Brasil

Análise final – parte 3

Para finalizar a série de análises sobre o Campeonato Brasileiro 2007, a coluna também atinge sua última participação no ano. Nesta edição são apontadas as sete equipes que, na reta final, brigavam contra o rebaixamento. Dessas, evidentemente, quatro irão compor a Série B em 2008. Nas próximas linhas, tentaremos entender por quais motivos, cada uma delas, chegou até a incômoda situação de brigar para não cair.

Cabe lembrar que 20% das equipes envolvidas, de um jeito ou de outro, terminam na Segundona. O percentual aumenta ainda mais se for ampliado, também, para os que se salvaram na hora H. Uma fórmula que, indiscutivelmente, precisa de ajustes. Três rebaixados seria um número ideal.

14º Sport – 51 pontos

Média de público – 28.622 (2º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,42
Gols contra por jogo – 1,44
Aproveitamento em casa – 66%
Aproveitamento fora – 22%
Posição no primeiro turno – 10º
Posição no segundo turno – 14º
Artilheiro – Carlinhos Bala: 13 gols
Líder em assistências – Carlinhos Bala: 6 passes
Quem mais jogou – Durval: 35 jogos
Quem foi bem – César, Durval, Ticão, Diogo, Anderson Aquino e Carlinhos Bala
Quem decepcionou – Cléber, Gustavo, Du Lopes, Júnior Maranhão, Romerito e Adriano Gabiru
Saíram durante o torneio – Osmar, Evanílson, Gabriel Santos, Vítor Júnior, Fumagalli, Luciano Henrique, Weldon, Washington e Vítor Hugo
Treinadores – Giba e Geninho

Se estivesse como no campeonato estadual, O Sport começaria o Campeonato Brasileiro como candidato à vaga na Libertadores, com algum otimismo. Mas, ao perder Gallo às vésperas do início da Série A, a coisa degringolou na Ilha do Retiro. A aposta em Giba, além de inexplicável, se apresentou horrorosa, assim como o efeito pelas saídas de Luciano Henrique e principalmente Vítor Júnior e Fumagalli.

Com Geninho, o Sport se reencontrou, sobretudo vencendo boa parte de seus jogos em casa. Sem o mesmo poderio longe de Pernambuco, o Leão ainda sentiu bastante a ineficácia dos reforços indicados por seu treinador: Da Silva, Romerito, Gustavo e Adriano Gabiru. No fim, a permanência na Série A acabou sendo valiosa. Mas, para quem viu a equipe no primeiro tri-mestre, ficou a sensação de fracasso no desenrolar da temporada.

15º Náutico – 49 pontos

Média de público – 12.912 (14º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,73
Gols contra por jogo – 1,65
Aproveitamento em casa – 54%
Aproveitamento fora – 21%
Posição no primeiro turno – 18º
Posição no segundo turno – 8º
Artilheiro – Acosta: 19 gols
Líder em assistências – Júlio César: 9 passes
Quem mais jogou – Elicarlos: 34 jogos
Quem foi bem – Sidny, Júlio César, Elicarlos, Daniel Paulista, Geraldo, Felipe e Acosta
Quem decepcionou – Breno, Walker, Marcel, Baiano, Kuki, Beto e Fábio Saci
Saíram durante o torneio (principais) – Gléguer, Baiano, Walker, Marcel, Kuki, Beto e Fábio Saci
Treinadores – PC Gusmão e Roberto Fernandes

Com a perda de muitos jogadores no início do ano, o Náutico tardou a reencontrar um rumo após o acesso em 2006. Nesse contexto, a opção por PC Gusmão foi importante, assim como a contratação de jogadores como Marcel, Baiano e Cristian. Só no fim do primeiro turno e com a chegada de Roberto Fernandes, é que o Timbu foi se encontrar.

Além de oitavo colocado no returno, o Náutico foi, também, o time de melhor ataque. Com o novo treinador, o Timbu se tornou uma equipe rápida, ofensiva e que, nos Aflitos, se impunha, independente de quem estava do outro lado. Acosta, Elicarlos, Geraldo, Felipe, Júlio César e Sidny – principais figuras do time – fizeram um torneio muito interessante. Esse rótulo, aliás, também serve para a equipe alvirrubra. Claro, no segundo turno.

