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Brasil e a inexplicável equação que mantém os estádios vazios

Ver os estádios vazios no Campeonato Brasileiro não é nenhuma novidade. A média de público, que em 2012 foi de 12,9 mil torcedores por jogo, já não é das mais altas. E o abismo em relação a outras ligas nacionais fica ainda mais evidente quando se compara a ocupação das arquibancadas. Foi o que fez a Pluri Consultoria, representando a situação periférica do futebol brasileiro na questão [veja o gráfico abaixo].

O Brasileirão possui ocupação média de apenas 38,4% da capacidade de seus estádios. Um panorama já preocupante que piorou em relação a 2011, quando a taxa era de 44%. No ranking entre ligas, o torneio brasileiro despencou da 19ª para a 31ª colocação, em uma posição nada honrosa atrás até do Campeonato Cipriota, do Campeonato Norueguês e da League One, a terceira divisão inglesa. O tamanho dos estádios, lógico, influencia, mas não é o único motivo para uma diferença tão grande.

Várias são as razões que ajudam a explicar o fracasso nos números do Brasil. A violência entre torcidas, a comodidade ao assistir a um jogo pela televisão, o horário das partidas, a condição das instalações. A qualidade da competição vem em uma crescente nos últimos anos, com o fortalecimento dos times no mercado de transferências. O que não tem sido suficiente para aumentar a atratividade dos estádios. Porém, o maior vilão parece ser mesmo o preço exorbitante cobrado pelos ingressos.

Em um estudo anterior da Pluri, o Campeonato Brasileiro aparecia como o dono dos ingressos mais caro do mundo. Entre 16 países analisados, a renda per capita do Brasil era a que menos comprava ingressos da liga nacional. Os R$ 12,3 mil anuais médios do brasileiro rendiam 645 entradas. Segundo pior país do ranking, a Espanha garantia 804 bilhetes com sua renda per capita, enquanto o Japão, melhor colocado na lista, rendia 2046 ingressos.

Juntando tantos fatores, cabe questionar a estratégia na venda dos ingressos feita pelos dirigentes brasileiros, que ignora prontamente a “Lei da Oferta e da Procura”. A lógica deles é a de que a venda de 10 mil ingressos a R$ 50 é mais proveitosa do que a de 50 mil a R$ 10. A ideia de que torcedor no estádio gera outros tipos de renda e ajuda a empurrar o próprio time parece não existir. No fim das contas, perdem os clubes e, principalmente, os torcedores.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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