Brasil

Botafogo precisa buscar ajuda psicológica

Ainda existe muito preconceito no futebol quanto ao trabalho de preparação psicológica, mas o Botafogo precisa de ajuda psicológica para apagar 2023 e seguir em frente.

Há coisas que só acontecem com o Botafogo é uma das máximas clássicas do futebol brasileiro. Depois do que houve no Campeonato Brasileiro do ano passado, quando o time deixou escapar um título que parecia garantido e viu o Palmeiras ser campeão, a frase voltou a martelar as mentes e os corações alinegros de General Severiano.

Infelizmente, ainda resiste um grande preconceito contra a Psicologia no futebol brasileiro. Talvez ainda resquício histórico da atuação de João Carvalhaes na comissão técnica a Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo de 1958. Entrou para a história de forma jocosa o resultado do exame psicotécnico realizado por Carvalhaes no grande Mané Garrincha.

O Gênio das Pernas Tortas foi reprovado no exame, mas seguiu na delegação e foi fundamental para a conquista da primeria Copa brasileira. O tempo mostrou que os resultados do psicotécnico estavam muito mais relacionados ao cidadão Manoel Francisco dos Santos do que ao incrível personagem que ele interpretava dentro de campo.

Como Garrincha é o maior ídolo do Botafogo, a relação faz ainda mais sentido.

Botafogo se tornou um time em frangalhos psicológico

O Glorioso é um time em frangalhos emocionalmente. Desde que engantou a sequência de derrtoas por virada na reta de chegada do campeonato nacional o time não se reuperou. O clássico diante do Vasco pelo Campeonato Carioca foi uma edição do que houve em 2023. Time jogando bem, saindo na frente, controlando. Vem o empate e a confiança começa a ficar esfumaçada pelas nuvens em volta do Cristo Redentor (vale pesquisar essa história entre as muitas superstições botafoguenses). A virada se concretiza e o rumo não é recuperado.

Mais do que o jogo, o Botafogo perdeu para o Vasco a vaga no G-4 do Cariocão. Agora sobe a montanha para enfrentar o Aurora na etapa inicial da Libertadores, enfrentando seus fantasmas o aquele outro, o da altitude de 2,5 mil metros.

A Psicologia aplicada ao esporte evoluiu muito desde a válida tentativa do doutor Carvalhaes lá em 1958. No alto rendimento, setor em que praticamente não existe diferença técnica relevante entre os melhores atletas, o controle emocional – ou a falta dele – decidem títulos e medalhas.

Para muita gente isso é tratado como frescura, uma antítese do futebol-raiz.

Psicologia também ajuda a explicar Palmeiras x Corinthians de ontem

No caso do Botafogo cabe entender como um time capaz de fazer dois gols espetaculares como os marcados por Eduardo e de jogar bem, de uma hora para outra entra em parafuso e comete erros inconcebíveis.

Um paralelo dessa situação foi pintado no clássico ontem pelo Campeonato Paulista. Dominante em mais de 80% do jogo, o Palmeiras permitiu que o Corinthians empatasse quando atuava com nove jogadores e tinha um zagueiro improvisado como goleiro. Mesmo com dois jogadores a mais em campo, o Alviverde cometia faltas em sequência, proporcionando ao adversário as oportunidades de bola parada que redundaram no empate.

Cansaço, desgaste emocional, falta de concentração.

Nos lances derradeiros, Weverton resolve tirar as mãos de uma bola defensável que entra, e Raniele salva em cima da linha uma bola que o zagueiro improvisado como goleiro deixara passar por baixo do corpo.

Muitas vezes um time bom de cabeça fica doente do pé. Assim como há casos de times bons de pé que ficam ruins da cabeça.

Foto de Mauricio Noriega

Mauricio Noriega

Colunista da Trivela
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