Brasil

Análise do Brasileiro – Parte I

A rigor, nem se pode dizer que o Campeonato Brasileiro de 2009 teve a emoção com que foi encerrado durante todas as suas 38 rodadas. Para ser mais exato ainda, houve uma época em que o Palmeiras ensaiou uma grande disparada – o que certamente daria mais munição aos detratores dos pontos corridos.

Mas o campeonato virou, o São Paulo conseguiu subir para fazer parte da disputa do título novamente, Internacional e Cruzeiro protagonizaram reações impressionantes – bem como o campeão Flamengo. Na outra ponta da tabela, era pouco imaginável que o Sport, que entrou no Brasileiro com altas motivações, fosse ser o último colocado no final (isso, para não citar a reação do Fluminense).

A verdade é que o campeonato caminhava para semelhanças com 2007 – isto é, com um time tornando-se franco favorito a muitas rodadas do fim. Terminou virando, talvez, o melhor campeonato brasileiro da época dos pontos corridos – “talvez” porque não se pode ignorar outros Brasileiros, como o de 2004. Mas, como o tema aqui é 2009, começa aqui a primeira parte da análise do desempenho dos 20 clubes da primeira divisão.

Sport

Colocação final: 20º colocado, 31 pontos em 38 jogos
Técnico: Nelsinho Baptista (até a 3ª rodada), Émerson Leão (até a 16ª rodada), Péricles Chamusca (até a 34ª rodada) e Levi Gomes
Maior vitória: Sport 4×2 Flamengo (5ª rodada)
Maior derrota: Fluminense 5×1 Sport (17ª rodada)
Principal jogador: Magrão (goleiro)
Decepção: Ciro (atacante)
Artilheiro: Wilson (8 gols)

12 de maio de 2009. Esta pode ser considerada a data do início do rebaixamento do Leão do Norte. Até então, o que se via era uma equipe bastante promissora. Paulo Baier e Ciro conseguiam suprir a saída de Carlinhos Bala – e Nelsinho Baptista prosseguia com pulso firme no comando. Porém, o objetivo central era a Libertadores, onde o Sport tão bem começara.

Só que, na data supracitada, o sonho acabou, com eliminação em plena Ilha do Retiro. E, com o fim do sonho, a estrutura suposta se esfarinhou. Problemas de relacionamento foram revelados; Nelsinho Baptista deixou o clube, assim como Paulo Baier; Ciro não conseguiu virar protagonista, como se esperava. E nem mesmo as boas atuações de alguns jogadores (Arce, Wilson, Durval e Magrão) conseguiram fazer com que o Sport se reanimasse. Sem a Libertadores, o clube entregou-se facilmente ao rebaixamento.

Náutico

Colocação final: 19º colocado, 38 pontos em 38 jogos
Técnico: Waldemar Lemos (até a 5ª rodada), Márcio Bittencourt (até a 10ª rodada) e Geninho
Maior vitória: Náutico 3×0 Atlético-PR (22ª rodada) e Náutico 3×0 Palmeiras (29ª rodada)
Maior derrota: Santo André 5×3 Náutico (37ª rodada)
Principal jogador: Carlinhos Bala (atacante)
Decepção: Acosta (atacante)
Artilheiro: Carlinhos Bala (12 gols)

A rigor, o Timbu até começou bem, fazendo bom papel nas primeiras rodadas, sob o comando de Waldemar Lemos. Todavia, alguns fatores fizeram com que o time fosse decaindo, ainda no primeiro turno: a saída de Gilmar e a passagem tão rápida quanto ruim de Márcio Bittencourt foram os principais.

Geninho chegou, e até conseguiu colocar mais ordem no time. Que, amparado no bom Brasileiro (mais um) que fez Carlinhos Bala – e nos gols de Bruno Mineiro -, conseguiu sair do rebaixamento. Porém, a alta rotatividade no time titular e a falta de confiabilidade da defesa definiram: o time dos Aflitos não conseguiria se salvar do rebaixamento, como ocorreu nos últimos campeonatos.

Santo André

Colocação final: 18º colocado, 41 pontos em 38 jogos
Técnico: Sérgio Guedes (até a 14ª rodada), Sandro Gaúcho (interino, apenas na 15ª e na 23ª rodada), Alexandre Gallo (até a 22ª rodada) e Sérgio Soares
Maior vitória: Santo André 5×3 Náutico (37ª rodada)
Maior derrota: Internacional 4×1 Santo André (38ª rodada)
Principal jogador: Nunes (atacante)
Decepção: Rodrigo Fabri (meio-campista)
Artilheiro: Nunes (13 gols)

No começo do Brasileiro, dava para imaginar que o time de Sérgio Guedes ia depender, primordialmente, dos veteranos do elenco, para tentar um desempenho surpreendente. E, no meio-campo, até que Marcelinho Carioca e Fernando deram conta do recado, mesmo. Paralelamente, Nunes cresceu de produção, na parte final do campeonato – como mostraram partidas como o 2 a 0 sobre o Palmeiras. Porém, não foi suficiente para evitar um rebaixamento que nunca pareceu realmente distante do Ramalhão.

