Brasil

As vitórias das pranchetas

Quando o calendário oferece tempo para o treinamento, algumas verdades aparecem. Os bons treinadores – que sabem organizar a equipe, manter o elenco concentrado e se armar contra os adversários – se destacam. Com verdadeiras decisões pela frente no domingo, São Paulo e Palmeiras venceram, também, em razão da preparação de Muricy Ramalho e Vanderlei Luxemburgo.

Exagera-se, um pouco, quando tanto se fala em tantas decisões no Brasileiro de pontos corridos. Em tese, todos os jogos têm o mesmo peso. O que os difere, contudo, é a força da equipe que estará do outro lado e o momento da competição. Não tivesse vencido o Flamengo em casa, provavelmente, o São Paulo jogaria a toalha no campeonato, enquanto o Palmeiras perderia nova chance de encostar no Grêmio e ainda veria o Cruzeiro à sua frente.

Muricy Ramalho sabia da importância do duelo contra o Flamengo e, principalmente, do que uma vitória traria para seu elenco. Não foi à toa que Zé Luís foi ala-direito, pois o carrapato tricolor teria a missão de anular Juan – e o fez. Muricy sabia que o Fla pouco penetra pelo meio e, logo, pôde jogar com os hábeis Jean e Hernanes – este saindo mais – à frente de seu trio de zagueiros.

Conhecedor dos espaços que Léo Moura e Juan abrem em suas costas, Muricy avisou e o São Paulo explorou, com Hugo e Dagoberto, o jogo pelos lados, agudo. Também não foi à toa que os dois gols são-paulinos saíram em jogadas de fundo, pela direita, com a bola atravessando a área flamenguista.

Por mais que não encaixe uma seqüência de jogos convincentes e só tenha se posicionado entre os quatro primeiros em três das 25 rodadas, o São Paulo, através de seu técnico, faz bem em esquecer a diferença de pontos e focar seus objetivos em realizar o máximo possível nas 13 rodadas restantes.

Em jogos-chave, como os dois contra o Flamengo, contra o Palmeiras e até mesmo quando foi batido pelo Grêmio, o tricolor se porta muito bem. Mais uma vez, Muricy teve papel importante para isso.

Três pontos atrás do líder

As dificuldades para montar o ataque, desfalcado de Kléber e Alex Mineiro – suspensos, fez com que Vanderlei Luxemburgo adotasse uma estratégia peculiar para o jogaço contra o Cruzeiro no Mineirão. Para os planos de Luxa pesou, ainda, o fato de a defesa palmeirense ser uma grande peneira desde a saída de Henrique.

Assim, o treinador conhecido por seu arrojo, optou pela retranca contra o Cruzeiro. Plantou três zagueiros, dois volantes e, com Diego Souza quase que como segundo atacante, deixou claro que iria para os contra-ataques com o rápido e pouco eficiente Lenny. Para cada grande defesa de Marcos ou bola afastada pelo jovem Maurício, havia uma tentativa de contragolpe.

O jogo, em suma, foi todo cruzeirense. Em especial pelo segundo tempo e a partir da expulsão infantil de Lenny. A defesa do Palmeiras, pressionada, só oferecia espaços em razão da frouxa marcação de Léo Lima sobre Ramires, ou da natural criatividade celeste. Foi, no Mineirão, uma tarde definitivamente diferente para Luxemburgo.

Ao treinador, o que mais importa é deixar a 25ª rodada com três pontos de diferença para o líder Grêmio e com a hipótese do confronto direto no Parque Antártica para o dia 9 de novembro. O belo gol de Diego Souza no vacilo de Fabrício e na linda bola lançada por Sandro Silva, respaldou o domingo que contou com uma preparação pertinente e vitoriosa de Luxemburgo.

Fluminense e Vasco entre os rebaixados

Não bastasse ter quatro derrotas nos quatro jogos do fim de semana, o Rio de Janeiro ainda terminou a rodada com Vasco e Fluminense dentro da zona de rebaixamento. Pode se imaginar que se trata de uma situação momentânea, mas o campeonato está a apenas 13 rodadas de seu final e nenhuma das equipes deu demonstrações de força suficientes, no Brasileiro, de que pode reverter a situação.

