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Andressa Alves, da Seleção: “Arrepia pensar em jogar no Maracanã lotado”

A seleção brasileira chega à semifinal do futebol feminino nos Jogos Olímpicos do Rio com muita esperança. O time já foi prata duas vezes. Sem Estados Unidos, eliminadas nas quartas de final, o time tem chances de um ouro inédito com a Suécia como adversária na semifinal e uma potencial final com Alemanha ou Canadá. Andressa Alves, um dos destaques do Brasil, falou sobre como ela preferia brincar com a bola do que com bonecas na infância e sobre da empolgação de jogar em um Maracanã lotado, como será nesta terça-feira, contra a Suécia.

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Quando ainda era criança, Andressa não gostava de bonecas. Mais do que isso: arrancava as cabeças das bonecas para jogar futebol. Não gostava nem de brincar com elas, nem de vesti-las. Ela conta que o seu brinquedo favorito sempre foi outro. “A bola. Eu estava sempre com a bola quando eu era criança. Eu nunca quis nada mais, só a bola”, disse a camisa 9 do Brasil, em entrevista ao site da Fifa.

A menina que arrancava as cabeças das bonecas agora tem pela frente uma semifinal de Olimpíada pela frente. E logo em um estádio tão marcante para a história do futebol e dos brasileiros. “Eu nunca sonhei com isso. Eu nunca pensei que eu poderia jogar no Maracanã”, contou a meia-atacante. “Será um momento fantástico e eu não acho que serei capaz de traduzir em palavras. O Maracanã é o símbolo do futebol brasileiro. Zico, Ronaldo, tudo mundo… Eu tenho que estar lá para saber como é”, contou a jogadora.

Andressa Alves tem 23 anos, jogou pelo Juventus, Centro Olímpico, Ferroviária, São José e foi para o exterior em 2015, já como um dos destaques do futebol feminino nacional. Em 2010 e 2012, jogou as edição sub-20 da Copa do Mundo pela seleção brasileira. Estreou na seleção principal em 2012.

A meia chegou a fechar contrato com o Boston Breakers, mas nunca chegou a jogar pelo time. Ficou na seleção permanente, com salário pago pela CBF, e, depois da Copa do Mundo de 2015 foi atuar pelo Montpellier, da França. Depois de uma temporada, chamou a atenção do Barcelona, que a contratou em junho. Depois das Olimpíadas, ela defenderá o clube catalão.

Contra a Austrália, nas quartas de final das Olimpíadas o Brasil sofreu muito e só passou nos pênaltis. “Nós não conseguimos um gol, mas ia funcionar de alguma forma. Nós sabíamos que nós acabaríamos vencendo. Eu nunca tive dúvidas, mesmo quando a Marta perdeu o pênalti dela”, contou uma confiante Andressa.

Contra a Suécia, o jogo deve ser muito duro, diferente de como foi na primeira fase, quando as brasileiras venceram por 5 a 1 jogando no estádio Nilton Santos. Andressa sabe que a Seleção precisará ter cabeça fria para jogar contra um time que se defende muito bem, como mostrou ao eliminar os Estados Unidos nos pênaltis. “Temos que manter a cabeça fria sim. A Suécia será um jogo muito duro. Não importa que nós tenhamos vencido por 5 a 1 na primeira fase. Elas jogaram realmente muito bem contra os Estados Unidos e jogarão de novo muito bem contra nós”, analisou a jogadora do Barcelona.

“Nós temos as coisas claras na nossa cabeça. Por quê? Porque os torcedores e o país estão nos motivando muito. Nós estamos trabalhando duro porque os torcedores estão nos incentivando com toda essa energia. Nós temos muita gente nos apoiando e isso faz toda diferença. Eu nunca joguei para tanta gente”, contou ainda a brasileira.

Apesar de ser uma das melhores jogadoras brasileiras, Andressa Alves nunca teve a chance de jogar no Maracanã, ainda mais com o estádio lotado. “Me dá arrepios. É muito empolgante para mim. Os homens sempre jogam para 50, 60 mil pessoas, mas nós não. Aqui, nós estamos vendo esse público em qualquer lugar. E agora nós vamos para o Maracanã, onde teremos até mais”, disse Andressa. O Brasil jogou duas vezes no estádio Nilton Santos, uma vez em Manaus e outra em Belo Horizonte.

Marta sempre foi uma referência para Andressa, que agora tem a camisa 10 como referência. Além dela, Cristiane e Formiga também faziam parte do imaginário da paulista, que iniciou a carreira defendendo o time feminino do Juventus, na Mooca. “Foi um choque quando eu as conheci”, disse Andressa, que na época tinha 20 anos. “Eu não podia acreditar. Eu apenas olhei para elas. Eu sussurrei ‘Marta, Cristiane…’ e olhei para elas como se fossem fantasmas ou algo assim”, revela a meia. “Eu não conseguia acreditar e agora nós três somos amigas e vivendo juntas. Eu nunca pensei que eu poderia estar aqui jogando no melhor torneio do mundo”, ela afirmou.

O técnico Vadão elogiou muito a jogadora pela sua versatilidade. Só nesta Olimpíada, ela já jogou no ataque, como meia, volante e até como lateral esquerda em alguns momentos. “Ter a Andressa em um torneio de 18 jogadoras é como ter 22 jogadoras”, disse o treinador.

Nesta terça-feira, Andressa será uma das jogadoras mais importantes para que o Brasil jogue bem e vença a Suécia para chegar à final da competição, na sexta. Mesmo com uma estrutura ainda muito aquém para o futebol feminino, a Seleção tem boas chances. O time tem talento e viu algumas das suas rivais ficarem abaixo do que se espera, como foi o caso dos Estados Unidos.

O sonho continua. E o time, comandado por Vadão, precisará mostrar que está à altura do desafio. Na garra, ao menos, isso já ficou claro. No talento também. Resta saber se terá a reunião de tudo isso com a organização para não cair em armadilhas, como a que a Suécia armou para as favoritas americanas. Diante de mais de 60 mil pessoas no Maracanã, a Seleção feminina terá todo apoio.

Terça, 16 de agosto
Brasil x Suécia

13h – Maracanã
Globo, Band, Record, SporTV, ESPN, Fox Sports

Chamada Trivela FC 640X63

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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