Andrés tem vida dura pela frente
Andrés pediu demissão do cargo de diretor de seleções que ocupava na CBF. É o que lhe restava fazer, após ser voto vencido na demissão de Mano Menezes. Agora, o ex-presidente do Corinthians, tentará pavimentar sua candidatura à presidente da CBF, como um candidato de oposição a Marco Polo del Nero, o candidato da situação.
É uma tática parecida com a que usou na eleição do Clube dos 13. Ele apoiou Kleber Leite, o homem de Ricardo Teixeira, contra Fábio Koff, que era apoiado por Juvenal Juvêncio. Perdeu e deixou o Clube dos 13. Passou a trabalhar pelo fim da entidade, que julgava subavaliar o poderio do Corinthians.
Ganhou. O Clube dos 13 acabou – pelo menos não tem poder algum – negociou sozinho com a Globo e o Corinthians passou a ter uma cota maior de televisão do que Palmeiras e São Paulo. E, quando terminou seu vitorioso mandato à frente do Corinthians, ganhou o cargo de diretor de seleções.
Tudo parecia pavimentado para que fosse o candidato da SITUAÇÇAO à presidência da CBF. Mas, as coisas começaram a mudar.
1) Terminou o mandato de Lula, seu grande aliado
2) Dilma assumiu e mudou o tratamento com Ricardo Teixeira, o outro aliado de Andrés. O gelo foi tamanho que resultou na defenestração de Teixeira e a ascensão de Marin.
3) Marin foi eleito sem força política. Sua escolha foi apenas por ser o vice mais velho. Quem lhe deu sustentação foi Marco Polo del Nero.
4) Marco Polo del Nero e Juvenal Juvêncio, que eram inimigos, estão unidos.
A eleição é em 2014. Andrés, sem Lula e Teixeira, enfrentará Marco Polo, apoiado por Marin. É uma eleição onde votam os presidentes das federações. E os favores recebidos contam muito.
Quem pode garantir a um presidente da Federação que seu estado receberá um jogo da seleção? Ou uma semana de treinos? Ou jogos da Copa das Confederações? Ou seja lá o que for, talvez até favores pessoais? Marco Polo ou Andrés?
É difícil a vida de Andrés. O poder conta muito em uma eleição da CBF. Sua maior esperança é que Marco Polo seja realmente envolvido pelos últimos escândalos políticos.
PS – Na eleiçã para prefeito de São Paulo, Andrés esteve no palanque de Haddad. Comentei com um dirigente do Corinthians que considerava aquilo normal, apenas um ato de cidadania. Ele me respondeu assim: “tudo bem, mas desde que ele não envolva o Corinthians nisso, que ele apoie como cidadão e não como ex-presidente do clube”. O detalhe é que Andrés NÃO disse nada do clube. Eu estava no comício. Ele pediu votos aos corintianos, ma não envolveu o clube.
Moral da história: me pareceu que o apoio a Andrés dentro do clube também não é total. Parece abalado.



