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Brasil jogou para o gasto e, ainda assim, o suficiente para assumir o topo das Eliminatórias

Deu para o gasto. Em alguns momentos, até lembrou o futebol modorrento dos tempos de Dunga. Mas era mesmo a equipe de Tite, em sua atuação mais insossa desde a troca no comando. Sem graça, mas já suficiente para garantir não apenas a vitória, como também a liderança das Eliminatórias da Copa do Mundo. E aí está a principal diferença: para quem penava para entrar no G-5, reinar na primeira colocação aponta para o salto de qualidade com os quatro triunfos consecutivos. Em Mérida, a lanterna Venezuela esteve distante de impor grandes desafios. Duelo tranquilo para a Seleção, com os 2 a 0 construídos no placar sem muito esforço.

Sem Neymar e com a volta de Paulinho, Tite realizou algumas modificações na equipe titular. Philippe Coutinho entrou na ponta esquerda, enquanto a principal troca aconteceu do outro lado, com Willian retomando a posição que antes havia ficado com Giuliano. Nenhum desses, porém, teve grande exibição contra a Vinotinto. Em uma noite desinteressada, raras foram as atuações individuais que realmente mereceram destaque.

Gabriel Jesus foi o primeiro a mostrar serviço. E abriu o placar logo aos sete minutos, em uma bobeira imensa do goleiro Daniel Hernández. O lance, de qualquer forma, tem méritos do atacante. Premia o seu esforço de sempre, entregando o máximo de vontade na hora de pressionar a saída de bola adversária. Além, é claro, da frieza na definição. O camisa 9 não titubeou ao dar um belíssimo toque por cobertura. Chega a quatro gols nas Eliminatórias, algo inédito para um jogador de menos de 20 anos na América do Sul.

Depois do gol, o primeiro tempo seguiu arrastado. O Brasil levava a partida em banho-maria. Dominava a posse de bola, mas criava pouquíssimo no ataque. Era burocrático. Renato Augusto se sobressaía um pouco mais, pela organização e pela disposição em aparecer mais à frente. Ainda assim, era insuficiente. Já do outro lado, a solidez defensiva da Seleção preponderou. A Venezuela confiava suas esperanças em Juanpi e Peñaranda nas pontas, em alta velocidade. Mas o time de Tite se segurou bem, especialmente pelos desarmes de Miranda e Fernandinho.

Talvez a bronca no vestiário tenha sido grande, porque o Brasil voltou mais aceso para o segundo tempo. Fazia jogadas de linha de fundo, arriscava com mais perigo. E o marcador foi ampliado aos sete minutos, com Willian. Renato Augusto cruzou em direção ao segundo pau e o ponta surgiu para estufar as redes. A partir de então, estava claro que a Seleção não se empenharia muito mais. Bastou se segurar na defesa, lidando com a pressa venezuelana em dar o troco. Rondon começou a encontrar mais espaços no ataque, enquanto Guerra saiu muito bem do banco. Havia margem para um gol dos anfitriões.

Aos 28 minutos, todavia, aconteceu o banho de água fria na partida. A crise econômica aperta na Venezuela e os refletores do estádio em Mérida se apagaram. Após cerca de 20 minutos de espera, a bola voltou a rolar. Mas sem tantas emoções. Alisson chegou a fazer mais uma defesa, Paulinho perdeu outro gol, mas foi só isso.

Com os três pontos na conta, o Brasil ultrapassa o Uruguai na tabela e termina a rodada na liderança. Folga importante especialmente pelo próximo compromisso, contra a Argentina, em novembro. De qualquer maneira, o saldo atual é de grande lucro. O time vence, demonstra um bom futebol (exceção feita a esta terça) e agrega conceitos de jogo que antes pareciam inexistentes, como a compactação que funcionou bem na Venezuela. É o que dá esperanças e é o que faz toda a diferença entre os dois momentos distintos da campanha nas Eliminatórias.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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