16º Goiás – 45 pontos

Média de público – 14.051 (13º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,28
Gols contra por jogo – 1,63
Aproveitamento em casa – 57%
Aproveitamento fora – 21%
Posição no primeiro turno – 6º
Posição no segundo turno – 19º
Artilheiro – Paulo Baier: 13 gols
Líder em assistências – Paulo Baier: 13 passes
Quem mais jogou – Harlei: 38 jogos
Quem foi bem – Harlei, Paulo Baier, Welliton, Élson, Leonardo e Wendell
Quem decepcionou – Vítor, Leyrielton, Maurinho, Diego, Chiquinho, Fabiano Oliveira e Harison
Saíram durante o torneio (principais) – Johnson, Petkovic, Romerito e Welliton
Treinadores – Bonamigo, Márcio Araújo, Wanderley Filho e Cassius Hartmann (os dois últimos, interinos)

O Goiás iniciou o Campeonato Brasileiro após um terrível primeiro trimestre e com a sensação clara de que brigaria contra o rebaixamento, algo diferente do cenário esmeraldino nos últimos anos. Rapidamente, Bonamigo conseguiu desfazer a situação e com atuações muito boas de Paulo Baier e Welliton, colocar o clube próximo do G-4. Esse panorama, entretanto, se mostrou apenas momentâneo.

Welliton foi negociado e todos os outros nomes testados fracassaram. Fabrício Carvalho, que teve bons jogos no início do torneio, também decaiu, assim como o garoto Felipe. A equipe se mostrou fisicamente frágil e pouco compenetrada para vencer jogos importantes, ao menos, para se manter longe do rebaixamento. Não fosse a incompetência corintiana, em especial nas duas últimas rodadas, a Série A seria ainda mais esquecível na Serrinha.

17º Corinthians – 44 pontos

Média de público – 19.978 (7º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,05
Gols contra por jogo – 1,31
Aproveitamento em casa – 43%
Aproveitamento fora – 33%
Posição no primeiro turno – 13º
Posição no segundo turno – 17º
Artilheiro – Finazzi: 12 gols
Líderes em assistências – Finazzi, Aílton e Éverton Santos:3 passes
Quem mais jogou – Felipe: 37 jogos
Quem foi bem – Felipe, William, Betão, Zelão, Moradei, Marcelo Oliveira e Finazzi
Quem decepcionou – Edson, Iran, Gustavo Nery, Wellington, Kadu, Bruno Octavio, Ricardinho, Héverton, Aílton e Clodoaldo
Saíram durante o torneio – Eduardo Ratinho, Rosinei, Pedro Silva, Wellington e Marcelo Mattos,

Treinadores – PC Carpegiani, Zé Augusto e Nelsinho Baptista
Com tempo para treinamento e algumas opções perspicazes, Paulo César Carpegiani parecia capaz de manter o Corinthians na zona intermediária – ou mesmo mais acima – da tabela. O efeito de novidade, porém, durou pouco tempo, e a equipe se mostrava muito frágil na frente, onde dependia absurdamente do jovem William, negociado com o Shakhtar. Assolado por turbulências políticas e em um ambiente hostil para a prática esportiva, os corintianos desceram ladeira abaixo.

Vitórias em clássicos contra Santos e São Paulo passaram a falsa impressão de que as coisas estavam melhorando. A presença de dirigentes incompetentes e impulsivos (leia Antoine Gebran), fez com tudo piorasse e, na reta final, jovens como Lulinha e Bruno Bonfim assumissem a responsabilidade. Mesmo com atuações elogiáveis de Finazzi e, sobretudo Felipe, o Corinthians foi incapaz: precisava vencer um de seus dois últimos jogos, mas só somou um ponto. O rebaixamento, por toda a somatória de fatos, se mostrou justíssimo.

