Apresentação de Ancelotti mostra peso do treinador e expõe racha do futebol brasileiro
Em hotel de luxo, com mais 250 jornalistas, mas com poucos representantes de clubes, técnico italiano iniciou o seu trabalho na Seleção
A apresentação de Carlo Ancelotti e a sua primeira convocação como técnico da seleção brasileira mostraram o tamanho do italiano e como a CBF trata o treinado como uma grande salvação.
Diferente dos últimos técnicos, apresentados na sede da confederação, Ancelotti concedeu a sua primeira coletiva em um hotel de luxo na orla da praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com direito a um grande coquetel para convidados e imprensa.
A grande presença de jornalistas também foi um claro sinal de como a chegada de Ancelotti na Seleção atraiu a atenção de todo o mundo. Foram 255 jornalistas credenciados, com profissionais de oito países diferentes, como Alemanha, Espanha, Itália, Inglaterra e Emirados Árabes Unidos, além dos brasileiros que trabalham para veículos estrangeiros.
Além disso, repórteres de todas as regiões do Brasil também estiveram presentes, de estados como Rio Grande do Sul, Pará, Ceará e do Distrito Federal. A CBF recebeu mais de 500 pedidos de credenciamento para a apresentação do técnico italiano.
Isso, é claro, se refletiu na coletiva de Ancelotti. Mesmo durando 40 minutos, muitos repórteres ficaram sem poder fazer perguntas. Os pedidos de perguntas eram repassados para o diretor de comunicação da CBF, que “filtrava”, como foi falado por um membro da comunicação da entidade, e indicava para quem o microfone deveria ir.

Apresentação de Ancelotti também expõe racha no futebol brasileiro
Este grande evento da CBF também explicitou o atual racha vivido no futebol brasileiro, e mostrou uma confederação muito mais próxima das suas federações estaduais e de políticos do que de clubes.
A presença de dirigentes de clubes em apresentações de treinadores da seleção brasileira não é algo muito comum, mas os nomes presentes no evento desta segunda-feira ajudam a entender a situação do futebol brasileiro.
Apenas Leila Pereira (Palmeiras), Carlos Amodeo (CEO do Vasco), Thairo Arruda (CEO do Botafogo) e Marquinho Chedid (presidente do Red Bull Bragantino) estiveram presentes na presentação de Ancelotti. Os três primeiros são de clubes que apoiaram a eleição de Samir Xaud, no último domingo, enquanto o Red Bull, que em um primeiro momento afirmou que boicotaria a eleição, acabou ficando neutro.
Por outro lado, alguns parlamentares, entre deputados e vereadores, também estiveram presentes no auditório, assim como presidentes de federações. A presença deles foi exaltada no discurso de abertura do evento.

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Buffet com comida italiana e pouca presença de torcedores
Se no desembarque de Ancelotti no Rio de Janeiro, no último domingo, um grupo grande de torcedores fez festa para receber o italiano, dessa vez apenas três pessoas aguardaram o italiano na porta do hotel na Barra da Tijuca. Um deles levou um cartaz com a frase “Bem vindo, Ancelotti. Você é o cara”.

Dentro do hotel, a imprensa e os convidados foram recepcionados com um grande bufê, que incluía comida italiana, como risoto e massas com diferentes molhos, e outros pratos mais brasileiros, como picadinho de carne, além de bolinhos e outros petiscos. O bufê também ficou à disposição dos convidados até depois da coletiva de Ancelotti.
O técnico italiano, no entanto, deixou o auditório logo após o fim da sua coletiva. Já o presidente Samir Xauad atendeu a imprensa brevemente, mas logo também saiu para se encontrar mais uma vez com Ancelotti e outros diretores da CBF.



