Brasil

Ao Parque Antarctica, pelo tri

Ser tricampeão é praticamente um título de nobreza do futebol. Que o diga o Flamengo, da célebre vitória sobre o Vasco, em 2001, com gol de Petkovic. Entre os grandes paulistas, o feito é motivo de festa para palmeirenses, e lamento para são-paulinos. Em três das quatro vezes em que os tricolores fariam a festa tri no Paulistão, foram os alviverdes que ergueram o caneco. Impedir que isso se repita é a missão dos homens de Muricy Ramalho, no próximo domingo, no Parque Antarctica.

Se nos dois últimos anos o São Paulo se caracterizou por arrancadas a partir da saída da Libertadores, a atual campanha tem seus peculiaridades. O atual bicampeão se manteve, sempre, em uma distância média para os primeiros. Só ficou entre os quatro primeiros em uma quadra de rodadas, e nunca passou além da quarta posição. Exibe, ainda, um futebol sem brilhos, cujo próprio treinador só se importa com a competitividade. E mesmo assim causa calafrios em adversários e cresce nos jogos decisivos – venceu Flamengo e Cruzeiro nos últimos duelos, por exemplo.

A vitória no clássico, para os são-paulinos, seria sinônimo de deixar o rival que pensa em título para trás, a oito rodadas do fim. Não espere uma partida vistosa dos tricolores, mas apostar em uma vitória palmeirense com facilidade é rasgar dinheiro.

Ao Palmeiras, o confronto tem sabor de afirmação, como foi no Campeonato Paulista. Vencer o maior rival, e é isso que o São Paulo tem sido nos últimos anos, significa assumir a condição de real postulante ao título, por mais que o jogo contra o Grêmio, em novembro, tenha um caráter maior de decisão. Bater os gremistas significa crescer na tabela, mas esmagar os são-paulinos seria o peso moral que Luxemburgo gosta de ter nos momentos de decisão.

Fora de campo, porém, os interesses em comum têm feito com que ambas as diretorias trabalhem de maneira árdua para dissipar qualquer animosidade. Se Toninho Cecílio e Marco Aurélio Cunha são dois “sangues quentes”, João Paulo de Jesus Lopes e Luiz Gonzaga Belluzzo foram escalados como diplomatas, e os objetivos, especialmente sobre Copa do Mundo, falaram mais alto.

A capital paulista espera ter jogos em dois estádios diferentes na Copa de 2014. E imagine em quais? A moderna arena palmeirense, candidata a receber a Itália, e o Morumbi, cotado para a abertura do Mundial materializam a aliança que ainda foi costurada pelos interesses em comum com relação às cotas de televisão, mudanças em calendário e etc.

As semelhanças e a forte rivalidade entre os dois clubes fazem o clássico mais decisivo da próxima rodada, com o perdão para Flamengo-Vasco, Cruzeiro-Atlético e Sport-Náutico. Palmeiras e São Paulo, no domingo, é digno de muita atenção.

Vitória e Coritiba: paixões de verão

O Campeonato Brasileiro tinha duas sensações, mas não tem mais. Não que Coritiba e Vitória tenham se transformado em decepções, afinal se manter na metade alta da tabela já significa uma grande temporada para quem veio da Série B. A questão é que a dupla já pode dar adeus para o sonho remoto de Libertadores no ano que vem – e já se deu conta disso.

Vitória e Coritiba, como paixões de verão, porém, ficarão marcadas como as equipes mais surpreendentes da atual edição da Série A. Existem, inclusive, semelhanças muito fortes entre ambos. Ao contrário de Portuguesa e Ipatinga, que também vieram da Série B, tratam-se de clubes bem estruturados, com projetos sólidos e um planejamento mais inteligente para o futebol.

Os dois times, aliás, são comandados dentro de campo por dois candidatos a craque de seleção em um futuro próximo. Marquinhos, que é meia de origem e atua pelo lado esquerdo do ataque baiano, tem uma surpreendente vocação para o improviso quando se vê em situações embaraçosas. Detém habilidade, faro para o gol e cada vez mais força física. Keirrison é o tipo de centroavante que não surge todos os dias: chuta com as duas pernas, cabeceia, cobra faltas e não limita seu repertório de gols.

Vágner Mancini e Dorival Júnior são considerados nomes talentosos de uma geração que ganha espaço no cenário dos clubes de primeira divisão. Após passagens satisfatórias por Grêmio e Cruzeiro, respectivamente, avançaram em suas carreiras com as campanhas à frente de Vitória e Coritiba.

A parte tática das duas equipes, aliás, também reserva muitas semelhanças. O Vitória de Mancini é o espelho da França, vice-campeã mundial há dois anos, como gosta de comparar o técnico quando fala de seu 4-2-3-1. O Coritiba atua de maneira parecida, e que vem trazendo problemas para os adversários. A diferença mais perceptível é o recuo de Rodrigo Mancha para a linha de zaga, algo circunstancial, para dar liberdade aos laterais, transformando o desenho em um 3-3-3-1. Nos jogos recentes, ganhou espaço o robusto centroavante argentino Ariel, alterando esse sistema para um formato que dá mais campo de ação para Keirrison, o craque do time.

Boas heranças, mas campanhas provavelmente estagnadas pelo arranque dos cinco primeiros colocados nas últimas rodadas. Vitória e Coritiba são paixões de verão, passageiras, todavia de mensurável valor.

Rio Branco-AC patina no octogonal final

Será jogada, nesta quinta-feira, a quarta rodada do octogonal final que define os quatro classificados para a Série B de 2009. Se é que possível traçar prognósticos, já que serão jogadas 14 rodadas, a afirmação mais segura no momento é a de que o Rio Branco, do Acre, terá uma missão hercúlea se quiser retornar à divisão na qual não atua desde 1991. O clube é o lanterna, empatou um jogo e perdeu dois.

O primeiro grande obstáculo para o Estrelão, indiscutivelmente, são as viagens. Entre o jogo em casa, nesta quinta à noite, contra o Águia de Marabá, e o de domingo, em Campinas, diante do Guarani, o Rio Branco precisará se desdobrar para somar pontos em um intervalo inferior a 72 horas. Na quarta seguinte, inclusive, já recebe, novamente na Arena da Floresta, o Atlético-GO – uma baita maratona.

Para dificultar mais a vida da equipe dirigida por Pedrinho Rocha, a diferença técnica entre os adversários que o Rio Branco enfrentou até aqui, nas fases regionais da Série C, é incomparável ao do concorrido octogonal final. Os adversários do time acreano já foram: Fast, Luverdense, Holanda e Remo.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo