O Santos definiu quem será o seu próximo técnico: Ariel Holan, de 60 anos, será o comandante do time da Vila Belmiro, depois de ter assinado contrato até o fim de 2023. O argentino substitui o atual técnico, Cuca, que levou o time à final da Libertadores enfrentando muitas dificuldades, o que revitalizou a sua carreira. A contratação faz sentido para o alvinegro praiano, já que o novo treinador tem um histórico de times ofensivos e que trabalham bem a bola. Como método, é diferente de Cuca, claro, mas tem uma mentalidade que parece se encaixar no clube da baixada e que é exigido de todos que assumem o cargo.

Técnico da de hóquei sobre grama, foi campeão pan-americano em 2003, em Santo Domingo, conquistando a medalha de ouro na modalidade. No futebol, sua trajetória começou trabalhando como analista de desempenho, antes de se tornar auxiliar técnico. Levou uma visão de treinamento diferente para o futebol, o que era tratado como exótico por uns e inovador por outros.

O técnico é elogiado por um estilo de jogo de muita energia, habitualmente trabalhando em um esquema 4-3-3, com liberdade aos atacantes, mas exigindo que os jogadores se dediquem muito à recuperar a bola. Quando tem a posse, os melhores momentos dos times de Holan tiveram muita velocidade para definir o lance. Uma intensidade que é sempre difícil de ser aplicada a longo prazo. Em alguns momentos, ele precisou adaptar para um time de posse de bola e mais paciência, mas nem sempre teve sucesso.

Um dos pontos mais críticos no trabalho de Holan é que ele exige uma participação e independência grande em relação a transferências. Considerando que o Santos tem um orçamento limitado pelas , pode se tornar um problema. De qualquer forma, ele trabalhou em clubes sem tantos recursos, como o Defensa y Justicia e também um gigante em crise, o Independiente, e conseguiu ter sucesso – no caso dos Rojos, ao menos por um tempo.

No trabalho na Universidad Catolica, também trabalhou com recursos mais limitados em termos sul-americanos, ainda que grandes dentro do mercado nacional. Resta saber o que o Santos prometeu a ele e como pretende colaborar para o técnico ter o time que acredita ser o melhor. A fala do presidente do Santos, Andres Rueda, dá um indício sobre isso: “Um profissional que usa a base, joga ofensivamente e que se adequou à questão financeira do clube”.

Nas primeiras palavras pelo novo clube, Holan pareceu entender o que se espera dele, a questão do estilo e o tão falado DNA santista de futebol ofensivo e uso das categorias de base. “Estou muito feliz em dirigir o Santos, um clube com tantos craques como e Neymar. Será um desafio participar de uma das ligas mais equilibradas do Mundo, mas confio plenamente que vamos entregar um bom resultado para a torcida com mentalidade ofensiva e que os jogadores mais novos sejam aproveitados com os mais experientes. Sei que é uma responsabilidade muito grande, mas estou animado”, declarou o treinador.

O argentino ainda disse que quer aprender português e prometeu melhorar seu desempenho no idioma. “Fica minha promessa que vou terminar falando bem o português”. Vale lembrar que o técnico não assume o time para esta última rodada, que terá como técnico interino o auxiliar permanente do clube, Marcelo Fernandes. Holan assume logo depois do término do Campeonato Brasileiro para iniciar a temporada no Campeonato Paulista.

Histórico de trabalhos de Ariel Holan

Holan estava na Universidad Catolica, onde conquistou o título do Campeonato Chileno de 2020. O título foi conquistado no dia 10 de fevereiro, ratificando assim o seu tricampeonato nacional. O título chileno foi o terceiro do treinador. Antes, ele tinha conquistado dois títulos pelo Independiente: a Copa Sul-Americana de 2017, naquela contra o Flamengo, e a Copa Suruga Bank, consequência da primeira conquista. Contratado pelo clube chileno no início de 2020, também conduziu a equipe às quartas de final da Sul-Americana, mas foi eliminado pelo Vélez.

