Brasil

Auto-destruição botafoguense

A bola passa de pé em pé entre os jogadores botafoguenses que, já aos 22 minutos do primeiro tempo, perdem dentro de casa do combalido Goiás. Sem nenhuma objetividade, eles tocam enquanto a torcida vaia o time, ou boa parte dele. As cenas vistas no último domingo, no Maracanã, são tão tristes quanto o fatídico jogo em Nuñez, descrito e analisado na coluna de América Latina. Nem de longe, lembram o time encantador visto durante boa parte de 2007.

Não há em todo país um time, ou melhor, um clube, com tamanha fragilidade mental quanto o Botafogo. O jogo contra o São Paulo, no primeiro turno, deu início a uma queda absurda de produtividade da equipe, tendo, desde então, poucas vezes repetido o futebol que a colocou durante 12 rodadas na liderança do Campeonato Brasileiro.

No jogo citado, foi nítida a forma com que os jogadores botafoguenses encaravam uma afirmação pessoal e institucional, tamanhas as vezes em que determinação foi confundida com ansiedade e nervosismo, gerando reclamações pouco consistentes da arbitragem e inclusive a agressão que deixa o volante Túlio, experiente e vital para o time, 120 dias fora de combate.

A verdade é que, de lá para cá, o Botafogo em raros momentos foi o mesmo time. Durante boa parte de 2007, incluindo o vice-campeonato estadual e a boa campanha na Copa do Brasil, a equipe de Cuca era marcada pela ofensividade, mobilidade tática e jogo intenso. Um êxito diante do River Plate, contra quem tinha força máxima, poderia aumentar a moral em General Severiano. O efeito foi reverso.

Mas, como em muitos momentos de sua história recente, o clube fez valer a famosa, e por vezes irritante, frase sobre “as coisas que só acontecem com o Botafogo”. A derrota, que de fato geraria uma crise em qualquer equipe do mundo, despedaça todo o trabalho, cujo quarto lugar na Série A ainda conseguiria manter em alta. E mais: tem dado início ao período triste onde hostilidades de parte a parte derrubam o time dentro de campo.

A tradicional postura agressiva e impulsiva do dirigente Carlos Augusto Montenegro, novamente apareceu. O cartola disse que, se pudesse, rescindiria o contrato de todos os jogadores e que ninguém dentro do grupo tinha vergonha na cara, repetindo uma atitude por ele tomada em 2005 após derrota contra o Flamengo. A atitude, em si, de nada ajuda o Botafogo, além de só evidenciar a fragilidade mental de jogadores, comissão técnica e direção.

A deflagrada saída de Cuca fica como o estopim para o fim da equipe, na opinião deste colunista, tão ou mais marcante que o Grêmio vice-campeão da Libertadores e o São Paulo, em breve campeão brasileiro. O treinador, responsável pela montagem do time, era também a alma e o coração do Botafogo, hoje claramente desmotivado a ponto de, dificilmente, se reacender por um dos quatro primeiros lugares.

Não se deve, contudo, excluir algumas falhas no excelente trabalho de Cuca. Sempre que precisou se defender, administrar um resultado, o Botafogo falhou. Por mais que fosse uma equipe claramente ofensiva, precisava de mais consistência na hora de segurar um placar, como por exemplo na final do título estadual ou, ainda, na semifinal da Copa do Brasil. Ou, claro, contra o River Plate.
A auto-destruição botafoguense, porém, deixa lições para as próximas temporadas. O clube é sério, constrói bons ambientes e tem dado respaldo para os últimos treinadores trabalharem. Porém, não pode viver condicionado a afirmações e possíveis traumas, colocando fim a um time – e nisso os torcedores também têm culpa – que poderia dar muito mais. Ainda em 2007.

Vôo livre

Por mais que a coluna precise sempre buscar outros assuntos e não repetir o discurso geral, deve se destacar mais uma vez o São Paulo. A equipe, aliás, tem sido o oposto do que acontece com o Botafogo. Joga sempre com uma confiança plena e inabalável e, assim, vai eliminando rodada a rodada as chances de perder o título nacional. No Beira Rio, os são-paulinos encararam um time motivado e disposto a lhes atrapalhar no Brasileiro.

Durante boa parte do jogo, o Internacional pareceu ser o time que já foi, com disposição e volume de ações ofensivas, ainda que com um a menos. O São Paulo, porém, achou o espaço que precisava, entre Sorondo e Alex, para empatar o jogo. O pé preciso de Jorge Wagner deu o oitavo passe para gol no campeonato, sete deles em cruzamentos. E o Morumbi já aguarda mais um título nacional.

Benazzi

Wagner Benazzi assumiu a Portuguesa na porta da Série C. Não subir para a elite em 2005 causou um trauma forte no Canindé, degringolando o até então elogiável trabalho de Giba e de um time que ia muito bem com Cléber, Celsinho, Leandro Amaral e Johnson. O ano de 2006 foi trágico, derrubando os lusos para a segunda divisão paulista.

Pois Benazzi, com seriedade, disposição e muita competência, tem sido a principal bandeira dessa Portuguesa, hoje, um ano depois, na porta da Série A e também já reposicionada na elite paulista, após o título da Série B estadual. O time da Lusa, aliás, é composto por bons jogadores, evidentemente.

Destaques para o goleiro Tiago (ex-Corinthians), o zagueiro Bruno, o meia Preto e o garoto atacante Diogo, principal jogador do time. Remanescentes de 2005, como Wilton Goiano, Rai e o sempre elogiado Leonardo, formam uma espinha dorsal que vai pondo novamente a Portuguesa entre os grandes.

Blog

Convido os leitores da coluna a visitar o blog deste que vos escreve. Lá, inclusive, falo sobre o interessante duelo entre Coritiba e Ipatinga, além da rodada do fim de semana da Série A.

http://dassler.blogspot.com

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