Brasil

Apresentação da Série A – parte 2

A bola já rolou no Campeonato Brasileiro e a Trivela vem em cima da pinta. Desta vez, trazemos a segunda parte da apresentação dos 20 clubes que brigam pelo título. Ou não. Afinal, nesta metade dos resumos, estão as equipes que devem ter cuidados mais sensíveis com a parte baixa da tabela. Imaginar que um passado de glórias pode determinar os objetivos é, muitas vezes, o primeiro passo para a degola.

Atlético-MG

Técnico: Celso Roth
Principal jogador: Diego Tardelli
Candidato a revelação: Chiquinho (meia)
Quem pode sair: Leandro Almeida, Renan Oliveira, Diego Tardelli e Éder Luís
Classificação em 2008: 12º
Competições em 2009: vice-campeão mineiro; caiu nas oitavas da Copa do Brasil
Artilheiro em 2009: Diego Tardelli – 20 gols
Objetivo: vaga na Sulamericana
Time-base: Juninho; Werley, Welton Felipe e Leandro Almeida; Élder Granja, Márcio Araújo (Carlos Alberto), Renan e Júnior; Fabiano (Renan Oliveira); Éder Luís e Diego Tardelli

Pode um clube que perdeu três jogos no ano viver em crise? Se você acha que não, então não conhece o modo como as coisas funcionam para o Atlético Mineiro. Até porque uma dessas derrotas significou a eliminação na Copa do Brasil e as outras duas foram diante do rival Cruzeiro, e de forma muito dolorosa. A compreensão ao trabalho de Emerson Leão durou pouco e o presidente Alexandre Kalil, sempre destemperado, não agüentou ver Celso Roth disponível no mercado para fazer a troca no comando.

Com Roth, é possível imaginar uma campanha média, ao menos, para o Galo. Contestado, o treinador conseguiu milagres recentes na Série A, como com o próprio Atlético em 2003 – é ele quem tem o melhor aproveitamento do clube no torneio em pontos corridos -, além de Vasco, Botafogo e mais recentemente Grêmio. O time tem dificuldades, mas com um pouco de consciência pode dar um ano de menos terror para a maravilhosa nação atleticana.

Goiás

Técnico: Hélio dos Anjos
Principal jogador: Felipe
Candidato a revelação: Tolói (zagueiro)
Quem pode sair: Ernando, Vítor e Júlio César
Classificação em 2008:
Competições em 2009: Caiu nas oitavas da Copa do Brasil; campeão goiano
Artilheiro em 2009: Felipe – 19 gols
Objetivo: vaga na Sulamericana
Time-base: Harlei; Leandro Euzébio, Tolói e Ernando; Vítor, Éverton, Ramalho e Júlio César; Eduardo Ramos (Zé Carlos); Felipe e Iarley

Ao contrário da maioria dos últimos anos, o Goiás chega ao Brasileiro com um time pronto e capaz de ser bom desde as primeiras rodadas. Hélio dos Anjos conhece a Serrinha como a palma de sua mão e conduz um bom trabalho desde o primeiro turno de 2008, quando tirou o time da rabeira e levou até a Sulamericana.

Em uma projeção de crescimento, é possível imaginar que os esmeraldinos queiram subir degraus na tabela, mas uma campanha tão boa quanto no último ano já estaria a contento. A zaga tem ótimos componentes e deteve os melhores índices do país nos primeiros meses do ano. Na frente, a receita segue sendo a boa exploração dos alas Vítor e especialmente Júlio César, nomes mais perigosos ao lado dos eficazes Felipe e Iarley, que neste ano tem um companheiro à sua altura: o ex-Náutico já tem 20 gols em 2009.

Coritiba

Técnico: René Simões
Principal jogador: Marcelinho Paraíba
Candidato a revelação: Felipe (zagueiro)
Quem pode sair: Vanderlei, Felipe, Márcio Gabriel, Rodrigo Mancha e Marlos
Classificação em 2008:
Competições em 2009: terceiro no paranaense; disputa as quartas da Copa do Brasil
Artilheiro em 2009: Marcelinho Paraíba – 12 gols
Objetivo: vaga na Sulamericana
Time-base: Vanderlei; Cleiton, Pereira e Felipe; Márcio Gabriel, Leandro Donizete, Pedro Ken e Carlinhos Paraíba; Marcelinho Paraíba; Ariel e Marcos Aurélio

Depois de um início de temporada muito opaco com Ivo Wortmann, o Coritiba foi buscar o queridinho da torcida, René Simões, para tentar ajeitar a casa. Em ano de centenário, o Coxa perdeu o estadual para o Atlético-PR, mas tem boas chances de ficar entre os quatro da Copa do Brasil – ainda que o título seja bem difícil.