Na Vila Belmiro, o Fluminense se mostrou uma equipe pouco vibrante, nada criativa e completamente dependente do talento de Conca e dos gols de Washington, que cumpria suspensão. Cuca, curiosamente, conseguiu melhorar o desempenho da defesa, que só havia sofrido dois gols sob seu comando no Fla-Flu. A criatividade ofensiva, por sua vez, é baixíssima e se acentua quando longe do Maracanã.

A memória vai querer remeter ao time que quase venceu a Libertadores, mas o Fluminense atual é uma equipe completamente diferente. A vibração parece ter ficado nos pênaltis defendidos por Cevallos e as saídas de Cícero e Thiago Neves colocaram nos ombros de Conca um peso que ele não parece capaz de carregar.

Em São Januário, os gols do Náutico, no fim do jogo, são frutos do desespero que recai sobre os vascaínos. O elenco de Tita é limitadíssimo e a troca de Eurico Miranda por Roberto Dinamite ainda não produziu um ambiente mais tranqüilo para o dia-a-dia. Tenso e naturalmente pressionado, o Vasco se expõe e se torna uma presa ainda mais fácil de ser batida.

Deve ser destacada, negativamente, a influência de Edmundo para a construção desse ambiente. Bem ou mal intencionado, o Animal precisa, urgentemente, ser domado por alguém na Colina. Suas declarações e críticas públicas se tornam diametralmente mais prejudiciais na medida em que seu futebol vai desaparecendo.

A fragilidade que a tabela apresenta a partir do 12º colocado, o Atlético Mineiro, para baixo, é o que pode salvar o Fluminense e o Vasco. Portuguesa e Ipatinga já parecem abatidos, enquanto Figueirense e Atlético-PR têm dificuldades gigantescas e vêm decaindo rumo ao abismo.

Caso Dodô

A ridícula absolvição de Dodô por um tribunal repleto de membros botafoguenses do Superior Tribunal de Justiça Desportiva – como foi anunciado pela Folha de São Paulo à época – enfim foi corrigida. A partir de apelação realizada pela FIFA, contra decisão do STJD, a Corte Arbitral do Esporte puniu o ex-jogador do Botafogo a cumprir dois anos de punição.

Neste momento, seria importante o STJD se pronunciar e explicar os porquês de ter absolvido um caso que claramente era, no mínimo, para ser melhor investigado.

Em um país assolado pelo tráfico e uso de drogas, é difícil de imaginar que o esporte esteja imune a tudo isso. Porém, sempre que algo é identificado em exames, a pressão popular por absolvição do jogador que faz pose de coitadinho é muito forte, bem como os trabalhos de bastidores dos clubes.

A sentença que condena Dodô coincide com uma declaração importante. André Neles, revelado pelo Atlético Mineiro e que um dia já foi o André Balada, assumiu publicamente que fez uso de cocaína enquanto defendeu o Palmeiras. André, aliás, disse que “muita gente do futebol também usa”, e se lembrou de Jardel, outro que confessou o uso de entorpecentes.

Resumos do primeiro turno

Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras, São Paulo e Vitória
http://dassler.blogspot.com/2008/08/anlise-do-primeiro-turno-grmio-cruzeiro.html
Coritiba, Flamengo, Botafogo, Sport e Internacional
http://dassler.blogspot.com/2008/08/anlise-do-primeiro-turno-coritiba.html
Figueirense, Atlético-MG, Goiás, Portuguesa e Náutico
http://dassler.blogspot.com/2008/08/anlise-do-primeiro-turno-figueirense.html
Atlético-PR, Vasco, Santos, Fluminense e Ipatinga
http://dassler.blogspot.com/2008/08/anlise-do-primeiro-turno-atltico-pr.html

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Equipe Trivela

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