Brasil

Apagão no Superbowl. Se fosse aqui, os “vira-latas” comemorariam

Houve um apagão de 30 minutos durante o Superbowl, o maior evento esportivo dos Estados Unidos. Imagino se fosse aqui, na decisão do campeonato brasileiro, tão importante para nós como o futebol americano para eles. Os brasileiros com alma de vira-lata, imortalizados pelo genial Nelson Rodrigues entrariam em polvorosa.

“Esse é o país da Copa” e “Imagina na Copa” seriam as frases mais ouvidas. Para eles, qualquer erro aqui é a prova inconteste da tese que eles carregam desde o nascimento – talvez por influência materna nas conversas no playground ou na escolinha de futebol – de que o Brasil não pode sediar uma competição de grande porte.

O Brasil, não. Países de terceiro mundo. Copa, Olimpíada, tudo deve ser na Europa ou nos Estados Unidos. Se um dia, o Brasileiro foi decidido em Miami, eles brindarão, orgulhosos. 

Não interessa como as coisas estão andando. Não interessa se dois estádios já foram inaugurados, o que importa é sempre achar tudo errado. O Castelão está pronto? Ah, mas depois da Copa, vai ter pouca gente para ver Ferroviário x Alecrim? O Mineirão voltou a funcionar com o grande clássico mineiro? Ah, mas alagou no dia anterior.

Quando a Copa foi anunciada no Brasil, ouvi muitas críticas imediatas. A mais sincera foi de um amigo jornalista dizendo que na Europa, a diária é em euro e nos Estados Unidos, em dólar. Aqui, em real, o que tornaria, para ele, uma cobertura internacional muito mais interessante.

A queda de energia do Superbowl derrota a tese de que lá é tudo certo. Não digo que aqui está tudo às mil maravilhas, mas tenho certeza que a Copa será um sucesso. Os estádios estarão prontos, os visitantes serão bem recebidos, o Brasil passará uma imagem de país de primeiro mundo e nossas políticas de assistência social serão ainda mais conhecidas.

Mas, é sempre bom criticar. Nossos taxistas não falam inglês. Ora, os taxistas de Seul e Tóquio também não e eu não perdi nenhum jogo. Ah, você foi na Copa de 1994? Eu fui e digo a você que a final, em Los Angeles, foi em um estádio adaptado em que eu e muitos outros jornalistas nos sentamos em um bancos de madeira. Como aqueles dos velhos circos do interior.

Os ônibus de jornalistas atrasavam – e muito – na Alemanha de 2006. Havia dificuldades de locomoção na Vila Olímpica de Londres, há problemas no mundo todo. Tem corrupção no Brasil. Tem, de monte. Mas tem monarquia na Inglaterra, existe algo mais irracional que isso?

Então, a turma do “imagina na Copa” pode ter certeza que só dois perigos em 2014. 

1) Os turistas não voltarem. Jornalistas croatas, ao lado de uma linda brasileira, telefonarão para suas esposas e dirão: “querida, não vai faltar nada para você e para as crianças. Mas, voltar eu não volto não. O Rio é bonito demais”.

2) Quem cobrir a Copa no Rio voltar com a impressão que todos os brasileiros comem pizza com ketchup”.

Isso, sim é imperdoável. O resto, a gente encara. Com muito mais competência do que quem fez esse Superbowl do apagão. Com mais competência e com menos críticas da turma vira lata.

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