Coritiba

Colocação final: 17º colocado, 45 pontos em 38 jogos
Técnico: Renê Simões (até a 18ª rodada) e Ney Franco
Maior vitória: Coritiba 5×0 Flamengo (5ª rodada)
Maior derrota: Cruzeiro 4×1 Coritiba (37ª rodada)
Principal jogador: Marcelinho Paraíba (atacante)
Decepção: Makelele (meio-campista)
Artilheiro: Marcelinho Paraíba (14 gols)

Mesmo com resultados como o 5 a 0 sobre o Flamengo, o clube do Alto da Glória jamais conseguiu deixar a metade inferior da tabela. Sem conseguir recuperar a “mística” de sua primeira passagem, na qual trouxe a equipe de volta à Série A, em 2007, Renê Simões deixou o clube, sendo substituído por Ney Franco. E o treinador mineiro conseguiu dar ao time um padrão de jogo melhor desenvolvido – até pelas boas atuações de Ariel e, claro, Marcelinho Paraíba.

Todavia, nas últimas rodadas, entre a disputa para fugir do rebaixamento, o Coritiba acabou caindo quando não podia. Tanto é que a maior derrota de toda a campanha coxa-branca surgiu na penúltima rodada. E um time que durante boa parte da temporada, segurou-se algumas posições acima, não teve forças para evitar a queda. De desempenho e de divisão.

Fluminense

Colocação final: 16º lugar, 46 pontos em 38 jogos
Técnico: Carlos Alberto Parreira (até a 10ª rodada), Vinícius Eutrópio (interino, até a 12ª rodada), Renato Gaúcho (até a 22ª rodada) e Cuca 
Maior vitória:
Fluminense 5×1 Sport (17ª rodada)
Maior derrota:
Grêmio 5×1 Fluminense (23ª rodada)
Principal jogador:
Conca (meio-campista)
Decepção:
Roni (atacante)
Artilheiro: Fred (11 gols)

É fato: a campanha do Fluminense no Campeonato Brasileiro divide-se em antes e depois do dia 1º de novembro. Antes, era a terra praticamente arrasada. Pelas passagens pouco animadoras de Carlos Alberto Parreira e Renato Gaúcho; por Cuca não conseguir reanimar o espírito da equipe; e por Fred, contratado para ser o diferencial do time, ter dificuldades na recuperação de uma lesão – causando até a ira da torcida.

Aí, no dia 1º de novembro, veio a virada categórica sobre o Cruzeiro (e, a bem da verdade, já houvera bom triunfo sobre o Atlético Mineiro, na quinta anterior). Foi a senha para que tudo mudasse. O desambientado Fred tornou-se o líder da equipe, o diferencial que todos esperavam; Conca, protagonista já antes, cresceu ainda mais de produção; os garotos de Xerém, como Dalton e Alan, entraram muito bem na equipe.

Finalmente, Cuca deixou de lado certo tom deprimido, adotando um espírito mais alentador. E a equipe engatou numa sequência de vitórias e bons resultados que, ainda hoje, parece ser inacreditável. Tão inacreditável quanto a salvação da Série B. Bem certo que… foi apenas uma salvação, um 16º lugar. Não é nada, não é nada. Foi tudo.

Botafogo

Colocação final: 15º colocado, 47 pontos em 38 jogos
Técnico:
Ney Franco (até a 18ª rodada) e Estevam Soares
Maior vitória:
Goiás 1×3 Botafogo (28ª rodada) e Botafogo 3×1 Atlético-MG (29ª rodada)
Maior derrota:
Botafogo 1×4 Goiás (8ª rodada)
Principal jogador:
Juninho (zagueiro)
Decepção:
Castillo (goleiro)
Artilheiro:
André Lima (9 gols)

O Botafogo sempre aparentou ser uma equipe irregular, capaz de atuações que davam esperança de crescimento e de jogos terríveis, onde nada dava certo. Por mais que Juninho, Leandro Guerreiro e André Lima jogassem bem (tendo, no fim do campeonato, o auxílio de Jóbson), a inconstância do time foi grande a ponto de quase causar a queda para a Série B.

Com Estevam Soares desde o começo do segundo turno – o trabalho de Ney Franco já dava alguns sinais de desgaste -, o time de General Severiano continuou sendo irregular. Afinal, a mesma equipe que parecia condenada ao rebaixamento, após ser apática nos 3 a 0 sofridos para o Barueri, foi valente nas vitórias contra São Paulo e Palmeiras. Vitórias que salvaram-na da queda. Mas a lição foi aprendida: não basta ter um clube saneado (embora isso tenha muita importância, sim). É preciso também ter um time confiável.

