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Atlético Mineiro derruba o líder e manda a mensagem: está vivo na briga pelo título

Ninguém havia vencido o Palmeiras no Allianz Parque, neste Campeonato Brasileiro, e Cuca, como técnico alviverde, nunca havia perdido em casa. Tudo isso é passado. O Atlético Mineiro ganhou por 1 a 0, em São Paulo, na manhã deste domingo, e se colocou de vez na briga pelo título. Está a apenas seis pontos da primeira colocação, e agora o desafio é não tirar o pé do acelerador nas 22 rodadas finais.

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Foi uma vitória gigante para o Galo por outros motivos, além do simbolismo e da dificuldade de derrubar o líder onde ele era quase imbatível: Cazares, que vinha sendo o melhor jogador do time, era desfalque; foi apenas a segunda vitória fora de casa, quase a primeira, considerando que a outra havia sido no próprio Independência, onde o Atlético manda a maioria dos seus jogos, contra o América Mineiro; e Robinho jogou muito bem.

Pelo salário que recebe, e o status que construiu na carreira, espera-se sempre que Robinho decida os jogos para o Atlético Mineiro. Em 11 partidas até a deste domingo, havia feito seis gols e dado duas assistências – e dois desses tentos e dois desses passes saíram em único jogo, no empate por 4 a 4 com o Sport. Ele vinha jogando bem, bastante participativo, e marcou duas vezes na rodada anterior, contra o Coritiba. Agora, foi também decisivo em jogo grande, como se cobra dele.

Em um primeiro tempo equilibrado, ele exigiu uma grande defesa de Vagner, com um chute característico no canto, que o goleiro do Palmeiras, fazendo a sua estreia pelo clube, foi buscar. A ausência de Fernando Prass não foi tão sentida pelo time da casa. A de Gabriel Jesus, sim. O ataque com três jogadores leves – Erik, Dudu e Róger Guedes – não funcionou tão bem sem o atacante que está com a seleção olímpica. Faltou sua presença de área, sua capacidade de atacar os espaços pelo meio da defesa adversária ou entrando em diagonal e, principalmente, seu poder de finalização.

O Palmeiras tomou a iniciativa e tentou pressionar nos primeiros minutos para marcar cedo, como fez na maioria das suas vitórias neste Brasileirão. Mas o Atlético Mineiro conseguiu se segurar. A primeira ironia: a principal tentativa de criar perigo a Víctor foi por meio da bola aérea, a mesma estratégia que era frequente e infrutífera no comando técnico anterior, de Marcelo Oliveira. Com Erik preso à esquerda, Guedes à direita, e Dudu sem entrar na área, não havia ninguém para completar esses passes.

A segunda ironia: o Atlético Mineiro, do mesmo Marcelo Oliveira, fez o gol da vitória em uma bela jogada trabalhada, com bola no chão e passes de pé em pé.

Houve de tudo no lance. O lateral Fábio Santos subiu pela esquerda e tocou com Fred, cuja movimentação foi essencial no lance: saiu da área, aproximou-se do segundo atacante e puxou a marcação. Soltou com Robson, que agrediu a área e deu o passe decisivo, entre a defesa. No vácuo deixado pelo centroavante, apareceu Leandro Donizete, pouco afeito aos gols, para tocar na saída de Vagner e abrir o placar.

Lucas Barrios entrou logo em seguida, para tentar dar um alvo para a troca de passes do Palmeiras, que formava um U na grande área: ia de um lado para o outro do campo, sem infiltração. As tentativas de tabela não funcionaram. Nenhum cruzamento levou perigo. Cleiton Xavier sumiu. Quase todas as faltas ou escanteios cobrados por Dudu foram diretamente às mãos de Víctor, com exceção de uma, que Edu Dracena cabeceou com perigo. Em 30 minutos para buscar o empate ou a virada, o Palmeiras criou muito pouco, quase nada, e a melhor chance da partida foi mesmo no final do primeiro tempo, quando Erik recebeu dentro da área e dividiu com o goleiro.

A intensidade que marcou muitos jogos do Palmeiras neste Brasileirão foi vista com mais clareza no Atlético Mineiro, que marcou muito bem o jogo inteiro, sem vacilar, e encaixou uma linda troca de passes para vencer. Ao mesmo tempo, o ataque do dono da casa ainda tentava se adaptar à nova realidade, sem Gabriel Jesus, e seus principais talentos não estiveram em uma grande manhã.

Somando tudo isso, o Galo conseguiu uma vitória gigante que manda a mensagem aos outros 19 times do campeonato. Depois de ganhar apenas um jogo nas primeiras oito rodadas, está vivo na briga pelo título. Com o elenco que tem, com Lucas Pratto, Cazares, Robinho, Fred, Luan, Dátolo e companhia, a apenas seis pontos da liderança, não pode de jeito nenhum ser descartado.

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Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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