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Brasil joga de modo antiquado, e pode queimar sua defesa toda

Felipão está experimentando, está testando, está dando oportunidade. Mas, no final das contas, pode mesmo é queimar muito jogador. Tudo porque a Seleção joga em um estilo antiquado, em que dá a muitos jogadores o direito de não participar das ações defensivas. O resultado disso é uma defesa que joga exposta, e que acaba mais sujeita a erros.

Foi o que ocorreu nesta quarta contra o Chile. A dupla de zaga titular, Dedé e Réver, falhou muito, sobretudo no primeiro tempo. A dupla de volantes, Ralf e Paulinho, também não foi eficiente na proteção da defesa, deixando muitos espaços. Houve erros individuais desses quatro jogadores, mas parte disso se deve a como eles estiveram sobrecarregados.

O Brasil entrou em campo com três jogadores que não participavam na marcação da saída de bola chilena: Leandro Damião, Neymar e Ronaldinho. Jadson também não participava muito, mas voltava um pouco para cercar. Desse modo, os chilenos Meneses, Reyes e Leal saíam jogando com liberdade, tendo espaço para avançar e pensar as jogadas. Aí, eram seis chilenos contra seis brasileiros.

Formação básica do primeiro tempo de Brasil x Chile, condeirando os momentos em que os chilenos tinham a posse de bola
Formação básica do primeiro tempo de Brasil x Chile, considerando os momentos em que os chilenos tinham a posse de bola

Em diversos momentos, Paulinho, Ralf, André Santos e Jean acabaram se adiantando para eles fazerem o papel de “marcar saída de bola”. Atitude natural, mas deixava uma avenida nas costas deles quando o Chile passava por essa marcação.

Desse modo, Paulinho, Ralf, Dedé e Réver tinham de cobrir um espaço muito grande cada um. Não dava. O Chile tem jogadores que se movimentam bastante, e era fácil encontrar buracos nesse sistema defensivo. Se o adversário fosse mais forte, o Brasil poderia ter sofrido uma derrota pesada, e muito da culpa cairia (com uma dose de injustiça) sobre os jogadores de defesa.

Pode-se argumentar que o Brasil jogou com uma equipe quase reserva, pois só foram convocados atletas que atuam em clubes brasileiros. Mas o time principal não é tão diferente. No amistoso contra a Rússia, o último com os jogadores “europeus”, Felipão escalou quatro jogadores de frente (Oscar, Kaká, Neymar e Fred) em que somente um (Oscar) tem costume de voltar para marcar.

No futebol atual, o primeiro combate é feito pelos jogadores de ataque. Os volantes dão o segundo e os zagueiro aparecem em um terceiro momento. Mas, na seleção de Felipão, o primeiro combate já é dado na intermediária brasileira, pelos volantes e laterais. Times rápidos e de bom toque de bola podem fazer a festa.

Cada vez mais, a preparação da Seleção parece que está tão ou mais atrasada que as obras da Copa.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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