18º Juventude – 44 pontos

Média de público – 6.032 (20º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,13
Gols contra por jogo – 1,71
Aproveitamento em casa – 50%
Aproveitamento fora – 21%
Posição no primeiro turno – 19º
Posição no segundo turno – 13º
Artilheiros – Marcão, Tadeu, Renato e Wescley: 4 gols
Líder em assistências – Renato: 8 gols
Quem mais jogou – Michel Alves: 38 jogos
Quem foi bem – Michel Alves, Marcão, Renato e Tadeu
Quem decepcionou – Todos os outros
Saíram durante o torneio (principais) – Jucemar, Wescley, Radamés e Roger Bernardo
Treinadores – Ivo Wortmann, Valteir Campos (interino), Cláudio Duarte, Flávio Campos e Beto Almeida
Já não é de hoje, o Juventude apostava muito na sorte. Em 2007, o clube montou outro elenco limitado e que, no início de temporada, viveu às voltas de uma aguardada parceria com a Red Bull – que turbinaria o time, mas não saiu do imaginário. Com vários jovens, contratações sem critério algum e péssimas escolhas de treinadores – sobretudo Flávio e Cláudio Duarte, o rebaixamento foi uma simples conseqüência.
Ao longo de toda a Série A, a queda do Juventude parecia algo consumado e irreversível – algo que o tempo confirmou. Além de tudo, o Ju teve a pior média de público como mandante, o que denota a pouca confiança de seus torcedores. 2007, no Alfredo Jaconi, deixou muitas lições e apagou a imagem de clube moderno construída há mais de uma década.

19º Paraná – 44 pontos

Média de público – 8.766 (18º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,10
Gols contra por jogo – 1,68
Aproveitamento em casa – 49%
Aproveitamento fora – 22%
Posição no primeiro turno – 15º
Posição no segundo turno – 18º
Artilheiro – Josiel: 20 gols
Líder em assistências – Vandinho: 7 passes
Quem mais jogou – Josiel: 36 jogos
Quem foi bem – Gabriel, Luís Henrique, Giuliano, Batista, Jumar, Josiel e Vandinho
Quem decepcionou – Todos os outros
Treinadores –Zetti, Pintado, Gílson Kleina, Lori Sandri e Saulo de Freitas
Rebaixado para a Série B, o Paraná repete o Criciúma-04. Líder na terceira rodada, o time paranista ainda se manteve, na primeira metade do turno, entre os que estavam à espreita do G-4. Logo em seguida, o clube colheu os frutos das inúmeras trocas de treinadores e a falta de padrão ao longo das 38 rodadas. Dizer um time titular do Paraná Clube é algo impossível.
Além disso, a turbulência política e as acusações ao presidente José Carlos Miranda, compuseram uma totalidade de fatos negativos, ainda mais incisivos quando não se tem camisa, torcida presente e jogadores experientes. Josiel, artilheiro do campeonato, foi um abismo em meio ao fraco elenco paranista.

20º América – 17 pontos

Média de público – 9.370 (16º do torneio)
Gols pró por jogo – 0,63
Gols contra por jogo – 2,10
Aproveitamento em casa – 15%
Aproveitamento fora – 14%
Posição no primeiro turno – 20º
Posição no segundo turno – 20º
Artilheiros – Carlos Eduardo e Edson Borges: 5 gols
Líder em assistências – Souza: 4 passes
Quem foi bem – Sérvulo, Berg e Paulo Isidoro
Quem decepcionou – Todos os outros
Treinadores – Lori Sandri, Marcelo Veiga e Paulo Moroni
Só a diferença de 24 pontos a menos para o penúltimo colocado, por si só, demonstraria as fragilidades inúmeras do América, time que, na Série B, também brigaria contra o rebaixamento. Os potiguares tiveram o pior ataque, a pior defesa e foram os piores nos dois turnos da competição. Fizeram pelo menos três reformulações de elenco e, na reta final, se deram ao luxo de poupar jogadores para um torneio local.
Entre todos os times das três divisões nacionais, o América foi quem mais pagou por dar tanta importância ao torneio estadual. Com Estevam Soares e um time razoavelmente experiente, o Mecão ia bem no Campeonato Potiguar – até ser goleado pelo ABC na final e desmanchar todo seu planejamento. O jeito, em 2008, é tentar se manter na Série B. Já estará de grande tamanho.

– Feliz 2008!

Desejo a todos os leitores um Feliz Natal e, principalmente, um grande ano em 2008. Agradeço ainda a todos que me acompanharam durante o ano e pela oportunidade concedida nesse espaço. Na próxima semana, estarei em substituição ao amigo Ubiratan Leal na coluna de América Latina. Voltamos, portanto, na primeira semana de janeiro.

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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