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Brasileirão: Um ano em dois meses

As últimas três edições do Campeonato Brasileiro, com o bicampeonato do São Paulo e o título do Corinthians, deixaram claro que o bimestre formado por julho e agosto é bastante esclarecedor com relação às divisões que se formam na tabela. Fatores como a profundidade do elenco, a resistências às negociações com o exterior e a capacidade de focar os jogos como decisões são submetidos à prova em 15 rodadas. Sem outras competições paralelas – o período vem após a Copa do Brasil e a Libertadores, e antes de a Sul-Americana efetivamente começar -, é hora de só pensar na Série A. 

Naturalmente há exceções, como o Cruzeiro, que em 2003 já tomou as rédeas do torneio nas primeiras rodadas, ou o Santos, que no ano seguinte ficou sempre perto da liderança, mas só deu o bote fatal no início de novembro. Outro exemplo a ser lembrado é o Flamengo do último ano, mas a ocorrência de jogos adiados em razão do Pan torna a situação rubro-negra um pouco peculiar. Afinal, os efeitos do período de julho e agosto foram anestesiados ao longo dos meses seguintes. 

Se há dez rodadas atrás era conveniente apontar seis favoritos ao título, hoje o cenário parece mais esclarecedor e, excetuando Fluminense e Internacional, pensa-se em São Paulo, Flamengo, Cruzeiro e Palmeiras como prováveis perseguidores da taça de campeão. Assim, a coluna analisará o quarteto sob três fatores importantes. 

– Calendário e profundidade do elenco

Observando a vida dos quatro clubes nos próximos dois meses, chega-se à conclusão de que o Cruzeiro é a equipe mais beneficiada pela tabela, enquanto o São Paulo deve ter mais desgaste com viagens. A Raposa sai da Região Sudeste em apenas duas oportunidades. Flamengo e Palmeiras, com três e quatro jogos, podem ser colocados próximos aos cruzeirenses com relação a isso. Para repetir a arrancada dos últimos anos, o Tricolor Paulista deve ter problemas: são seis viagens para o Sul, Nordeste e Centro-Oeste, quando o desgaste geralmente é maior.

A vida do Cruzeiro fica ainda mais acessível em razão do amplo elenco que possui. Adílson Batista tem boas opções no banco para quase todos os setores e pode lidar melhor com suspensões e lesões que naturalmente ocorrem. Conhecido também por variar os jogadores em diferentes posições, principalmente nas laterais, o treinador usará esse trunfo para lidar com alguns desfalques. 

Nesse sentido, Palmeiras e São Paulo, hoje, têm mais dificuldades. Luxemburgo não dispõe de tantas opções e, principalmente, tem uma equipe que depende muito de alguns atletas, como Valdívia e Alex Mineiro, por exemplo. Alguns reforços – como Evandro, Jéci e Maicosuel – têm chegado. Entretanto, Luxa precisará adaptá-los o mais rápido possível ao grupo. Afinal, já é julho e mesmo quem foi contratado após o Paulistão – como Jumar, Sandro Silva, Jéfferson e Fabinho Capixaba – ainda não mostrou poder ajudar muito o treinador.

Muricy, entre os treinadores, é quem tem mais problemas. O elenco do São Paulo é bastante raso, embora em agosto vá contar com Rodrigo e André Lima. Além disso, o técnico bicampeão reluta em aproveitar os jovens jogadores de seu elenco, diminuindo ainda mais o leque de opções e aumentando um desgaste físico e mental que já apareceu em alguns momentos do primeiro semestre. 

O Flamengo não tem exatamente aqui seu maior problema. A força da equipe está claramente no conjunto e Caio Júnior, inclusive, encontrou soluções táticas para não depender tanto de Juan e Léo Moura. Com peças de reposição em praticamente todas as posições, pode absorver bem os desfalques naturais de rodadas disputadas consecutivamente.

– Resistência às transferências

A abertura da janela de negociações com o exterior é o terror para os torcedores. É a hora em que muitas vezes os poucos bons jogadores se vão. E deixam suas equipes chupando o dedo.

Nesse sentido, o Cruzeiro é o principal ameaçado. Historicamente, os irmãos Perrellas vendem de maneira desenfreada e pouco pensam na seqüência da temporada. Em 2005 e 2006, por exemplo, encheram o bolso com Fred e Wagner, respectivamente. Mas perderam fôlego para brigar por título. Em 2008, Marcelo Moreno e o reserva Marcinho podem ter aberto caminho para atletas valorizados como Charles, Guilherme, Thiago Heleno e Ramires. Se vender, a Raposa deverá sucumbir. 

