Brasil

Abriu de novo

Goiânia, 12 de novembro de 2006. Muito próximo de conquistar o quarto título brasileiro de sua história, acabando com um jejum que já durava 15 anos, o São Paulo tinha um jogo de fundamental importância contra o Goiás, no Serra Dourada. Caso vencesse, o time de Muricy Ramalho poderia garantir o título na rodada seguinte. E foi o que aconteceu: com a vitória bem encaminhada devido a um belo gol de Mineiro, logo aos oito minutos do primeiro tempo, a equipe paulista venceu por 2 a 0 – e garantiu o título no jogo posterior, contra o Atlético Paranaense, graças a um empate por 1 a 1 (empate árduo, diga-se de passagem).

Três anos depois, já com seis títulos brasileiros na sala de troféus, o clube do Morumbi volta a ter uma partida fundamental contra o Goiás. Não chega a ser também decisiva, como a do ano passado, quando a vitória por 1 a 0, no Bezerrão, lhe deu o sexto título nacional. Mas um triunfo no Serra Dourada, repetindo 2006, certamente deixaria a equipe de Ricardo Gomes segura o suficiente para chegar à última rodada, contra o Sport, e alegrar a torcida, com o sétimo título. Afinal de contas, vencer o Esmeraldino ampliaria a segurança são-paulina – um pouco maior, em momentos decisivos. Mas só um pouco.

Porque essa altivez que permite à equipe são-paulina não se desesperar e manter as incríveis reações vistas nos últimos dois anos não apareceu contra o Botafogo. Ricardo Gomes não conseguiu escalar bem a equipe, após os desfalques de Borges, Jean e Dagoberto. Deslocado para a zaga, Richarlyson até conseguiu se esforçar para frear a rapidez mostrada pelo ataque botafoguense, mas cansou – e, até por isso, a sua expulsão, ao frear um contra-ataque.

Ao tirar Léo Silva e colocar Renato, Estevam Soares acelerou o ritmo da armação de jogadas, diminuindo a dependência de Lúcio Flávio. E, claro, houve Jóbson, que foi um verdadeiro azougue: correu por todas as partes do ataque, lutou pela posse de bola, marcou dois importantes e belos gols. E foi o principal personagem de uma vitória que animou o Botafogo.

As consequências da derrota por 3 a 2 só não foram mais drásticas porque o Flamengo não aproveitou a valiosa oportunidade para assumir a liderança do Brasileiro. E não aproveitou porque cansou. O time de Andrade não conseguiu ganhar a liberdade de que normalmente desfruta para definir suas vitórias, em contra-ataques rápidos, porque o Goiás se fechou.

E não só se fechou, mas também conseguiu criar mais jogadas de ataque, que assustaram a defesa flamenguista. Extenuados pelo forte calor (e pelo alto ritmo imposto nos últimos jogos), integrantes fundamentais do time titular rubro-negro, como Petkovic ou Juan, tiveram atuação discreta. E o sonho tão acalentado pela torcida do Flamengo – aliás, festa quase indescritível de tão bonita, no pré-jogo – ficou bastante ferido.

Sorte do Inter. Logo após a saída de Tite, o texto desta coluna dizia que alcançar a Libertadores era um feito bastante plausível, e que Mário Sérgio tinha o desafio de repetir em 2009 o que o Colorado foi em 2008: um time que encerrou a temporada em ascensão. Ainda terminava, dizendo que não era o caminho encarar a passagem do ex-meia no comando do clube como sendo algo apenas “interino”.

Pois Mário Sérgio não está sendo apenas interino. Com uma dose de sorte, graças aos tropeços dos adversários, mas também com o time voltando a apresentar um bom nível, o time do bairro de Menino Deus voltou a sonhar com o título. Como até mesmo o Palmeiras pôde voltar a sonhar, em que pesem as altas deficiências emocionais apresentadas como o Grêmio.

Todavia, pela menor frequência de erros demonstrada em momentos cruciais da campanha, o São Paulo virou o favorito destacado. Pelo menos, até a próxima rodada. Pois é esse o único prazo possível para se fazer apostas, num Campeonato Brasileiro emocionante.

E o rebaixamento?

A vitória sobre o São Paulo reanimou o Botafogo para o jogo decisivo contra o Atlético-PR. Jogo que não permite vacilos, nem de um lado, nem de outro. Se a derrota for do lado da equipe de General Severiano, o Fluminense está à espreita, dois pontos atrás, ainda dependendo de si para escapar de uma queda que pareceu inevitável, em vários momentos do campeonato.

Até porque a equipe de Cuca tem outro confronto direto com um oponente na disputa para fugir da Série B; o Coritiba, na última rodada. E o Coxa está em altíssimo perigo, após os 4 a 0 sofridos para o Santos. Todavia, a equipe de Ney Franco não faz uma campanha que indique uma descida vertiginosa rumo ao grupo dos quatro rebaixados. Afinal, na 35ª rodada, fez 2 a 1 no Atlético Mineiro.

E mesmo o Náutico, que parecia destinado a acompanhar o rival Sport na lista dos times já sem esperanças, ganhou nova animação, após a atuação aguerrida que levou ao merecido 3 a 2 sobre o Corinthians. Mesmo que seja difícil, pelo fato do time estar a seis pontos do Botafogo, ainda há uma pequena esperança para os recifenses.

Entretanto, os dois jogos entre clubes paranaenses e cariocas é que atrairão maior atenção. Se há várias finais na parte de cima, estas também são “decisões” na parte de baixo da tabela. Eventuais derrotados verão sua situação muito mais árdua, para a última rodada.

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Equipe Trivela

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