito e ainda ajuda o time a pressionar o adversário, marcando desde a saída de bola.

No São Paulo, Fernandão deveria ser esse jogador, mas não mostrou futebol para isso e Paulo César Carpegiani prefere jogar sem um jogador de referência a colocá-lo em campo. E, aos poucos, o time tem se acertado dessa forma, com jogadores rápidos e habilidosos em campo. E se o time tiver um centroavante, será William José, contratado junto ao Grêmio Prudente e que estava na Seleção sub-20. É um jogador alto, mas que chuta bem de fora da área e se movimenta.

No Palmeiras, a reclamação da falta de um centroavante procede. O time não tem uma referência e Kléber, sempre muito visado pelos adversários, perde muito da sua qualidade se ficar entre os zagueiros, isolado. E isso tem uma razão simples: o time tem pouca qualidade técnica. Exceção feita a Jorge Valdívia, o Palmeiras sofre para criar uma boa jogada.

Se o time tivesse um bom meio-campo, uma defesa segura e bons meias, o centroavante faria menos falta – ou talvez nem fizesse falta. O problema é o excesso de responsabilidade para Valdívia e Kléber resolverem as partidas. Quando um deles fica fora, o time já sente demais. Sem os dois então, o time fica absolutamente comum, um Goiás com camisa pesada.

Luís Felipe Scolari sabe que, com um centroavante, o time pode se destacar, mesmo sem tantos grandes jogadores. Passa a ter uma opção ofensiva pelo alto, algo que não tem hoje, pode passar pelos adversários mais fracos com mais facilidade e enfrentar as grandes equipes com mais ar de igualdade.

O Flamengo também não conseguiu achar um centroavante. Deivid não agradou como referência – posição que não costumava atuar no exterior – e foi sacado. Ronaldinho Gaúcho passou a jogar mais enfiado e, desta forma, tem ajudado o time, ainda que não tenha atuações de gala. Isso porque junto com ele, outros jogadores se aproximam para jogar.

Negueba, outro jogador que tem se destacado no setor ofensivo rubro-negro, também não é centroavante, mas torna o jogo melhor para o time. Mesmo Diego Maurício, outro que deve ganhar espaço ao longo do ano no Fla, é um jogador de buscar o jogo, cair pelos lados, dar opção dentro e fora da área. Não é um centroavante típico, embora possa jogar ali.

O centroavante é uma figura importante e facilita a formação de um time. Sua presença, porém, é opcional quando há outras boas opções e grandes times têm mostrado isso, especialmente na Europa.

Impossível não falar do Barcelona de Lionel Messi, Pedro e David Villa. Nenhum deles é centroavante. Todos são jogadores de movimentação e o argentino, o principal jogador do time e do mundo, ainda deixa a posição de ataque para armar e no mesmo jogo se posiciona dentro da área para finalizar. David Villa costuma fazer o mesmo e Pedro, que marca gols decisivos, também. É possível porque o time é bom, tem um meio-campo que cria jogadas variadas junto com um ataque que também é criativo.

O Barcelona é o maior exemplo, mas não é o único. O Manchester United tem jogado as últimas partidas com um ataque formado por Wayne Rooney e Chicharito Hernandez. Nenhum deles é um típico camisa 9. Os dois se movimentam muito e Rooney tem conseguido render mais nessa temporada assim, se movimentando, às vezes até fechando a defesa como um jogador de meio-campo.

O Liverpool de Kenny Dalglish também foi armado sem um jogador de área, especialmente após a saída de Fernando Torres. Dirk Kuyt, embora tenha começado a carreira como um centroavante, nos Reds é mais um jogador de meio-campo. Mesmo jogando como homem mais avançado, sai da área, dá opção e se movimenta caindo também pelos lados do campo.

No ataque do final de semana, contra o Manchester United, Kuyt marcou três, mas se revezou como atacante centralizado com o uruguaio Luis Suárez, que também se movimenta muito, busca o jogo e ajuda a criar jogadas. Muitas vezes, a falta desse jogador foi considerada um problema, mas o time aprendeu a jogar também sem esse jogador, o que dá mais opções ao time.

Centroavante é sempre uma boa opção. É uma referência e jogar assim é mais fácil, especialmente quando se tem um time pouco técnico. É mais fácil jogar a bola para um centroavante grandalhão se matar entre os zagueiros. Quando um time consegue articular as jogadas de modo variado, sabe trabalhar a bola bem tecnicamente, a figura do centroavante torna-se desnecessária. Às vezes até atrapalha, como foi o caso do Barcelona com Zlatan Ibrahimovic. Centroavante é bom, mas não é fundamental.

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Equipe Trivela

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