Brasil

Batata quente

A brincadeira da batata quente é tradicionalíssima, na infância de muitas pessoas. A maioria que lê esta coluna deve saber que ela consiste em pegar um objeto, formar uma roda e passá-lo de mão em mão, até que o objeto “queime”, e o cidadão que o segurava saia da brincadeira. Pois bem, a “batata quente” que virou a briga pela primeira posição do Campeonato Brasileiro está sendo muito debatida, após as duas últimas rodadas da competição.

A característica mais notada em todas as análises é a incrível capacidade que todos os grandes candidatos ao título nacional têm mostrado para perder pontos considerados fáceis – a tal ponto que faça-se a brincadeira de que nenhum dos clubes parece querer ser campeão brasileiro, passando a “batata quente” para a frente, e tornando a disputa pela ponta algo aparentemente equilibrado. Aparentemente.

Senão vejamos. Mesmo tendo ganho apenas um ponto nas duas últimas partidas, o Palmeiras teria tudo para ter jogado fora a “gordura” e o status de favorito destacado que ganhou, após os categóricos 3 a 1 sobre o Santos, fora de casa. A equipe de Muricy Ramalho não conseguiu livrar-se da boa marcação exercida pelo Avaí, no Parque Antártica (e o Azulão ainda conseguiu desenvolver seu jogo, dominando o primeiro tempo), e sucumbiu à pressão sempre considerável que há nos Aflitos, aliada à inegável qualidade que alguns jogadores do Náutico têm, como Carlinhos Bala.

E as duas derrotas mostraram algumas falhas que já não se viam há algum tempo no time de Muricy. É dispensável falar das qualidades de Marcos (e, de mais a mais, o camisa 12 tem salvo-conduto eterno com os palestrinos), mas vez por outra, o goleiro erra nas saídas de gol – a falha que permitiu a Claudio Luiz abrir o placar para o Náutico é semelhante à do primeiro gol do Vitória, no jogo contra o líder do campeonato, no Barradão. A zaga, com Maurício Ramos e Danilo, voltou a mostrar alguma insegurança, para não falar das atuações de Marcão, também novamente temerárias.

Sem dúvida, ajuda na piora da defesa a falta que Pierre faz – ainda que Souza esteja indo bem, na medida do possível. E Cleiton Xavier tenta, mas não consegue suprir outra falta, esta sim de grandes proporções aos palmeirenses: Diego Souza. O que faz com que a dupla Vagner Love-Robert tenha de se esfalfar mais, para criar chances.

Mesmo assim, o Palmeiras continua com sua vantagem de cinco pontos lá, conservadinha. Por que? Simplesmente porque… os outros times também têm falhas. O vice-líder São Paulo também chega para a 30ª rodada com apenas um ponto nos últimos dois jogos. Perder para o Flamengo, nem tanto: o time da Gávea constrói uma reação mais e mais interessante. Preocupante foi suar para empatar com o Coritiba – em que pese a também elogiável reação coxa no segundo turno.

Se falhou nos dois gols sofridos contra os paranaenses, Rogério Ceni provou contra o Flamengo porque é o indubitável camisa 1 são-paulino, ao evitar uma derrota que poderia ser ainda maior. O problema da equipe de Ricardo Gomes parece mesmo o ataque. Se fosse menos egoísta, Dagoberto seria o parceiro ideal, fosse para Borges, fosse para Washington – e nem precisaria dar sempre passes irretocáveis como o dado para o gol de Hernanes, no sábado passado. Borges reagiu um pouco, mas ainda não é o mesmo da temporada passada. E as reclamações infrutíferas parecem queimar Washington com a torcida.

O Internacional, terceiro colocado, ainda está no começo do trabalho de Mário Sérgio, sendo precipitado dizer que falhas o esquema do técnico possui. O Atlético-MG, por sua vez, ofereceu, com as derrotas para Botafogo e, principalmente, Cruzeiro, chance de reabilitação ao Goiás – que não as aproveitou, também, perdendo para os cruzeirenses e empatando com o Sport.

Enquanto isso, Cruzeiro e Flamengo, vencendo suas partidas, mostram a eficiência que falta aos principais ponteiros da tabela. E podem, sim, ser mais dois clubes a entrar na brincadeira do “título quente” – equilibrada, até que os problemas acabem. Quem for mais ágil nela ouvirá, ao invés do “queimou”, o “ganhou”, ao final das 38 rodadas.

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Equipe Trivela

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