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Aguirre e a interrogação que se estende entre o passado e o futuro do Atlético Mineiro

Não foi uma decisão surpreendente. Ainda que, da forma como aconteceu, soou um tanto quanto inesperada. Nesta quinta, Diego Aguirre anunciou sua saída do Atlético Mineiro. Segundo a coletiva, por vontade própria, embora as circunstâncias deixem uma ponta de desconfiança – especialmente após a declaração que a saída poderia ter acontecido antes mesmo dos duelos contra o Racing. O treinador uruguaio sofreu três eliminações consecutivas em seu primeiro semestre de trabalho na Cidade do Galo. A gota d’água veio com a queda para o São Paulo na Libertadores, o grande objetivo dos alvinegros no ano.

O clima de Aguirre à frente do time atleticano não se mostrava tão bom durante as últimas semanas. Havia muitas reclamações em torno de seu trabalho, desde a falta de consistência nos jogos até a gestão do elenco. Por mais que tenha avançado com autoridade na primeira fase da Libertadores, o Galo tentava engrenar em meio a algumas oscilações. E as eliminações na Primeira Liga e no Campeonato Mineiro, por mais que não fossem tratados como prioridade, pesaram contra.

Diante do São Paulo, Aguirre não foi bem. Apesar dos desfalques, conseguiu escalar o Atlético de maneira ofensiva e teve a classificação nas mãos por quatro minutos. Entretanto, mexeu mal no time e viu o São Paulo tomar o controle do jogo no segundo tempo. Até poderia ter arrancado a vaga nas semifinais com um gol fortuito, mas não que fizesse tanto para isso. De qualquer forma, será que um jogo seria o suficiente para a decisão, tanto ao treinador quanto à diretoria atleticana? Não parece ser o caso.

Muito do desgaste sobre Aguirre foi causado por questões já conhecidas de seus trabalhos anteriores. Bastava falar com um torcedor do Internacional para saber sobre o cansaço durante o segundo tempo, as rotações, as substituições nem sempre lógicas. Ainda assim, o treinador desempenhou um bom trabalho no Beira-Rio. A impressão que fica é que os mineiros compraram o pacote mais pela embalagem do que pelo conteúdo. Diante dos primeiros desgastes, o vínculo se quebrou.

E a dúvida maior se concentra não sobre o presente de Aguirre, mas sim ao futuro do Atlético Mineiro. O clube dava sequência a um projeto de renovação arquitetado pelo uruguaio, que se interrompe repentinamente. Apesar de seus defeitos, o técnico se indicava suficientemente credenciado para conduzir o projeto. Agora, o Galo precisará buscar um novo nome em um mercado que se sugere um tanto quanto escasso. E, considerando que o Brasileirão está apenas no início, tentando contrariar o imediatismo que rege a maioria dos clubes brasileiros – ainda que seja difícil de acreditar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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