O Santos será apenas o quarto clube na carreira de Ariel Holan. Em grande parte da sua carreira, o treinador trabalhou como assistente. Trabalhou com o campeão do mundo Jorge Burruchaga e foi assistente de Arsenal de Sarandí, , Independiente, e de volta ao Arsenal. Depois, assumiu os times de base do Argentinos Juniors em 2011.

Voltou a ser assistente técnico pouco depois, naquele mesmo ano de 2011, tornou-se assistente de Matías Almeyda no River Plate, sendo parte da comissão técnica do time que levou os Millonarios de volta à primeira divisão. Foi assistente de Almeyda também no Banfield até 2015.

Foi nos primeiros trabalhos como assistente que Holan chamou a atenção, ainda lá em 2003. Ele começou a trabalhar com drones e GPS, algo que se tornaria comum anos depois, mas não era feito na Argentina. Seu primeiro trabalho como técnico principal veio apenas em 2015, quando foi chamado para comandar o Defensa y Justicia. Sim, esse mesmo clube campeão da Sul-Americana neste início de 2021, ainda relativo à temporada 2020. Holan foi um dos técnicos que iniciou a trajetória do clube em criar uma identidade de bom futebol, mas sempre com jogadores modestos.

O desempenho do time foi elogiado e ele conseguiu algo histórico: foi o primeiro a conseguir classificar o time para uma competição continental, no caso, a Sul-Americana. O futebol do time não era de posse de bola, mas tinha uma transição ofensiva muito veloz e atacava de forma muito organizada, envolvendo o adversário aproveitando brechas oferecidas. O seu time era cheio de energia: trabalhava muito para recuperar a bola rápida e, uma vez conseguido isso, atacava com voracidade. A classificação ao torneio sul-americano foi uma conquista e tanto para um time que tinha o objetivo de não cair novamente.

O excelente desempenho o faria ganhar o convite de um grande time argentino, o Independiente. O treinador promoveu uma reformulação no elenco e apostando em um jovem: Ezequiel Barco, então com 16 anos, que se tornaria um badalado jogador do time em 2017. Na temporada anterior à chegada de Holan, o time tinha ficado no meio da tabela; com ele, brigou nas primeiras posições, mas acabou perdendo a vaga na Libertadores. A conquista da Sul-Americana, naquele fim de 2017, foi o ponto alto do trabalho do técnico.

O ano de 2018 foi turbulento para Holan e o Independiente. Já em janeiro houve um desentendimento que levou o técnico a se demitir, mas poucos dias depois voltou atrás e assinou por três anos com o clube. Depois, as saídas de jogadores que deixaram o clube atirando contra o técnico, como Erviti, Amorebieta e Gigliotti. Antes, jogadores como Victor Cuesta também criticaram o treinador – este último negociado depois de não entrar nos planos do treinador quando ele assumiu.

Os problemas aumentaram, com o time sendo eliminado nas quartas de final da Libertadores e uma queda de rendimento que levou o time a sequer se classificar para a próxima edição da principal competição sul-americana. Com o time em sétimo na tabela, Holan foi demitido em maio de 2019.

Na sua melhor fase no Independiente, o time tinha um estilo que ele consagrou no Defensa y Justicia: muito veloz, com transições rápidas, tanto da defesa para o ataque quanto também defendendo, do ataque para a defesa. Aos poucos, a mudança de estilo para um time mais paciente, trabalhando com posse de bola e com mais paciência, não agradou. Os resultados não vieram, os problemas aumentaram e isso acabou pesando na sua saída.

O Santos será um desafio importante em vários aspectos, inclusive no calendário. O Brasil é um país com um excesso de jogos que vai além até de calendários desorganizados por todo o continente. Há o campeonato estadual, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Libertadores e problemas como não respeitar a data Fifa. Há ainda a adaptação ao novo país como um todo, o que pode ser complicado. Como ideia, a contratação de Holan parece fazer sentido para o Santos. Resta saber como será a prática.

Veja a primeira entrevista de Ariel Holan como técnico do Santos: