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Brasil goleou e viu as boas opções que tem, mas em teste de baixa exigência

Jogar na casa dos adversários não foi problema. O Brasil sobrou contra os Estados Unidos, em amistoso disputado no Gillette Stadium. Melhor durante toda a partida, a Seleção fez jus à superioridade especialmente no segundo tempo, construindo à goleada. O placar de 4 a 1 condiz com aquilo que o time de Dunga apresentou, mas também indica a péssima noite dos americanos, errando muitos lances e sem qualquer agressividade. No fim das contas, em um jogo que serviu mais como preparação e recuperação de moral aos brasileiros, valeu para a comissão técnica observar algumas alterações na equipe. Alternativas interessantes para a sequência pesada que se promete nas duas próximas datas Fifa, com o início das Eliminatórias da Copa de 2018.

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Em um primeiro tempo de muita movimentação, mas poucas chances criadas, o Brasil aproveitou para sair em vantagem logo no início. Aos nove minutos, Willian fez grande jogada pelo lado direito e cruzou, com a bola tocando no travessão. Na sobra, Hulk limpou a marcação e soltou a bomba para estufar as redes. Novamente utilizado como centroavante, da mesma maneira como vem jogando no Zenit, o camisa 21 aproveitou para mostrar serviço – ainda que não tenha feito grande partida.

Durante a etapa inicial, Douglas Costa e Willian se destacaram pelo volume de jogo que deram pelas pontas. Já Lucas Lima aparecia muito bem pela distribuição, com passes e lançamentos. Entretanto, faltou ao time limpar um pouco mais as jogadas, arriscar mais a gol. O que mudou no intervalo, especialmente pela entrada de Neymar. O camisa 10 chamou o jogo para si e sofreu pênalti infantil aos seis minutos, que ele mesmo converteu. Depois, contou com as boas entradas de Rafinha e Lucas Moura, substituindo Lucas Lima e Douglas Costa. O trio participou do terceiro gol, com Rafinha mostrando enorme frieza após a triangulação entre Lucas Moura e Neymar. Já no quarto, o meia do PSG deu sua segunda assistência, para o camisa 10 marcar novamente, em outra excelente finalização.

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Os Estados Unidos, em compensação, só assustou no final, diante do relaxamento natural da Seleção. Após uma defesa firme de Grohe, o gol de honra saiu nos acréscimos do segundo tempo. Em um chute de longe de Williams, que passou por David Luiz, o goleiro não conseguiu enxergar a bola e acabou aceitando. Nada que mudasse os rumos da goleada. Ou que testasse de maneira efetiva a defesa. Fabinho e Marcelo se preocuparam mais em atacar durante os 90 minutos, em especial o lateral esquerdo. Já David Luiz, que passou a maior parte do tempo atuando ao lado de Marquinhos, outra vez fez questionar o porquê de sua titularidade. Errou o posicionamento e a posse de bola de maneira repetida, sem passar confiança.

De resto, em um “treino de ataque”, a Seleção pôde conferir os seus possíveis encaixes do meio para frente. Se Dunga mantiver o estilo de jogo vertical, com Luiz Gustavo protegendo mais a zaga e Elias soltou no apoio, as opções para dar velocidade são ótimas. Douglas Costa vive momento iluminado e Willian mostra serviço, importante também sem a bola. Hulk parece começar a se firmar como referência no ataque, acrescentando velocidade e potência na finalização, contra Roberto Firmino que carece de consistência. Lucas Lima, na cadência e nos lançamentos, tem características que seus companheiros não tem. Lucas Moura e Rafinha saíram muito bem do banco, adicionando velocidade. E ainda há Philippe Coutinho, que sequer saiu do banco – sem contar Neymar, intocável na equipe, mas suspenso no início das Eliminatórias.

Por mais que muita gente reclame da atual geração (que, comparada a outras que o Brasil já teve, é mesmo inferior, mas não é ruim), a Seleção possui nomes interessantes para a sua formação ofensiva. Falta um encaixe melhor do coletivo e uma liberdade tática maior para a movimentação. Nesta terça, liberdade foi o que sobrou diante da fraca apresentação dos Estados Unidos. O que não deve acontecer nos jogos cheios de pressão nas Eliminatórias. A goleada valeu como teste, mas com um nível de exigência bem baixo.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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