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Brasileirão ajuda, mas não resolve problema do futebol feminino

Um campeonato nacional, com patrocínio de R$ 10 milhões. O acordo da CBF com a Caixa Econômica Federal para a criação de um Brasileirão é melhor do que quase tudo o que o futebol feminino já teve à disposição. Mas é assim só até a página 2. Ele representa uma vitória para as atletas que lutaram por um maior investimento na categoria, porém, atende apenas a uma demanda pontual e não deverá significar a solução dos problemas de estrutura do futebol disputado pelas mulheres.

Uma das maiores reivindicações das atletas profissionais era a falta de um calendário extenso, que preenchesse todo o ano e as desse maior estabilidade, e o projeto apresentado nesta segunda não contempla isso. O acordo, específico para a disputa de um campeonato de quatro meses, não garante uma continuidade que seria essencial para as atletas que desejam praticar sua profissão sem precisar sair do Brasil em busca de melhores condições.

A última competição disputada por mulheres no país, por exemplo, foi a Copa do Brasil, encerrada em maio. Desde então, nenhuma outra partida oficial entre equipes brasileiras foi realizada. Além disso, o fato de o Campeonato Brasileiro feminino ter pouco menos que três meses de disputa inviabiliza que o torcedor se “acostume” com sua disputa e passe a acompanhá-lo. Neste sentido, o anúncio ter sido feito apenas dois dias antes do início da competição também se torna um fator que atrapalha na promoção do evento, visto que sobra pouco tempo para atrair potenciais telespectadores.

Além de ser um torneio de tiro curto, o Brasileirão feminino ainda chega em momento inoportuno para que possa crescer e ser mais acompanhado. O calendário do futebol masculino chegou à sua reta final, e todas as atenções estarão voltadas para a disputa do segundo turno do Brasileirão, com os candidatos a título, vagas na Libertadores e rebaixamento, e o mata-mata da Copa do Brasil.

É importante, porém, frisar que os R$ 10 milhões investidos são o maior valor já injetado no futebol feminino brasileiro. Se for bem explorada, a competição pode, sim, render lucro para os envolvidos em sua organização e propiciar patrocínios cada vez mais frequentes e maiores, mas isso irá depender também da vontade que os clubes terão de promover suas marcas na modalidade. E a visível preferência das agremiações brasileiras pelo futebol masculino, mais rentável e já estabilizado, indica que serão necessários muito mais Campeonatos Brasileiros para que o futebol feminino avance.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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