Atlético-PR

Colocação final: 14º colocado, 48 pontos em 38 jogos
Técnico:
Geninho (até a 5ª rodada), Waldemar Lemos (até a 15ª rodada), Riva Carli (interino, apenas na 16ª rodada) e Antônio Lopes
Maior vitória:
Atlético-PR 0x4 Atlético-MG (5ª rodada)
Maior derrota:
Atlético-PR 3×0 Barueri (19ª rodada) e Atlético-PR 3×0 Santo André (30ª rodada)
Principal jogador:
Paulo Baier (meio-campista)
Decepção:
Alex Mineiro (atacante)
Artilheiro:
Marcinho (10 gols)

Dos clubes que encerraram o Brasileiro lutando para evitar o rebaixamento, o Atlético Paranaense foi aquele que mais pareceu seguro. Por maior que fosse o perigo, a equipe de Antônio Lopes sempre foi firme em horas difíceis, e conseguiu afastar o risco de queda sem grandes traumas.

Há duas razões para a atuação geral do time rubro-negro ter se encerrado tranquilamente, apesar dos pesares. Após um tempo de adaptação, Antônio Lopes conseguiu organizar minimamente a equipe, dando a ela um pouco mais de segurança (algo até típico dos trabalhos do treinador carioca). Mas de nada adiantaria, se Paulo Baier, Marcinho e Wallyson não tivessem desempenho razoável no ano. Caso a base permaneça no clube, há até chances de campanha melhor.

Vitória

Colocação final: 13º colocado, 48 pontos em 38 jogos
Técnico:
Paulo César Carpegiani (até a 18ª rodada) e Vágner Mancini
Maior vitória:
Vitória 6×2 Santos (10ª rodada)
Maior derrota:
Avaí 4×0 Vitória (15ª rodada), Barueri 4×0 Vitória (17ª rodada) e Fluminense 4×0 Vitória (37ª rodada)
Principal jogador:
Roger (atacante)
Decepção:
Derlei (atacante)
Artilheiro:
Roger (15 gols)

O time baiano teve situação parecida com a do Atlético-PR, no Brasileiro. Talvez, até mais tranquila: caiu de produção com o passar das rodadas, mas também nunca correu sérios riscos de rebaixamento. A campanha não deixa de ter seu lado decepcionante: afinal, a equipe chegou a golear o Santos, na 10ª rodada, e a sonhar até com vaga na Libertadores.

Não foi possível manter-se nessa disputa por mais tempo. No entanto, Vágner Mancini voltou ao clube e encontrou uma base firme. No gol, quando substituiu Gléguer, Viáfara foi satisfatório; e, no meio-campo, Ramon e Jackson provinham experiência e eficiência na armação, para que Roger fizesse um bom número de gols. Foi mais do que suficiente para a permanência na Série A.

Santos

Colocação final: 12º colocado, 49 pontos em 38 jogos
Técnico:
Vágner Mancini (até a 10ª rodada), Serginho Chulapa (interino, até a 12ª rodada) e Vanderlei Luxemburgo
Maior vitória: 
Santos 4×0 Coritiba (36ª rodada) 
Maior derrota:
Vitória 6×2 Santos (10ª rodada)
Principal jogador:
Paulo Henrique (atacante)
Decepção:
Emerson (meio-campista)
Artilheiro: Kléber Pereira (14 gols)

Está aí uma campanha média, mas que aparentou ser ainda pior do que foi. Nunca o Santos chegou a ser um time realmente ameaçado pelo rebaixamento, daqueles que caem e ficam apenas uma ou duas posições acima dos quatro últimos colocados. No entanto, pelo nível de investimento que a equipe fez vez por outra, as atuações no campeonato foram decepcionantes.

Houve alento, sim. Paulo Henrique mostrou ser um jogador mais pronto a lidar com pressões, mais pronto até do que Neymar, que ainda precisa de algumas dicas; Madson teve a abnegação de sempre; e Kléber Pereira exibiu capacidade satisfatória de fazer gols, mesmo perdendo várias chances. Porém, para o nome que ainda tem, Vanderlei Luxemburgo fez trabalho tímido demais. Quem sabe, a mudança na presidência não comece a influir no time.

Barueri

Colocação final: 11º colocado, 49 pontos
Técnico:
Estevam Soares (até a 18ª rodada), Diego Cerri (até a 31ª rodada) e Luis Carlos Goiano
Maior vitória:
Barueri 4×0 Náutico (12ª rodada) e Barueri 4×0 Vitória (17ª rodada) 
Maior derrota:
Avaí 4×0 Barueri (25ª rodada)
Principal jogador:
André Luis (zagueiro) e Val Baiano (atacante)
Decepção:
Otacílio Neto (atacante)
Artilheiro:
Val Baiano (18 gols)

Diante do ótimo início com Estevam Soares, quando chegou até a pensar em ficar na zona da Libertadores (situação algo parecida com a do Avaí – se bem que o clube catarinense foi mais constante), dava até para pensar que o Barueri iria ser mais um estreante na Série A a fazer campanha surpreendente.

Mas Estevam aceitou a proposta do Botafogo, e a equipe entrou numa fase um pouco mais irregular. Mesmo assim, o bom campeonato que fizeram André Luis, Val Baiano, Thiago Humberto e Renê ajudou a equipe a não sofrer tanto com solavancos – que vieram mais no aspecto político do clube. Mesmo com um futuro ainda incerto, dá para dizer: a Abelha fez um bom Brasileiro.

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Equipe Trivela

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