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Atlético aprendeu a sofrer para dispor do seu talento e ser campeão mineiro

Nos dois primeiros clássicos do ano, duas derrotas. O Atlético Mineiro de Roger Machado era questionado por não conseguir competir com o principal rival, que tem um técnico há um pouco mais de tempo e também tem um bom elenco. O empate sem gols no primeiro jogo na final já mostrou um Atlético diferente. Neste domingo, a vitória por 2 a 1 veio com um time mais seguro no meio-campo, que permitiu os talentos do time brilharem.

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Curiosamente, poupando jogadores no meio da semana pela Libertadores Roger percebeu que tinha opções para o jogo deste domingo. O venezuelano Otero foi escolhido para ser titular. Outro que ganhou vaga foi o volante Adilson. Roger mexeu mais no time do que Mano. Fechou o meio que vinha sofrendo com Rafael Carioca e Elias. Contra um time com um setor tão forte como o do Cruzeiro, o técnico acreditou que precisava de mais força. E assim fez.

Elias nunca se caracterizou pela força na marcação, muito mais pela sua chegada à área vindo de trás. Com Adilson, o time ficou mais protegido e Elias passou a fechar o lado direito. Robinho e Fred tiveram uma participação importante no jogo atuando mais próximos um do outro, com mais liberdade.

O primeiro gol saiu justamente desta combinação, com Robinho fazendo uma grande jogada driblando jogadores e passando para Fred. O centroavante cruzou rasteiro para o próprio Robinho finalizar dentro da área e marcar 1 a 0. Eram apenas 12 minutos e a vantagem do Galo, que já podia empatar o jogo, aumentou.

O Cruzeiro ficou na situação de ter que sair para o jogo, mas pouco conseguiu fazer no ataque. A boa marcação do Atlético impedia que os cruzeirenses tivessem liberdade. Por isso, no segundo tempo, o técnico Mano Menezes tornou o time mais ofensivo. Tirou o volante Hudson e levou a campo Ramón Ábila. Foi justamente o camisa 9 que arrancou o empate. Em um cruzamento para a área, o argentino dominou no peito e girou em um voleio espetacular para marcar 1 a 1 no placar.

Era insuficiente para o Cruzeiro, que precisava de mais um gol. O Atlético, claro sabia disso. Usou desse recurso, fruto de ter a melhor campanha na fase de classificação. E com a entrada de Cazares no lugar de Robinho, o Atlético teve mais força no ataque. Em duas jogadas, o equatoriano mostrou qualidade. Na primeira levou perigo, mas na segunda ele deixou Elias em boa situação e o camisa 8 encheu o pé, no canto do goleiro Rafael, para marcar 2 a 1.

O segundo gol do Atlético esfriou o ímpeto do Cruzeiro, que precisava virar para levantar a taça. Era possível, mas pela atuação das equipes, era improvável. O passar dos minutos acabou tornando a missão quase impossível. No final, Rafinha, do Cruzeiro, acabou expulso, assim como Adilson pelo Atlético. Nada, porém, era capaz de impedir a festa atleticana no Horto. Foi o 44º título do clube, maior vencedor do torneio.

O Cruzeiro, apesar da derrota, tem boas perspectivas para o ano. Tem um bom elenco e um bom técnico. Os duelos com o Atlético foram duros e equilibrados. Já tinha mostrado força também contra o São Paulo, na Copa do Brasil. A Raposa tem boas perspectivas para brigar em todas as frentes que disputa. A derrota no estadual para um rival é sempre dolorida, mas não pode apagar o fato do time ter boas perspectivas.

O Atlético, por sua vez, consegue se equilibrar depois de um início de ano que teve muita ofensividade, mas também sofrimento contra equipes organizadas. Com os duelos do Campeonato Mineiro, o time conseguiu evoluir e isso dá boas perspectivas para seus torcedores. O título dá força para que Roger siga trabalhando com um pouco mais de tranquilidade.

Com um bom elenco e um técnico que parece ter entendido os problemas que o time apresentou, o Galo é uma das grandes forças do Campeonato Brasileiro e também na Libertadores.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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