Aliado de Marin: “‘Morte’ de Andrés era anunciada”
Bati um papo com o presidente da federação gaúcha, Francisco Novelletto, sobre a atual situação da CBF. Membro da oposição até algum tempo atrás, o cartola é hoje aliado de José Maria Marin e comenta as eleições de 2014 na entidade, a saída de Andrés Sanchez e “indica” Mano Menezes para o Palmeiras. A conversa aconteceu antes do anúncio oficial da demissão de Andrés, feito na manhã desta quarta-feira.
Confira abaixo.
Te surpreende a queda do Andrés?
É uma morte anunciada, né? Isso já vinha rolando, independente das ações do Marco Polo. Acho que durou muito tempo, né? Acho que era anunciada já essa saída. Ele (Andrés) era muito fechado com o Mano (Menezes), muito fechado. Não sei como não saiu no mesmo dia. E a gente sabia que o Mano não ia segurar. Isso aí pra mim não é nenhuma novidade. Já esperava por isso.
Como fica cenário para as eleições da CBF em 2014?
Vai ser uma outra situação daqui pra frente. O cenário não será o mesmo que estava desenhado. Mudou o jogo.
Agora é Del Nero contra Andrés?
Com certeza, com certeza. Eram as pretensões que se especulava, já tinham comentado a amigos mais próximos, era certo que iria acontecer. Fica difícil a situação como aconteceu. Se alguém tem culpa ou não tem culpa, não sou eu que vou julgar, né? Não estou julgando. Estou acompanhando tudo de fora. Agora fica difícil segurar. Quando entram em sua casa de madrugada, de graça não é. Acho que ficou difícil a situação. Agora vai aparecer, vão aparecer nomes, chapas novas, com certeza.
Na época da saída do Ricardo Teixeira, o senhor também flertou com uma possível candidatura. Mantém a posição?
É tudo muito cedo, cedo demais. Eu hoje estou passível do Marin, Marco Polo. Na assembléia lá, teve um depoimento bastante emocionante do Marin. Eu não sou bandido, fui lá, levantei e dei um abraço nele. E estamos juntos, entendeu? Não sou uma pessoa de duas caras. Quando dei um abraço nele, era porque estou junto. Agora para falar de eleições está muito cedo ainda. Falta mais de um ano e pouco. Vamos ver o que vai acontecer. Aqui tem um ditado entre os gaúchos: se dá tempo que as melancias se ajeitam na carreta. Aos pouquinhos, as melancias vão se ajeitando. Faz sentido.
O que o senhor de uma possível aliança entre Andrés e Ronaldo na CBF?
Isso não saiu do Andrés. Mas uma coisa é ser presidente de clube. É outro perfil. Fez muito bem, por sinal. Essa é a questão, né? Será que o mesmo perfil serve para ser presidente da CBF? Agora que seria uma dupla quase que imbatível, seria. O carisma principalmente do Ronaldo. O Andrés, meu amigo, tem o perfil de clube. Agora tem que ver o Ronaldo.
Em todo esse imbróglio envolvendo a CBF, o Marin vem mantendo contato com o Ricardo Teixeira?
Com certeza. Ele falou para mim que está sendo um representante para negócios internacionais. Você paga R$ 120 mil por mês para um cara ser seu representante e você não vai ter contato com ele? Quer dizer, é óbvio. Ninguém é trouxa, né? Então, se você tem um funcionário que custa R$ 120 mil é porque tem contato.
Como o senhor analisaria o futuro de Dunga, Felipão e Mano?
Isso é coisa minha. Para mim, vai dar Mano no Palmeiras, pode me chamar de louco, Dunga no Inter e Felipão na Seleção. Se eu sou dirigente da CBF, mas eu não perco nem dois dias, meto o Felipão direto. Aí se vocês da mídia falam ‘po, não deu certo’, mas é um campeão. É um cara que foi campeão em 2002. Felipão na cabeça. Para o momento do Inter, fecharia com o Dunga. E, no caso do Mano, pegou o Corinthians em pior situação até e o Palmeiras está na Libertadores. A Segundona ele ganha de costas. É outro cara que, se for inteligente, pega o Palmeiras. E ele é inteligente. O Mano eu não duvido, conheço ele. Pegaria correndo o Palmeiras. Vira treinador, com aquela estrutura e sobe.
Voltando à CBF, para 2014, então, é o Del Nero, o Andrés e mais uma outra chapa? O senhor, talvez?
Eu dei um tempo, fiz as pazes com os homens lá, estou do lado do Marin, abraçado com o Marin, mas não sei. Até porque trouxa eu não sou, né? Ficou muito forte o negócio aí (em São Paulo), tem muito poder. Vocês, paulistas… É vocês e o resto. A gente tem que entender e aceitar. Ainda mais com a CBF… A CBF hoje está praticamente com vocês (em São Paulo). Então, ninguém é trouxa para tomar porrada. Você acha que vou botar a cara para tomar porrada? É quase imbatível. É que nem você pegar um moleque qualquer e colocar para jogar com o Barcelona, o Manchester.
O Andrés é uma ameaça ao Del Nero?
Entre as federações, não sei se o Andrés consegue entrar porque o pessoal de federação não vai votar em clube, é tudo fechado. O que o Andrés pode fazer é criar uma Liga dos clubes. Depende de como vai ser essa saída dele. É meu amigo, gosto, fazemos churrasco em casa… Agora, porra, não puxa briga com ele, né? Então, vai depender dessa saída dele. Se for uma saída pacífica, saída na base da porrada. Se for na porrada, perde o Del Nero. Se eu sou o Del Nero e o Marin, não quero confusão com o Sanchez.