De qualquer forma, o Coritiba tem elenco suficiente para uma campanha no mesmo nível de 2008, quando ameaçou brigar por Libertadores em um ou outro momento. Órfão dos gols de Keirrison, os torcedores coxa-brancas tem agora em Marcelinho Paraíba um componente interessante para o setor ofensivo, além de uma equipe suficientemente forte para medir forças com vários dos clubes da Série A.

Atlético-PR

Técnico: Geninho
Principal jogador: Rafael Moura
Candidato a revelação: Raul (lateral-direito)
Quem pode sair: Rhodolfo, Chico, Raul, Netinho, Wallyson e Rafael Moura
Classificação em 2008: 13º
Competições em 2009: Caiu nas oitavas da Copa do Brasil; campeão paranaense
Artilheiro em 2009: Rafael Moura – 17 gols
Objetivo: vaga na Sulamericana
Time-base: Galatto; Rhodolfo, Antônio Carlos e Chico; Raul, Jairo, Valencia e Márcio Azevedo; Marcinho; Wallyson e Rafael Moura

A triste campanha de 2008, quando lutou contra o rebaixamento, abriu os olhos do Atlético Paranaense, que desde então mantém Geninho, bastante querido da torcida, no comando da equipe. No papel, porém, foram poucos avanços na formação do elenco, refém dos gols de Rafael Moura e do forte e entrosado sistema defensivo, ainda que Galatto não convença nos tempos recentes.

Para o Atlético, saber das próprias limitações e somar o máximo de pontos na Arena da Baixada é uma receita para um campeonato seguro, já que sonhar com grandes objetivos não é permitido. Caso jovens como Raul, Renan, Fransérgio e Wallyson cresçam bastante, é possível ter uma campanha melhor, já que a direção anunciou que os recursos para transferências serão praticamente zero em 2009.

Vitória

Técnico: Paulo César Carpegiani
Principal jogador: Neto Baiano
Candidato a revelação: Victor Ramos (zagueiro)
Quem pode sair: Anderson Martins, Wallace, Bida e Neto Baiano
Classificação em 2008: 10º
Competições em 2009: disputa quartas da Copa do Brasil; campeão baiano
Artilheiro em 2009: Neto Baiano – 20 gols
Objetivo: vaga na Sulamericana
Time-base: Viáfara; Apodi, Anderson Martins, Thiago Gomes (Wallace) e Luciano Almeida; Vanderson, Carlos Alberto (Uellinton) e Bida; Jackson e Ramon; Neto Baiano

A perda de Vágner Mancini no início do ano foi bastante sentida e fez com que o Vitória mudasse radicalmente a sua forma de jogar. Com Mauro Fernandes as coisas não funcionaram e foi preciso buscar um nome do gabarito de Carpegiani para arrumar a casa. Ainda assim, o Leão da Barra não parece forte como em 2008, quando bateu de frente com os grandes graças ao trio Willians, Dinei e, principalmente, Marquinhos.

Hoje, as referências do Vitória suscitam dúvidas: Apodi fracassou em dois clubes grandes, Bida e Carlos Alberto são jogadores problemáticos, Ramon e Jackson tem idades avançadas e Neto Baiano nunca fez tantos gols contra adversários de primeira linha. Em outras palavras, Carpegiani precisará dar confiança e corpo a um grupo de jogadores apenas medianos.

Náutico

Técnico: Waldemar Lemos
Principal jogador: Gilmar
Candidato a revelação: Anderson Lessa (atacante)
Quem pode sair: Gladstone, Derley, Johnny e Gilmar
Classificação em 2008: 16º
Competições em 2009: vice-campeão pernambucano; caiu nas oitavas da Copa do Brasil
Artilheiro em 2009: Gilmar – 20 gols
Objetivo: escapar do rebaixamento
Time-base: Eduardo; Sidny, Vágner, Gladstone e Asprilla; Galiardo, Derley e Johnny; Carlinhos Bala; Gilmar e Adriano Magrão (Anderson Lessa)

Três anos consecutivos na elite nacional é uma grande vitória para o Náutico. Porém, o Timbu não conseguiu construir uma estrutura suficientemente sólida para ter participações mais seguras na Série A. Mais uma vez, o clube chega ao Brasileiro com o objetivo de fugir do rebaixamento e com um elenco bastante deficitário. Falta, acima de tudo, planejamento: só em 2009, foram 35 jogadores testados.

