Brasil

Ambição alvinegra

Nenhuma pessoa que entenda minimamente de futebol brasileiro duvida que o Atlético Mineiro seja um dos grandes clubes do País. Mesmo assim, poucos conseguiam olhar para o Galo disputando as primeiras posições do Brasileiro e ver um candidato ao título. Uma situação aparentemente contraditória, mas que faz sentido pela trajetória recente do clube alvinegro.

O Atlético não luta pelo título nacional desde 2001, quando caiu nas semifinais ante o São Caetano. E não povoava as primeiras posições com consistência desde 2003, o primeiro ano dos pontos corridos. Desde então, o clube colecionou campanhas fracas – algumas pior que isso – e até teve um rebaixamento. Não perdeu sua grandeza, mas deixou de ser olhado como um concorrente de peso.

Isso pode mudar em 2009. E não é pela boa participação no primeiro turno do Brasileirão, com várias rodadas na liderança. É, sim, pelo fato de o clube não se conformar com a perda de terreno no último mês.

Mesmo em seu melhor momento, o Galo não podia ser visto como candidato ao título. Era nítido que o elenco carecia de opções e que, quando os titulares entrassem em má fase ou se contundissem, o time seria ultrapassado por adversários mais preparados. Isso acabou acontecendo. Diego Tardelli foi chamado pela Seleção, Júnior não tem mais o fôlego de antes, Aranha se lesionou, Renan Oliveira ainda não é sólido e o time caiu fora da zona de classificação para a Libertadores.

Claro que, se mantivesse esse trabalho, a equipe se recuperaria em um determinado momento e ficaria em uma posição digna na tabela. Mas dificilmente a reação colocasse novamente o Alvinegro entre os quatro primeiros colocados.

Rapidamente, o Atlético trouxe reforços interessantes. Carini chegou para o gol. Coelho é um lateral-direito de verdade (Carlos Alberto não é ruim na posição, mas é volante de origem). Ricardinho é um meia de armação experiente, que pode cadenciar e dar algum planejamento para um setor ofensivo normalmente rápido e instintivo em excesso. Pedro Oldoni e Rentería são reservas úteis para o ataque, além de oferecerem novas opções (são mais pesados e fixos que os titulares Diego Tardelli e Éder Luis).

Além disso, o presidente Alexandre Kalil anunciou, em sua página no Twitter, a renovação do contrato de Celso Roth por mais um ano. Uma evidência de que ele quer dar tranqüilidade ao treinador, evitando o erro cometido pelo Grêmio em 2008, e pensar em longo prazo.

Nas entrelinhas de todas essas decisões está o fato de que o clube não se conformou com a campanha que provavelmente faria – boa, mas que terminaria fora da Libertadores. Se precisava de reforços, foi buscar. Se precisava passar confiança ao técnico, renovou seu contrato. A ideia é não apenas ser grande, é estar grande. E ter um pensamento ambicioso e ousado é um dos principais modos de demonstrar tal grandeza.

É um pouco exagerado achar que o Galo já tem time para lutar pelo título brasileiro. Isso pode até acontecer, mas dependeria de todos os reforços se encaixarem perfeitamente (o que raramente acontece). De qualquer modo, o Atlético já se sente grande. E, sem a antiga visão fatalista, pode brigar no topo nos próximos anos.

Sí, se puede. Mas com moderação

Com uma vitória sobre o Coritiba, o Corinthians reduziria sua distância ao líder Palmeiras a cinco pontos. O empate no Alto da Glória deixou a diferença em 7, mas não dá para considerar um mau resultado empatar fora de casa com um dos times em melhor fase no Brasileirão. Como o time está se refazendo, com o departamento médico se esvaziando e reforços estreando, dá para ver o Alvinegro paulista como candidato ao título. Será mesmo?

Mano Menezes é um técnico competente, daqueles cujo time evoluem nitidamente quando têm tempo para treinar. Assim, o Corinthians do final do primeiro turno – caótico taticamente, obrigado a improvisar em todos os setores e sem opções viáveis para se consertar durante a partida – não existe mais. O time do Parque São Jorge já está invicto há cinco partidas e só não tem mais pontos porque ainda se ressente da falta de um armador e um finalizador, fatores fundamentais para os empates contra Botafogo e Barueri.

Aí está um problema. O Corinthians pode contornar suas atuais falhas com a chegada de Defederico e Edno e o retorno de Ronaldo. Mas não há garantias que os dois primeiros entrarão bem. O argentino tem características um pouco diferentes de Douglas – jogador relativamente lento, mas que já estava entrosado com o resto do time – e pode sofrer com inexperiência e dificuldades de adaptação. O atacante da Portuguesa teve um bom Brasileirão em 2008, mas ainda precisa provar que é realmente um jogador acima da média.

A situação de Ronaldo é um pouco mais segura. O centroavante já mostrou que tem capacidade técnica para ser um dos destaques do campeonato mesmo fora de forma. No entanto, ele é claramente mais vulnerável a contusões que os outros.

No final das contas, a situação do Corinthians é mais ou menos parecida com a do Atlético Mineiro. O time tem potencial para entrar na briga pela ponta, mas depende de acertos em todas as apostas de meio de campeonato. Ou, em bom português, é recomendável esquecer o título temporariamente. Se ele se aproximar no futuro, ótimo para seus torcedores. Se continuar em média distância, nada mais natural.

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Equipe Trivela

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