Brasil

Abel estava feliz e calmo, mas deu recados após ida do Palmeiras à final do Paulista

Técnico do Palmeiras era só sorrisos, mas não deixou de dar estocadas

Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, tem um humor imprevisível. Às vezes, ganha com autoridade, mas chega nervoso à sua entrevista coletiva pós-jogo, distribuindo patadas. Em outras, perde jogando mal, mas chega calmo e solícito para falar com jornalistas. Todas as combinações são possíveis.

Quem esteve em sua coletiva após a vitória sobre o Novorizontino (1 a 0), com direito a classificação à final do Campeonato Paulista pelo quinto ano seguido, encontrou um técnico em estado pleno de tranquilidade. Mas que, mesmo com sorrisos, deu recados importantes e cutucadas sutis.

Data-Fifa

— Estas paragens de seleção tem coisas boas e outras menos boas, como é, por exemplo, quebrar o ritmo que nós vinhamos

Estilo de jogo do Novorizontino

— Parece que o jogo até foi bastante físico, eh, mas acho que fomos capazes de separar a vontade do nosso adversário, inspirar toda aquela vontade para não dizer outro nome, né? Toda aquela vontade, toda aquela ilusão, uma vez que eliminaram outro adversário porventura também forte.

Diferença de peso de camisa

— Ah responsabilidade zero da nossa adversário, e a pressão de ter que ganhar mais uma vez toda do nosso lado. E nós fomos capazes de entrar no jogo.

Queixas da torcida no primeiro tempo:

— E peço a paciência a eles por isso né? De estarmos sempre a ter que ganhar um, dois, três e quatro. Os jogos são diferentes. Mas acho que hoje nós puxamos os nossos torcedores, depois de fazer o gol. Até o gol, nós os sentimos, os jogadores sentiram o nervosismo vindo de fora para dentro. E nós precisamos daqueles a nos continuar a apoiar em todos os momentos, como têm feito — disse.

— É a primeira vez que a primeira vez  que estamos aqui após uma interrupção muito grande. Esta equipa faz aquilo que eles mais gostam, que é ganhar e estar presente nas finais. Mais uma. Parece muito fácil, mas vocês veem os nossos adversários, não é? Nos últimos quatro anos, há um denominador comum.  ‘Ah se ganhar é normal'. Se não ganhar, é um fracasso. Eu não vejo as coisas assim.

Rômulo ter enfrentado seu futuro clube

— Ele estava numa situação muito difícil, na minha opinião. Mas eu tenho uma opinião que, se calhar, é melhor guardar para mim. S o jogador chegasse aqui e fizesse um ou dois gols, ia ser difícil para ele. Se chegasse aqui e jogasse mal, que não foi o caso, ia ser difícil para ele, porque acho que era uma posição muito difícil. Mas ele mostrou caráter. Mostrou o profissionalismo. E, na minha opinião, fez um bom jogo.

Atenção excessiva dada para Endrick:

— Olha como tu sabes nós começamos esta época (temporada) e ele nem sequer conosco estava. Foi disputar a competição dele (Pré-Olímpico) e, infelizmente, não correu nada bem. (…) Eu acho que ele de fato é um moleque como a cabeça no lugar. Eu gosto muito de lembrar as duas faces da moeda. Como tu disseste muito bem: “seleção, gols Real Madrid”. Mas também digo para não se esquecer do que aconteceu o ano passado, após nós termos ganhado o Paulistão. Passou como todos os jogadores no mundo passam, os melhores passam momentos (bons e ruins). A quantidade de críticas que choveram — relembrou.

— (Disseram que ele) não estava preparado, tenho que jogar para a equipe B. E eu sempre disse: ‘mantém o equilíbrio, mantém o foco. Nós vamos te ajudar a recuperar a confiança'. O mesmo digo exatamente agora: Cuidado com os elogios. Muitas vezes, elogios são impostores.

— Acho que ele é um moleque muito equilibrado, um moleque inteligente, moleque que estuda. Acho que isso é fundamental para ele, sendo aqui ou no Real Madrid. Ele vai ter tempo de trabalho, mas vai ter tempo para aprender e continuar a estudar. Acho que isso faz dele, o melhor homem. Que o torna ainda melhor jogador. É uma coisa que eu digo a ele: manter este foco, manter esta atitude.

Palmeiras retranqueiro:

— Ah, eu lembro-me de um ano passado, como é que categorizaram a nossa equipa não é? Eramos retranqueiros.  Não sofremos gols, somos retranqueiros. Quando não sofre gols, pelo menos o Palmeiras, foi considerado retranqueiro. É diferente ser retranqueiro e ser organizado.

E, para encerrar, deixou uma cutucada aos detratores dos gramados sintéticos:

— E aos pouquinhos também nos vamos adaptando à velocidade. Mas, como disse, entre jogar num gramado ruim, eu prefiro sempre um sintético top.

 

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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