Outros bastante ameaçados são Palmeiras e São Paulo. O alviverde, em razão da parceria com a Traffic, é obrigado a vender jogadores. E já praticamente sacramentou as saídas de Henrique e Diego Cavalieri. Principal nome da equipe de Luxemburgo, o meia Valdívia só precisa de uma proposta oficial para retornar à Europa. Caso ela ocorra, será difícil vê-lo no Parque Antártica no segundo semestre.

A situação é parecida com o São Paulo. Miranda, Alex Silva e Hernanes têm penetração no mercado europeu e interessam a várias equipes, segundo se comenta. Além disso, pode ser a última oportunidade para fazer negócio com nomes como Borges, Richarlyson e André Dias. A direção são-paulina historicamente repõe suas saídas, como foi quando vendeu Lugano e trouxe justamente Miranda. Nem sempre, entretanto, a receita pode dar certo.

O quadro, nesse sentido, é bastante favorável ao Flamengo. Se a saída de Ibson é bem possível, o time se destaca pela força do conjunto e não tem exatamente jogadores com grande valorização. Assim, a possibilidade de chegar setembro com praticamente o mesmo time é bastante provável. E tranqüilizadora para o torcedor rubro-negro. 

– Experiência e compenetração

Com relação a isso, ninguém tem tanta vantagem quanto o bicampeão São Paulo. Muricy Ramalho é muito competente em compor um ambiente em que os jogadores mantenham-se focados e determinados. Além disso, o elenco também conhece a importância de cada rodada e mostrou, nos últimos dois anos, força para crescer nas horas decisivas.

Maior vencedor da história do Campeonato Brasileiro, Vanderlei Luxemburgo também leva vantagem sobre os demais. O treinador costuma ser arrojado em substituições e tem, sempre, equipes ofensivas. Sabe, aliás, que empatar nos pontos corridos não é negócio. Aqui, mais vale arriscar por uma vitória do que trancar a equipe e segurar só um ponto. 

As vantagens nos outros dois fatores são equilibradas pela desvantagem que Cruzeiro e Flamengo têm aqui. A equipe de Adílson Batista não tem conseguido bons resultados contra os adversários mais fortes e não decide com a mesma naturalidade. A juventude de seu treinador e dos próprios jogadores talvez seja uma explicação para esse problema, algo com o qual naturalmente pode se aprender a lidar.

Caio Júnior possui o estigma de não se sair bem nos jogos mais decisivos. Foi assim com Palmeiras e Goiás, principalmente. Por sua vez, o Flamengo tem o histórico de não conseguir manter a concentração em todas as partidas, especialmente longe do Maracanã. 

Faça um balanço de tudo e veja quem poderá, em setembro, estar um pouquinho mais perto do título. Dado o equilíbrio das avaliações, não é tão provável que ele seja desfeito até lá. 

Série C

Começou neste fim de semana a disputa pelas concorridas quatro vagas para a próxima Série B. Além disso, a Série C de 2009 será com 20 clubes e pontos corridos, sendo definida pelo posicionamento das equipes na edição desta temporada. A possibilidade de um torneio mais lucrativo para o ano que vem tem feito as equipes se mexerem na terceirona de uma forma até então não observada.

Até chegar ao já conhecido octogonal final, as 63 equipes terão de passar por três fases eliminatórias, sempre em grupos com quatro times, onde avançam dois. A exceção é o grupo 1 da primeira fase, que tem particularmente três clubes. 

Entre os mais tradicionais estão: Remo, Paysandu, Atlético (GO), Paulista (SP), América (MG), Noroeste (SP), Guarani (SP), Ituano (SP) e Caxias (RS).
O único estado brasileiro sem representante na Série C de 2008 é Rondônia.

Entretanto, não por falta de oportunidade, já que a Ulbra JiParaná desistiu de participar. Outros nove clubes também poderiam atuar, mas preferiram ficar de fora. São eles: Ceilândia (DF), Brazilândia (DF), Rio Bananal (ES), Serrano (PE), Ypiranga (PE), Cabofriense (RJ), Bangu (RJ), Olaria (RJ) e Nova Iguaçu (RJ). Curiosamente, em 2007 foram só três equipes que desistiram: Corinthians (AL), Guaratinguetá (SP) e Veranópolis (RS).

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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