Não fosse a grande forma de Gilmar e as coisas poderiam estar piores para o Náutico. Com 20 gols em 2009, o atacante vem salvando o time de diversas situações difíceis, combinando garra, técnica e oportunismo. A aposta em jogadores caros como Somália, Asprilla, Carlinhos, Adriano Magrão, Gladstone e Carlinhos Bala não tem vingado e é difícil não prever outro ano entre os últimos.

Avaí

Técnico: Silas
Principal jogador: Marquinhos
Candidato a revelação: Medina (lateral/meia)
Quem pode sair: Medina e Uendel
Classificação em 2008: terceiro da Série B
Competições em 2009: não disputou Copa do Brasil; campeão catarinense
Artilheiro em 2009: Evando – 10 gols
Objetivo: escapar do rebaixamento
Time-base: Eduardo Martini; Medina, Émerson, Turatto e Uendel; Marcus Vinícius e Léo Gago; Marquinhos e Odair (Caio); Lima (Luís Ricardo) (Muriqui) e Evando

Depois de muitos anos batendo na trave, o Avaí volta para a primeira divisão e tem suas referências no elenco: Eduardo Martini, Marquinhos e Evandro, por exemplo, são jogadores identificados com as cores do clube, o que é sempre importante. Contudo, a não ser que atuem acima de suas capacidades, possuem nível abaixo do que a Série A exige, o que pode ser um problema.

A estabilidade do trabalho de Silas e os ótimos números na Ressacada – oito vitórias, cinco empates e só uma derrota em 2009 – são armas para o Avaí emplacar dois anos na elite. Após o título estadual, a direção e o parceiro trouxeram um ou outro bom jogador, fundamental para tentar medir forças contra os quais o Avaí não está acostumado. Ainda assim, parece um time limitado.

Santo André

Técnico: Sérgio Guedes
Principal jogador: Neneca
Candidato a revelação: Antônio Flávio (atacante)
Quem pode sair: Cicinho, Ricardo Goulart, Antônio Flávio e Júnior Dutra
Classificação em 2008: vice na Série B
Competições em 2009: 6º colocado no Paulista; não jogou a Copa do Brasil
Artilheiro em 2009: Escobar – 7 gols
Objetivo: escapar do rebaixamento
Time-base: Neneca; Cicinho, Cesinha, Marcel e Gustavo Nery; Fernando e Ricardo Conceição; Antônio Flávio, Marcelinho Carioca e Escobar; Nunes

No limite entre as Séries A e B. Essa é a sensação que passa o Santo André, que tem um time muito interessante para seus padrões, mas que terá trabalho contra adversários mais fortes. No entanto, a direção andreense vem trabalhando bem: contratou o ótimo Sérgio Guedes, apresentou bons nomes das categorias de base e após um Paulista muito razoável, melhorou o elenco dentro de suas possibilidades.

Caso Sérgio Guedes consiga manter seus titulares em campo na maior parte do campeonato, o Santo André ganha em combinação de juventude e experiência, mas os problemas podem exigir força de um elenco que o Santo André não tem. Além disso, o fato de mandar jogos fora do Bruno José Daniel é outro agravante: para uma equipe limitada, somar pontos em casa é indispensável e o time de Marcelinho Carioca deve atuar longe do ABC para encher os cofres.

Barueri

Técnico: Estevam Soares
Principal jogador: Pedrão
Candidato a revelação: Fernando
Quem pode sair: Pedrão
Classificação em 2008: 4º da Série B
Competições em 2009: oitavo colocado no Paulista; não jogou a Copa do Brasil
Artilheiro em 2009: Pedrão – 17 gols
Objetivo: escapar do rebaixamento
Time-base: Renê; Marcos Pimentel (Éder), Daniel Marques, André Luís e Márcio Careca; Ralph e Leanderson; Éwerton, Thiago Humberto e Fernandinho; Pedrão

Em sete anos de vida, o Barueri é o único dos ascendentes que disputa a Série A pela primeira vez. Para fugir da degola, a direção buscou formar um elenco experiente e bastante amplo e coeso. Falta, porém, brilhos individuais capazes de resolver partidas. Uma possível saída de Pedrão pode piorar as coisas, já que o centroavante anotou 17 dos 39 gols da equipe na temporada.

Pela oitava posição no Paulista, dá para cravar no Barueri um possível candidato à lanterna, já que poucos nomes de qualidade chegaram desde então ao elenco de Estevam Soares. O treinador terá muito trabalho para manter a Abelha entre os melhores do país, sobretudo em um Brasileiro dos mais duros da década.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo