BrasilBrasileirão Série A

Balanço: Ponte Preta lidera os times que se recuperam

A Ponte Preta parecia já perdida no Campeonato Brasileiro. Afundada na zona do rebaixamento, a equipe conseguiu uma vitória fundamental na 31ª rodada, graças a uma vitória por 2 a 1 sobre o concorrente direto, Vasco. O time de Campinas está na zona do rebaixamento ainda, mas mostra sinal de recuperação em um momento que outros times estão mal. Além do próprio Vasco, o Fluminense parece perdido.

Quem parecia inclinado para baixo era o Botafogo, eliminado no meio de semana com uma estrondosa goleada para o Flamengo. Mas o time mostrou que está vivo e venceu o Atlético Mineiro, mostrando que a queda não irá afetar tanto o time assim.

Teve também o Coritiba, que venceu o Grêmio com uma sonora goleada em casa, no Couto Pereira. Uma sapecada diante do vice-líder do Campeonato Brasileiro. Todos times que não vinha muito bem, mas que se recuperaram. Vamos aos jogos:

O foco é chegar à Libertadores

Botafogo 1×0 Atlético Mineiro

O torcedor do Botafogo já sentia aquele arrepio de uma dúvida que insiste em aparecer: será que o time vai refugar? Esse grupo do Botafogo luta bravamente contra isso. Oswaldo de Oliveira luta bravamente contra isso. O futebol do time caiu muito, o desempenho individual caiu muito, mas a vitória contra o Atlético Mineiro veio de qualquer jeito. Com um gol do lateral esquerdo Júlio César. Ponto negativo é o de praxe: público de 6.472 pagantes e 10.743 presentes. Se o time se garantir na Libertadores, será que teremos mais gente no Maracanã na Libertadores?

Ataque desequilibra – no bom e no mau sentido

Cruzeiro 5×3 Criciúma

Um dos melhores textos sobre o Cruzeiro no fim de semana é do Marcelo Bechler, jornalista da rádio Globo: o Cruzeiro precisa jogar menos e competir mais. Sim, é um elogio e uma crítica ao time, que marca muitos gols e decide jogos rapidamente. O time de Marcelo Oliveira é o melhor do campeonato e parece não haver dúvidas disso, mas fazer 2 a 0 em um dos últimos colocados, tomar a virada e fazer 5 a 3 é uma demonstração que é uma equipe que oscila demais em um mesmo jogo. Não pode ser assim se quiser ir além. E a Copa do Brasil já deu a letra sobre isso.

Empatar (não) é preciso

Corinthians 1×1 Santos

Talvez alguém lembre daquela velha propaganda do banco Bamerindus: “o tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus continua numa boa”. Bom, podemos adaptar para o que é o Corinthians no Campeonato Brasileiro: as rodadas passam, as rodadas voam e o Corinthians segue empatando numa boa. É, contra o Santos foi o 14º empate corinthiano. Ninguém empatou tanto. O time até melhorou no clássico com o Peixe, finalizou mais, criou mais e… Perdeu gols, como também é uma marca. O time segue ali em 12º lugar. O Santos é o oitavo e também parece cada vez mais conformado com o meio da tabela.

Artilharia intacta

Bahia 1×1 Atlético Paranaense

Éderson é uma das grandes histórias do Campeonato Brasileiro. Aos 24 anos, foi revelado no Ceará em 2007 e veio para o Atlético Paranaense. Nunca conseguiu se firmar.Rodou, emprestado, pelo próprio Ceará e pelo ABC. Em 2013, conseguiu espaço no Atlético com muitos gols e chegou a 16 no jogo contra o Bahia.

É chamado de “Furacão Cearense” pela torcida do Furacão e tem feito jus à fama. Só que o Atlético já vê no retrovisor o Goiás se aproximar, o que é muito perigoso. São quatro pontos de diferença. O Bahia segue ligeiramente ameaçado pelo rebaixamento.

Boi Bandido e árbitro das lambanças

Internacional 2×3 São Paulo

A fase do Aloísio é tão boa que ele conseguiu quebrar um estigma do São Paulo nos últimos meses: os pênaltis. Sim, porque o time não conseguia marcar um gol de pênalti desde o início do campeonato. Quando o árbitro apontou a marca da cal por um pênalti besta de João Afonso em Ademílson, o torcedor são-paulino certamente sentiu um certo arrepio. Rogério Ceni de novo? Não, desta vez ficou a cargo do Boi Bandido, que marcou dois dessa forma.

Mas é preciso registrar que a arbitragem teve influência no resultado. O primeiro gol foi incorretamente validado. Aloísio marcou em impedimento. Os dois pênaltis a favor do São Paulo aconteceram. Mas em um lance, Péricles Bassols se complicou duplamente de uma vez. Marcou uma falta inexistente de Wellington em Jorge Henrique. Só que o lance foi dentro da área. Ele marcou fora. No fim, vitória do São Paulo, que passa o Inter na classificação – nono colocado, um ponto à frente do Inter, 10º.

Segura, goleiro!

Ponte Preta 2×1 Vasco

O Vasco às vezes parece pedir para perder. Contra a Ponte, saiu na frente com um gol contra, mas tal qual aquele seu sobrinho que fica puto da vida quando você dá uma camiseta ao invés de um brinquedo, o time da Colina foi ingrato com o presente. A Ponte foi melhor durante todo o segundo tempo e fez muita força para virar o jogo. Conseguiu o empate em um chute do Adrianinho, sim, aquele que um dia foi cotado para defender a seleção austríaca e foi considerado potencial craque há dez anos.

Depois, veio o gol de fora da área de Uendel. Bom, foi tecnicamente do Uendel, mas o Alessandro, goleirão do Vasco, ajudou muito. Engoliu um frango monstruoso. E esse gol fez a Ponte Preta passar o Vasco na classificação nos critérios de desempate: uma vitória a mais. A Ponte, que parecia mortinha da Silva, já está há três pontos do Fluminense, primeiro time fora da zona.

Ninguém é de ninguém

Portuguesa 0x0 Flamengo

Um time paulistano jogar contra um carioca em Fortaleza parece uma coisa ridícula, e é. Mas a Lusa vendeu o seu mando de campo para uns empresários – sempre eles. E aí o jogo foi muito, mas muito ruim. Sabe aquele clichê do placar de 0 a 0 foi a nota de cada time? Pois é. O Flamengo sabe que a sua chance de Libertadores reside apenas na Copa do Brasil. No Brasileiro, não há muito mais o que fazer. A Portuguesa, por sua vez, ainda precisa se garantir na primeira divisão. Os seis pontos para a zona do rebaixamento são confortáveis por enquanto, mas será preciso vencer para não correr riscos.

Alô, Série B? Quer tomar um café?

Fluminense 2×3 Vitória

Não dava para esperar que o Fluminense brigasse para não cair, mas esse fim de campeonato está deixando a impressão que a Série B não é só um pesadelo para o Flu. Pode acontecer mesmo. O jogo contra o Vitória foi daqueles para se lamentar profundamente. O Vitória teve um jogador expulso logo no começo do jogo, mas mesmo assim abriu o placar. Aí o Flu virou e tudo parecia bem. Os 3 a 2 no final do jogo deram ao Vitória mais um triunfo e ao Fluminense a 13ª derrota. Só os times na zona do rebaixamento perderam mais que o tricolor. E por isso mesmo, o time comandado por Vanderlei Luxemburgo precisa colocar as barbas de molho, porque a coisa vai ficar feia se o time não começar a vencer. E o próximo jogo é contra o Flamengo… Imagine o estrago que uma derrota pode causar.

Nem precisou fazer força

Náutico 0x2 Goiás

O Náutico está em ritmo de cruzeiro no Brasileirão. Não o Cruzeiro líder, mas o cruzeiro viagem de navio mesmo. Está ali sabendo que será rebaixado, é inevitável e etc e tal. Como o Goiás sabe disso, tratou de ir até a Arena Pernambuco e fez 2 a 0 para sair com os três pontos com um time reserva mesmo, pensando na semifinal da Copa do Brasil contra o Flamengo, na quarta. De quebra, ainda se manteve em quinto lugar a só quatro pontos do Atlético Paranaense. O time tem duas frentes de batalha para tentar uma vaga na Libertadores.

Passou, passou, passou um avião…

Coritiba 4×0 Grêmio

É daqueles resultados que apostadores não acertariam. O Coritiba poderia vencer, claro, joga em casa e o Grêmio já estava pensando na Copa do Brasil na quarta. Mas o atropelamento do jeito que foi era pouco provável. Pará ajudou muito, diga-se. Primeiro, marcou um gol contra no primeiro minuto de jogo. Depois, no segundo tempo, deu um carrinho assassino em Geraldo, que por sorte não quebrou a perna do angolano. E aí foi um passeio do Coxa, com direito a gol de Alex, seu 11º no Campeonato Brasileiro. E o Coritiba chega a 40 pontos, ainda ameaçado pelo rebaixamento, mas já em uma situação melhor, em 13º lugar.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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