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As lágrimas de Gabriel Jesus são as lágrimas de quem sente a chance de escrever a história

Depois do gol, as lágrimas. Um turbilhão de pensamentos certamente passou pela cabeça de Gabriel Jesus. Se o garoto cai nas graças de Tite na Seleção, sua situação no Palmeiras vinha sendo diferente desde o retorno dos Jogos Olímpicos. Alguns palestrinos passaram até torcer o nariz para o xodó. Mas nada que um gol decisivo não ajude a lavar a alma. Com lágrimas. O atacante deu sua contribuição no empate por 1 a 1 contra o Atlético Mineiro, no Estádio Independência. Um ponto a mais para aproximar os alviverdes da taça que não erguem desde 1994.

Não era um jogo fácil. O Galo botava pressão e criava as melhores oportunidades. Mais do que isso, a tensão pesava na atmosfera do Horto e resultou em alguns entreveros envolvendo os jogadores. Gabriel Jesus apareceu antes batendo boca com Leandro Donizete, e recebeu cartão amarelo. Até, aos 25 minutos, conseguir desafogar o Palmeiras. Boa jogada de Dudu, que o artilheiro contou com a sorte para concluir, vencendo Victor. Na comemoração, não segurou a emoção. Era o fim do jejum. Era um de seus últimos gols pelo clube. Era o título se tornando cada vez mais palpável.

“Fico muito contente por fazer o gol. Até me emocionei ali. Com 19 anos, sei que é normal a cobrança que tenho. Às vezes as pessoas acham que não quero fazer gol. Todo atacante tem seus momentos ruins. Sei que não estou bem no jogo, poderia render mais, mas fico feliz”, declarou Gabriel, na saída para o intervalo. O artilheiro palmeirense não anotava um gol pelo clube desde o empate contra o Flamengo em setembro, o seu único desde que voltou das Olimpíadas. Enquanto isso, havia balançado as redes cinco vezes em seis aparições pela seleção principal.

Não seria, porém, uma noite de tranquilidade para o Palmeiras. O Atlético continuava pressionando bastante no ataque e só não terminou o primeiro tempo com o empate porque Jaílson evitou. A grande arma do Galo, de qualquer maneira, estava no banco. E bastou um toque na bola para Lucas Pratto deixar tudo igual, aos 13 do segundo tempo. O argentino saiu do banco e, depois de cruzamento de Robinho com total liberdade, finalizou com classe para vencer o goleiro palmeirense.

A intensidade, aos poucos, começou a pesar sobre o físico das equipes. O equilíbrio aumentou, com o jogo mais pensado do que corrido. Assim, as chances também diminuíram. Mas o Palmeiras terminou a noite com o grito entalado na garganta, depois que Victor apareceu para evitar o gol de Jean, já nos instantes finais. Prevaleceu o empate que, no fim das contas, não deixa de ser satisfatório ao time de Cuca.

Restando três rodadas, o Palmeiras soma quatro pontos de vantagem para o Santos. A diferença diminuiu, mas não a ponto de abalar a confiança dos alviverdes. Afinal, os dois próximos compromissos acontecem no Allianz Parque. E se a torcida já realizou uma festa espetacular ao invadir o aeroporto na despedida da viagem para Belo Horizonte, agora poderá tomar as ruas de São Paulo. Gabriel Jesus provavelmente vai verter mais lágrimas em seus últimos jogos pelo clube. A chance de fazer história está em seus pés e dos outros palestrinos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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