Atlético x Grêmio: Os duelos que forjaram o timaço do Galo em 77 e o Tricolor campeão de 96

A história se faz a partir desta quarta. Grêmio e Atlético Mineiro se mantêm há décadas entre os principais clubes brasileiros. No entanto, os duelos decisivos entre tricolores e alvinegros são um tanto quanto raros. Nenhum tão importante quanto o que se desenrolará na final da Copa do Brasil de 2016. Em 63 partidas oficiais, apenas cinco valeram por mata-matas: quatro pela Taça Brasil, em 1959 e 1963, ambas com classificação gremista; e uma pelas quartas de final do Campeonato Brasileiro de 2001, quando os atleticanos se deram melhor.
Se os grandes jogos são raros, no entanto, não dá para negar que o duelo ajudou a forjar esquadrões de Galo e Grêmio. Olhando para o passado, dois jogos válidos pelo Campeonato Brasileiro chamam a atenção: em 1977, o fantástico time atleticano estrelado por Reinaldo recebeu no Mineirão os gremistas, embalados após quebrar o jejum de títulos no Campeonato Gaúcho; já em 1996, os tricolores não tiveram piedade dos alvinegros e massacraram, no início de sua campanha rumo ao bicampeonato nacional.
O jogo de 1977 propunha um reencontro. Telê Santana, o responsável por dar o primeiro título brasileiro ao Atlético, era técnico do Grêmio e naquele momento também marcava o seu nome no Olímpico. Um mês e meio antes, André Catimba marcou o gol eterno que encerrou a longa fila tricolor no estadual. O Galo, por sua vez, também era carne de pescoço. Vinha com a melhor campanha da primeira fase do Brasileirão e arrasando quem passasse por sua frente. Aquele encontro era válido pela terceira rodada da segunda fase.
Naquele dia, o Grêmio vinha inspirado por um futuro ídolo do Galo: Éder Aleixo. Revelado pelo América Mineiro, ele passou dois anos no Olímpico, antes de ser levado de volta a Belo Horizonte. E seus chutes potentes incomodavam João Leite. A partida, contudo, acabou decidida por um personagem que resiste no clube e estará à beira do campo nesta quarta. O então meia Marcelo (Oliveira) deu o passe para Ângelo marcar o primeiro e também fez o terceiro no triunfo por 3 a 1. Reinaldo, infernal no Brasileirão de 1977, também deixou o seu e serviu o companheiro no último tento. Do outro lado, André Catimba fez o de honra dos gaúchos.
Tanto Grêmio quanto Atlético Mineiro passaram para a terceira fase do Brasileiro. No entanto, enquanto os tricolores não avançaram na mesma chave que tinha o São Paulo, o Galo seguiu voando baixo. Eliminou o Londrina na semifinal e terminou o campeonato invicto. O problema é que, na contestada decisão diante do São Paulo, Valdir Peres garantiu o título tricolor nos pênaltis, após o 0 a 0 no Mineirão – em final de jogo único.
Corta para 1996. Dezenove anos depois, quem contava com um dos times mais cascudos do Brasil era o Grêmio. Uma capacidade conhecida desde os anos anteriores, com a conquista da Copa do Brasil de 1994 e da Copa Libertadores de 1995. Já em 1996, os tricolores adicionariam outra taça importante a sua história. Marcaram terreno pela maneira como despacharam o Atlético no Olímpico, na nona rodada.
Aquela base do Galo conquistaria a Copa Conmebol um ano depois e até terminaria a fase de classificação do Brasileiro uma posição à frente do Grêmio. Porém, não houve o que segurasse os tricolores naquele dia. Taffarel precisou buscar a bola no fundo das redes cinco vezes, no passeio por 5 a 0. Paulo Nunes e Zé Afonso foram os destaques, com dois gols cada, enquanto Saulo completou a conta. O time copeiro de Felipão também sabia muito bem como aplicar uma goleada.
Nos mata-matas daquele Brasileirão, o Grêmio eliminou Palmeiras e Goiás para chegar à decisão. Já o Galo, após derrubar o Atlético Paranaense, parou na Portuguesa nas semifinais. Justamente a vítima dos gaúchos na histórica final. Após a derrota por 2 a 0 no Canindé, o Grêmio deu o troco sobre a Lusa e reverteu o placar no Olímpico, graças ao gol de Aílton aos 39 do segundo tempo. Por ter a melhor campanha, a taça ficou com os gremistas, mesmo com os dois resultados iguais.
Extra: O empate por 2×2 na Copa João Havelange não tem tanto significado. Mas é cada golaço, que vale conferir.



