Brasil

Acima das expectativas

Diogo Rincón foi o décimo quinto reforço a chegar ao Parque São Jorge em 2008. Ter um elenco todo em mãos para trabalhar era algo praticamente obrigatório com a sucessão de fatos que assolaram o Corinthians na última temporada. Sabedor da pressão imediata que teria, Mano Menezes consegue, dentro do possível, dar corpo e cara a um time que, jamais, pode se esquecer da sua prioridade no ano: o acesso para a primeira divisão.

Ninguém seria capaz de imaginar que, já em suas primeiras semanas de trabalho, o treinador gaúcho conseguiria fazer do Corinthians uma equipe de futebol agradável. Primeiro porque isso, todos sabem, não está na lista de prioridades de Mano Menezes. Ter uma defesa rígida, um time determinado e de forte consciência tática, sim. E, em segundo lugar, o elenco montado é bom, mas não é fantástico a esse ponto. Palmeiras e São Paulo, com melhores jogadores e projetos consolidados, estão atrás da tabela.

Ciente de que os resultados iniciais seriam importantíssimos para construir um ambiente mais seguro, Mano Menezes tem adotado, muitas vezes, posturas defensivas. Assim, protege uma defesa em construção, mas que já é a melhor do Campeonato Paulista. E, ainda, depende de poucos gols para vencer – o gol corintiano só foi vazado em quatro partidas de 2008.

A desenvoltura ofensiva do time de Mano Menezes, porém, ainda é bastante preocupante e deve ser tratada com mais carinho nos próximos jogos. A postura de ter três zagueiros e dois volantes, ou o inverso, faz com que o time quase sempre tenha poucos jogadores no último terço do campo, dificultando ainda mais o trabalho de centroavantes pouco inspirados como os estrangeiros Herrera e Acosta.

Na medida em que a defesa vai se solidificando, o time precisará dar mais importância ao ataque. A chegada de Diogo Rincón e a afirmação de Éverton Ribeiro como opção interessante são as maiores armas para fazer Lulinha, Dentinho e mais um centroavante – Herrera, Finazzi ou Acosta, criarem mais perigo aos adversários.

O grande ano que vem fazendo Dentinho, inclusive, merece reconhecimento. Bastante criticado em 2007, sobretudo pela dificuldade em finalizar, o jovem de apenas 19 anos mostra maturidade e, após assumir a titularidade no terceiro jogo da temporada, se tornou referência na frente. Além disso, serve de espelho e incentivo para que Lulinha corresponda àquilo que dele se espera.

Mano Menezes, aliás, rapidamente se rendeu aos jovens do elenco corintiano. Após descartar promover nomes da base e admitir um cuidado maior com as promessas calejadas com 2007, o treinador não hesita em indicar Lulinha e Dentinho como fundamentais, além de dar valor até para renegados como Carlão e Júlio César.

Ao acenar com um improvável contrato de quatro anos com Mano Menezes, a direção corintiana demonstra a confiança depositada no treinador gaúcho. Seja ao dar respaldo público, seja ao atender vários pedidos (Alessandro, Herrera, Diogo Rincón e William), o Corinthians reconhece a competência de seu técnico. Os resultados e as perspectivas, até aqui, justificam essa reputação de Mano.

Cabeça pequena

De diferentes maneiras, Botafogo e Atlético Mineiro deram demonstrações de pensamentos limitados neste último fim de semana. Por mais que possuam grandes torcidas, várias façanhas para expor e camisas fortíssimas, os dois alvinegros decepcionaram quem torce pelo futebol como um todo. E, claro, seus próprios adeptos.

Derrotado pelo Flamengo na final da Taça Guanabara, o Botafogo deixou bastante claro que não aprendeu completamente com seus erros no último ano. O descontrole de dirigentes, da comissão técnica e dos jogadores, é injustificável. Encarar cada momento importante com essa condição de vida ou morte, jamais, será positivo para os botafoguenses. Nessas horas, a frieza do São Paulo de Muricy Ramalho no último Campeonato Brasileiro, mesmo nos momentos mais sensíveis, soa como exemplo a ser seguido.

Os próximos dias definirão o futuro do Botafogo para toda a temporada. Claramente, conseguiu se construir, novamente, um time capaz de brigar por objetivos grandes para o ano – como uma vaga na Libertadores e um título de Copa do Brasil. Contudo, fatos como a eventual saída de Bebeto de Freitas e um iminente desânimo de todos podem provocar uma tempestade emocional de danos sérios, como foi nos últimos meses de 2007.

Por sua vez, o Atlético Mineiro comprovou empiricamente que o saldo bancário está à frente de todas as prioridades, ainda que o clube viva o ano de seu centenário. Ao ceder Éder Luís por empréstimo para o São Paulo, mesmo sendo por um valor vangloriado por todos, o Galo assumiu a condição de trampolim.

Claro que o objetivo é ver Éder brilhar no Morumbi e na seqüência render muito dinheiro. Assumir essa condição e desprezar a formação de um elenco forte, já em fevereiro, porém é lamentável. No último ano, o Atlético Mineiro, ao negociar Lima e Diego, jogou pelos ares a chance de fazer um bom Campeonato Brasileiro. Agora, não parece afim de fazer uma temporada capaz de orgulhar seus torcedores.

Link

Veja mais deste colunista em seu blog:
http://dassler.blogspot.com

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo