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Brasil encara incômodo parceiro político em Abu Dhabi

Contra um adversário fraco, mas com laços políticos com o governo brasileiro, a Seleção entra em campo nesta quinta-feira, às 14h, para enfrentar o Irã, em Abu Dhabi. Será o terceiro amistoso da equipe sob o comando de Mano Menezes.

O treinador, após estrear com uma bonita vitória sobre os Estados Unidos, teve uma semana de treinos em sua segunda convocação, mas sem amistosos, por incapacidade e falta de vontade (por causa do alto valor pedido pela Seleção) da Confederação Brasileira de Futebol. Agora, além dos iranianos, a equipe encara também a Ucrânia, na segunda, na Inglaterra.

Mano, assim como contra os norte-americanos, mandará a campo um time com características ofensivas – um pedido do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, na renovação do time.

Nos treinamentos prévios, o time foi montado no 4-3-3, com a linha de defensores atrás, dois volantes que sabem sair para o jogo (Lucas e Ramires), um meia de ligação (Carlos Eduardo) e três jogadores na linha de frente (Phillippe Coutinho, Alexandre Pato e Robinho).

Em que pese a falta de treinamentos mais longos para o jogo contra o Irã, alguns jogadores lembram o período de treinos em Barcelona como fator fundamental para uma boa apresentação.

“Muitos não entenderam porque o grupo se reuniu para treinar no mês passado. Acho que o ideal é sempre termos um adversário para enfrentar, mas não sei se teríamos o mesmo entrosamento que podemos apresentar nestas duas partidas após os treinos em Barcelona. Na minha opinião, o período que passamos treinando em Barcelona será o diferencial. Estou otimista e podemos mostrar um padrão de jogo já se consolidando”, garante Thiago Silva, que mais uma vez formará a dupla de zagueiro com David Luiz, com Daniel Alves e André Santos pelos lados.

Os dez jogadores de linha, aliás, são os mesmos que começaram o jogo-treino contra o Barcelona B, vencido por 3 a 0, no mês passado. A única exceção entre os titulares é o goleiro Victor.

Do outro lado, naturalmente, existe o respeito e admiração pela Seleção Brasileira. Será o primeiro confronto entre as duas equipes na história.

A seleção, que ocupa a modesta 57ª posição no ranking da Fifa e que participou de apenas três Copas do Mundo (1978, 1998 e 2006), tem como principal destaque o veterano Karim Bagheri, de 37 anos. O jogador é o único remanescente do elenco que disputou o Mundial da França e que fará sua despedida do time contra o Brasil.

Mas há também a utilização política da partida. O Irã sofre com restrições impostas pelos Estados Unidos e União Europeia por causa de seu programa nuclear. Um dos únicos países do mundo a manter uma postura mais amena com os iranianos é o Brasil. Por conta disso, o Governo Lula recebeu diversas críticas, das mais variadas partes do mundo.

“Será uma partida maravilhosa para todos os iranianos, assim como para as pessoas dos países do Golfo Pérsico”, afirmou Afshin Ghotbi, treinador do Irã.

Abu Dhabi localiza-se nos Emirados Árabes Unidos, país que também não mantém bom relacionamento com o Governo do presidente Mahmoud Amahdinejad. No entanto, abriga cerca de 400 mil iranianos – muitos deles fugidos da perseguição política, religiosa ou homofóbica em sua nação.

Por isso, sob o forte calor da região, espera-se que um grande público compareça ao estádio Zayed Sports City. E todos, assim como os brasileiros, esperam uma bela apresentação do Brasil.

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Equipe Trivela

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