Futebol brasileiro

Allan Simon: CBF quer fazer a Copa do Brasil valer mais que a Libertadores

Colunista da Trivela detalha estratégia da entidade para valorizar ainda mais o torneio de mata-mata nacional

Em um novo episódio do podcast “Futebol em Contexto”, o colunista da Trivela Allan Simon detalhou a estratégia da CBF para posicionar a Copa do Brasil como um produto mais valioso do que a Libertadores no mercado de transmissões. Ao lado de Tim Vickery, ele explicou como a entidade renegociou os direitos do torneio sem depender de uma venda direta à Globo, como fez a Conmebol na Libertadores, e apostou no fato de os grandes clubes brasileiros estarem garantidos na competição desde as fases iniciais.

Confira as colunas de Allan Simon na Trivela

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Copa do Brasil deixou de ser negociada só com a Globo

Segundo Allan Simon, a Libertadores ocupou nos últimos anos o posto de competição mais valorizada porque a Copa do Brasil era historicamente tratada como um ativo intocável da Globo, negociado sempre de forma direta com a emissora. Ele explicou que esse cenário mudou na atual gestão da CBF.

“Hoje eu acho que a Libertadores ocupou durante os últimos seis anos esse papel, porque a Copa do Brasil era vista como inatingível, porque a CBF negociava com a Globo direto, renovava com a Globo direto. Agora isso acabou. Na gestão agora do Samir Xaud, eles fizeram um processo, ouviram as emissoras, ouviram Globo, SBT, Record, ouviram TNT, ouviram a Amazon que acabou comprando com a ESPN e tudo mais, só não ouviram a Cazé TV, porque a CBF tem péssimas relações com a LiveMode, então não convidaram a Cazé TV pra mesa.”

Casimiro Miguel, rosto da Cazé TV (Foto: IMAGO / Nicolo Campo)
Casimiro Miguel, rosto da Cazé TV (Foto: IMAGO / Nicolo Campo)

Argumento da CBF: o mata-mata garante os grandes desde o início

Allan Simon apontou que o novo contrato da Copa do Brasil, avaliado em mais de R$ 1 bilhão por ano, é usado pela CBF como argumento de que o torneio vale mais do que a própria Libertadores. Para ele, essa leitura se apoia no formato eliminatório da copa nacional, que garante presença constante dos clubes de maior torcida, ao contrário do que acontece na competição continental.

“Na visão da CBF, a Copa do Brasil é um campeonato mata-mata emocionante desde o começo e os times grandes sempre jogam. Enquanto na Libertadores, dos times grandes, só Flamengo e Palmeiras jogaram todas as edições nos últimos anos. Então a Copa do Brasil vai ter sempre um Corinthians, vai ter sempre um Flamengo. Mas eles consideram que as principais, Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco, eles sempre jogam. E agora, com esse novo regulamento que os times da Série A entram na quinta fase, sempre vão jogar, não tem mais time grande ficando fora.”

O colunista lembrou ainda o episódio que motivou essa mudança de regulamento, quando o Santos ficou fora da edição de 2024 por ter sido rebaixado no Brasileirão do ano anterior e não ter feito boa campanha estadual. Ele foi direto ao classificar a decisão. “O que aconteceu com o Santos em 2024 foi um absurdo. Tentaram dar moral pros estaduais da forma mais burra possível, deixar o Santos fora da Copa do Brasil porque ele foi rebaixado no Brasileiro e não foi bem no estadual, era uma grande burrice. Mas hoje eles querem fazer parecer que a Copa do Brasil é a grande menina dos olhos de todo mundo, porque sempre tem grandes times garantidos”.

Samir Xaud, presidente da CBF
Samir Xaud, presidente da CBF. Foto: IMAGO / Fotoarena

Mata-mata como diferencial de emoção da Copa do Brasil

Allan Simon também defendeu que o apelo emocional do formato eliminatório é o que sustenta essa valorização da Copa do Brasil a médio prazo, em contraste com o Campeonato Brasileiro de pontos corridos.

“Você tem final única igual à Libertadores, você tem fechamento do calendário nacional, você tira isso do Brasileiro. O Campeonato Brasileiro de pontos corridos faz seu papel de ser pontos corridos, de arrecadar dinheiro, de ser justo, de proporcionar calendário, mas a emoção mesmo que a gente gosta é o mata-mata. Então a Copa do Brasil será este campeonato por mais tempo.”

Foto de Pedro Ramos

Pedro RamosCoordenador de conteúdo

Coordenador da Trivela. Ex-editor do site da Premier League Brasil. Passagens por Estadão e TNT Sports. Formado em Jornalismo e Sociologia. Ex-pesquisador do GEMAA (Grupo de Estudos Multidisciplinar da Ação Afirmativa).

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