Brasil

Abram o olho!

Que os campeonatos estaduais não são parâmetro nenhum para o Campeonato Brasileiro vocês já me ouviram falar aqui. Não é de hoje que título estadual significa muito pouco ou nada em relação à principal competição de clubes brasileiros.

Atlético Mineiro e Grêmio, campeões estaduais deste ano, estão entre os últimos colocados do Campeonato Brasileiro. Clubes tradicionais, com muitos títulos no currículo e torcida muito numerosa, os dois viveram a queda para a segunda divisão depois de péssimos desempenhos na competição.

O Grêmio sentiu a dor do rebaixamento em 2004. Um rebaixamento anunciado, aliás, no ano anterior. Em 2003, primeiro ano com a disputa em pontos corridos, a equipe foi 20ª colocada entre 24 times que disputaram a competição, escapando por uma posição de cair para a segundona. Em 2004, o desempenho foi ainda pior: 24º, ou último colocado.

Na campanha, o Grêmio tinha o goleiro Tavarelli, os zagueiros Baloy e Claudiomiro, Michel Bastos, que na época ainda era lateral, o volante Cocito e os atacantes Christian e Cláudio Pitbull. Quase todos acabaram no banco ou deixaram o clube antes do final da campanha.

Já o Atlético Mineiro viveu a situação no ano seguinte. Em 2005, com um desempenho péssimo e recheado de estrelas decantes, o clube acabou caindo para a segunda divisão. Nomes como Danrlei, Rubens Cardoso, Rodrigo Fabri, Euller e Fábio Júnior davam esperança ao time, mas mostraram ser apenas refugos de outros clubes. Pouco a pouco, foram perdendo a posição no time e acabaram, todos, da reserva. O time acabou rebaixado.

A situação dos dois times atualmente sugere a lembrança das campanhas do rebaixamento pela semelhança de desempenho. No caso do Atlético Mineiro, a semelhança está na alta folha de pagamento. O time não é para brigar contra o rebaixamento. Diego Souza, principal contratação do time, se junta a Cáceres – que esteve, curiosamente, em 2005 -, Diego Tardelli, Ricardinho, Fabiano, Edson Mendes e Daniel Carvalho para ser um time que, teoricamente, brigaria pelas primeiras posições.

Em 12 rodadas, o Atlético está em 19ª lugar com apenas 10 pontos ganhos. Uma campanha de time rebaixado e que dá arrepios na torcida do Galo. O discurso do presidente Alexandre Kalil é otimista, mas os resultados e o futebol em campo são para deixar os torcedores pessimistas. Se fosse para apostar, não diria que o Atlético irá cair. Brigar por isso com esse tipo, porém, já será uma grande derrota.

O Grêmio vive situação semelhante. Venceu o Gauchão no início da temporada contra um Inter que muitas vezes poupou jogadores para a Libertadores. Tem um elenco com jogadores conhecidos – Hugo, Leandro, Rodrigo, Borges, Douglas, Jonas e o goleiro Victor, convocado por Mano Menezes para a Seleção Brasileira. Mesmo assim, o time do técnico Silas não encaixa, não convence e, mesmo quando faz uma boa partida, como fez no clássico contra o Inter no Beira-Rio, não consegue vencer.

Assim como no caso do Atlético Mineiro, é cedo para decretar rebaixamento. A campanha, porém, já é para preocupar por não dar perspectiva de disputa de vaga na Libertadores, muito menos de brigar pelo título – algo que certamente os torcedores gremistas esperavam antes do início do campeonato.

Se no Atlético Mineiro a folha salarial parece não ter limites – e a conta irá chegar, hora ou outra -, no Grêmio existe uma pressão constante sobre o técnico Silas. Mesmo quando foi campeão gaúcho, o técnico não recebeu alívio. Mias do que isso, muitas vezes o time é acusado de ser faceiro e fugir à tradição de raça e dedicação da equipe – simbolizada por uma frase de um gremista símbolo, Eduardo Bueno, que para mim é uma das melhores frases sobre futebol que já ouvi: “O nosso 10 é o 5”.

Com uma pressão tão forte e, ao contrário do estadual, resultados que não aparecem, a situação do Grêmio parece que levará, cedo ou tarde, a uma troca de treinador – uma medida que, via de regra, causa problemas na transição do comando.

Está na hora das diretorias dos dois clubes começaram a assumir os erros que cometeram e começar a corrigir. Se não para 2010, ao menos para que 2011 seja um ano que os times honrem a camisa que possuem e disputem o título.

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Equipe Trivela

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