Em livro, Ancelotti revela que substituição de jogador favorito de dono de clube custou seu emprego
Técnico italiano comandou Blues entre 2009 e 2011, ergueu três títulos, mas foi demitido após desagradar oligarca russo
Um dos treinadores mais vitoriosos da história do futebol, Carlo Ancelotti já trabalhou com diversas figuras difíceis ao longo da carreira. Entretanto, segundo o próprio italiano, nenhuma delas era mais complicada do que Roman Abramovich, proprietário do Chelsea entre 2003 e 2022.
Em seu livro “O Sonho – quebrando o recorde de vitória da Champions League“, Ancelotti relembrou como o oligarca russo impactava o dia a dia dos Blues durante sua passagem pela Inglaterra entre 2009 e 2011 — quando foi campeão da Supercopa da Inglaterra, da Premier League e da Copa da Inglaterra.
A sombra de Abramovich no Chelsea

O técnico italiano confessa que a pressão exercida por Abramovich era implacável. Desde sua chegada ao Chelsea, Carlo Ancelotti foi avisado pelo dono que o principal objetivo era conquistar a Liga dos Campeões.
Na era José Mourinho, os Blues foram absolutos no futebol inglês, porém, não conseguiram repetir o sucesso na Europa. Bicampeão da Champions pelo Milan como treinador, o italiano parecia o nome perfeito para realizar o sonho de Roman Abramovich no Chelsea.
— Abramovich deixou claro que queria que eu ganhasse a Champions League com o Chelsea, e que o Chelsea construísse sua identidade em campo.
Em pouco tempo, Ancelotti transformou os Blues, mas o proprietário russo “esperava que tudo corresse bem o tempo todo”. Portanto, quando o Chelsea oscilava, lá estava Abramovich para questionar o técnico italiano dos porquês.
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Queda para Mourinho foi primeiro deslize

Em 2009/10, o sorteio da Uefa colocou Chelsea x Internazionale frente à frente nas oitavas de final da Champions League. Carlo Ancelotti, que havia sido contratado para ser “o antídoto” para José Mourinho, não poderia ser eliminado.
Apesar do favoritismo dos Blues, os Nerazzurri venceram no placar agregado por 3 a 1, incluindo uma vitória por 1 a 0 em pleno Stamford Bridge. O treinador conta que o dono dos Blues ficou indignado com o fracasso diante do Special One, que se sagrou campeão europeu ao final daquela temporada.
— No dia seguinte, Abramovich não falou só comigo, mas com todo o time. […] Eu envergonhei o dono. Sucesso ou fracasso na Europa era como Abramovich me avaliaria. E a Liga dos Campeões me custou o emprego.
Substituir Fernando Torres selou demissão de Ancelotti

Já em 2010/11, o Chelsea seguiu investindo pesado no mercado em busca do título inédito da Champions. Não à toa, no meio daquela temporada, o oligarca russo gastou 50 milhões de libras (cerca de R$ 133 milhões à época) para tirar Fernando Torres do Liverpool.
Ancelotti levou os Blues até as quartas de final da Champions League, onde enfrentaria o Manchester United. O impaciente Roman Abramovich já havia deixado claro ao técnico italiano que a classificação era crucial para seu futuro no Chelsea.
Contudo, os Red Devils de Alex Ferguson ganharam no agregado por 3 a 1 e eliminaram os Blues. Para piorar a situação, no intervalo da partida de volta, o treinador substituiu o artilheiro espanhol por Didier Drogba — o que foi visto como uma afronta pelo dono do Chelsea.
— Torres foi uma decisão pessoal dele, e substituí-lo foi uma repreensão direta ao dono. Por um momento, esqueci que, no fim das contas, não se pode vencer o dono.
Ao final de 2010/11, o italiano foi demitido por Abromavich. Por ironia do destino, os Blues ergueram a taça da Liga dos Campeões logo na temporada seguinte.



