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Apagão, confusão, muitas chances e 121 minutos de clássico: O Nordestão teve um Ba-Vi daqueles

As semifinais da Copa do Nordeste não poderiam ser melhores: dois clássicos, os principais de Bahia e Pernambuco. E a sequência de quatro jogos imperdíveis já começou incendiária nesta quinta. O primeiro Ba-Vi, no Barradão, teve de tudo: boas chances, bolas na trave, pegada, confusão, apagão, virada no placar. Melhor para o Vitória, que saiu em vantagem com o triunfo por 2 a 1, embora o Bahia fique na bronca com as decisões da arbitragem em dois lances capitais. Promessa de outro encontro ensandecido na Fonte Nova, marcado já para o próximo domingo. Na outra chave, Sport e Santa Cruz iniciam o embate no sábado.

Diante do empolgado Barradão, com 13,6 mil presentes mesmo sob forte chuva, o Bahia precisou de quatro minutos para frustrar os anfitriões. Após cobrança de escanteio, Edson completou para as redes. Já aos 18 minutos, a primeira confusão. Hernane Brocador se lesionou, sob a suspeita de fratura na perna, e precisou sair. Gustavo foi o substituto do centroavante e, com segundos em campo, já se estranhou em um lance na beira do gramado. Kanu soltou o pé, mas o tricolor deixou o braço, o que pesou mais para o árbitro, que mostrou o vermelho direto. Então, fez-se a bagunça, com muito empurra-empurra e discussão. Bahia com dez.

Depois de alguns minutos de paralisação, o clássico foi retomado em alta voltagem. As chances começaram a pipocar para os dois lados. Aos 38, o Vitória fez jus a sua vantagem numérica e empatou. Jean saiu mal do gol e Euller aproveitou para encobrir o goleiro. A partir de então, os dois times martelaram em busca do segundo tento antes do intervalo. Os dois goleiros trabalharam, assim como as duas traves impediram a bola de entrar. Os foguetes de William Farias e Allione acabaram explodindo nos travessões.

A etapa inicial terminou com 50 minutos. E, acredite, teve rolo até mesmo no intervalo. Primeiro, na saída aos vestiários, jogadores de ambos os times se estranharam, com Willian Farias exaltado. Depois, enquanto o Vitória realizava uma ação promocional com seus torcedores, o goleiro Jean entrou em campo para se aquecer e cortou o barato. Mais bate-boca e muitas vaias para o arqueiro tricolor. Já aos seis minutos do segundo tempo, a virada dos rubro-negros se consumou. Em sequência de escanteios, André Lima apareceu na área para arrematar. Os visitantes, contudo, reclamaram bastante de uma falta durante a jogada. Não adiantou.

As chances de gol minguaram, embora a tensão permanecesse. O Vitória tentava controlar mais a posse de bola, mas ainda assim havia espaço para o Bahia ter iniciativa. E, aos 40 minutos, o clássico esfriou quando parte dos refletores do Barradão se apagaram. Os jogadores precisaram esperar cerca de 20 minutos para que o duelo fosse retomado. No trecho final, quase os rubro-negros anotaram o terceiro, em chutaço de William Farías que Jean desviou com a ponta dos dedos. Aos 71 minutos, soou o apito.

Pelos ânimos esquentados desta quinta, não dá para esperar uma postura centrada no reencontro do domingo. O Bahia terá a torcida toda a seu favor na Fonte Nova, que promete se transformar em um enorme caldeirão. Vão precisar botar pressão para reverter a vantagem do Vitória. Que os dois times repitam a intensidade do final do primeiro tempo, o clássico já valera bastante.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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