BrasilBrasileirão Série B

Bem-vindos à Série A

A Série B não é o inferno, como algumas vezes se trata quando um time dos chamados “12 grandes” cai. Claro que todos (ou quase) todos que estão na Série B querem mais é subir para a Série A, mas se a segunda divisão fosse o inferno, o que seriam a Série C e D? O fato é que quatro times deixaram a segundona em 2012 rumo à primeira divisão. Goiás, Criciúma, Atlético Paranaense e Vitória estarão de volta à Série A.

O Goiás foi imbatível em casa. Foram 19 jogos, 15 vitórias e quatro empates. Chegou a 78 pontos e 68,4% de aproveitamento. São apenas números. O que mais importa é que o time ganhou um título e disputará a primeira divisão. O que importa é a sensação de alegria do torcedor, que viu seu time jogar um bom futebol na Série B. E cria esperança que o time possa fazer um bom papel na Série A.

O Criciúma é um time que volta à primeira divisão depois de muito tempo. A cidade é forte economicamente, assim como muitas espalhadas pelo país, mas não conseguiu ter um time forte, que pudesse refletir essa força. Algumas outras cidades já capitalizaram, de um jeito ou de outro, a sua força financeira. O Criciúma volta com um bom time, que mostrou um futebol envolvente em muitas rodadas.

Vitória e Atlético Paranaense fizeram seus torcedores sofrer um pouco mais. Os dois se classificaram para a Série A apenas na última rodada. Os dois eram habituais na primeira divisão até pouco tempo e sofreram mais do que o esperado para voltar. De maneiras diferentes.

O Atlético caiu em 2011, depois de um 2010 glorioso.Naquele ano, terminou em quinto lugar no Brasileiro, mas ficou em 17º no ano seguinte e viu o rebaixamento acontecer. Em 2012, teve muitos percalços na Série B e, sem a Arena da Baixada, sofreu muito para conseguir chegar ao quarto lugar. Ficou seriamente ameaçado de não subir, mas garantiu o acesso no final. Ficou apenas um ano na segunda divisão, o que minimiza o prejuízo – mas o torcedor sabe o quanto sofreu.

Já o Vitória teve uma campanha instável e cheia de fatos curiosos. Paulo César Carpegiani deixou o time, que era líder, por problemas de relacionamento. A troca de técnico tornou-se mais um obstáculo para o Vitória, que viu em 2011 o acesso à Série A escapar no final. Desta vez, o time se agarrou à chance e não desperdiçou. Volta à primeira divisão, onde poderá fazer novamente o clássico com o Bahia.

Nenhum desses times irá subir para ser campeão da Série A. Uma parte porque esse é o normal, um time que vem de uma divisão de baixo demora algum tempo para voltar a se reestabelecer como força na primeira divisão. São raros os casos de times que voltam já brigando em cima. Em parte porque a divisão de cotas de TV é bastante injusta, criando um abismo grande demais para ser superado.

Também é preciso reconhecer que sempre haverá uma diferença de forças entre os times, ainda que o dinheiro dos direitos de TV fosse dividido igualmente. Simplesmente porque há clubes mais fortes. Mesmo em lugares com uma divisão um pouco mais justa desses recursos, como na Inglaterra, há diferenças entre os times – embora lá o fator donos milionários dos times deva ser considerado, algo que aqui não acontece, ao menos não da mesma forma.

Bem-vindos à Série A, Goiás, Criciúma, Atlético Paranaense e Vitória. Que todos façam uma preparação adequada e possam disputar um campeonato que deixem as torcidas tão orgulhosas quanto ficaram em 2012. Porque se dos 20 clubes só um poderá comemorar o título, os outros 19 não são perdedores, necessariamente.  Há muitas pequenas vitórias que valem muito.

Mano caiu. E não foi pelo trabalho

A queda de Mano Menezes é um assunto político, não técnico. Mano não fazia o trabalho que se esperava que fizesse, mas já tinha encontrado um time. E dificilmente o time mudará muito. Não tem que mudar. Mano fez uma triagem entre os jovens, amadureceu boa parte deles e errou muitas vezes em escalações, embora suas convocações tenham sido, em geral, de acordo com o que deveriam.

A decisão foi política e tem a ver com uma briga por poder na CBF. Não vou me alongar no assunto porque há dois textos excelentes que falam sobre isso com detalhes e informações precisas: , falou sobre o que Andrés Sanchez pretende. As duas coisas estão intimamente ligadas.

A pergunta que fica é: quem será o técnico da seleção? E quem pode contribuir? Não vejo ninguém no melhor momento. Felipão está em um ponto baixo da carreira. Mas tem algo que a CBF pode ver com bons olhos: atrai para si toda a responsabilidade. Pode ser o ideal para o momento. Do ponto de vista dos dirigentes, claro, que querem mais é lavar as mãos.

Por trabalho, quem tem feito o melhor é Tite. Já mostrou que conhece de futebol e tem um estilo próprio. O problema é que o estilo que Tite fez nos seus times e, especialmente, no Corinthians campeão da Libertadores é algo que exige muito do trabalho coletivo, algo difícil de fazer na seleção. Ainda mais com menos de 20 jogos até a Copa. Será que o tempo seria suficiente?

Muricy é outro nome na pauta. É o técnico mais vencedor nos últimos dez anos e isso é inquestionável. O que é bem questionável é se esse é o estilo que se quer na seleção. Muricy deixou o São Paulo muito criticado. Saiu do Fluminense criticado. No Santos, já é bastante criticado também. Em todos esses times, conquistou títulos. Tem cancha para a seleção, sem dúvida. Talvez, porém, seja o estilo menos animador.

Mano passou pela parte mais difícil do trabalho sem ser muito animador, é verdade. Demorou muito a encontrar um time, testou muitas formas diferentes. Mas sai da seleção com uma base estabelecida: Diego Alves; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Paulinho e Ramires; Hulk, Oscar e Kaká; Neymar. Mano não conseguiu tirar o máximo desse time, mas seria pouco inteligente se o técnico que assumir não usasse a maior parte desses jogadores para montar o novo time.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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