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A vontade do Palmeiras serve para seguir em frente, e não ao fracasso que já se consumara

Todo e qualquer torcedor palmeirense estava ciente da missão complicada. O Allianz Parque se encheu de gente e de esperança (o tal sentimento representado pela cor verde) para o duelo contra o River Plate uruguaio. O Palmeiras precisava fazer a sua parte, mas não só isso. Também tinha que torcer por uma vitória do já classificado Nacional do Uruguai, sem cinco titulares, contra o ameaçado Rosario Central. Um empate em Montevidéu bastava para destruir as pretensões alviverdes. Mas, no fim das contas, o jogo desta quinta se fez de expectativas. Não exatamente sobre a continuidade na Libertadores, e sim pela sequência da temporada. A vibração, que faltou em tantos outros jogos desta campanha, ao menos fica de lição tomada.

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A goleada por 4 a 0 do Palmeiras, insuficiente para a classificação, esteve de bom tamanho para uma despedida não tão cabisbaixa. As fragilidades do River Plate se escancararam, e também levaram muita gente a se indagar sobre os pontos perdidos contra os alvirrubros no Uruguai. Já não era mais hora de lamentar. Dominando as ações ofensivas e recuperando com voracidade a bola, apesar de errarem em excesso mais à frente, os alviverdes construíram o placar elástico. Egídio e Allione abriram vantagem no primeiro tempo. Porém, diante de uma arrastada atuação do Nacional, Donatti abria o placar para o Central em Montevidéu.

Já o Palmeiras voltou do intervalo como quem ainda esperasse uma virada no Uruguai. Para que a classificação saísse, neste caso, precisava anotar de mais um gol. Allione balançou as redes novamente e Alecsandro fechou a conta. Só que a esperança se enterrou de vez quando Germán Herrera ampliou para o Rosario Central, 2 a 0 sobre o Nacional. Mil gols alviverdes não valiam tanto quanto os três gols tricolores no Parque Central, que não saíram. Valeu pela persistência, pela vontade. Também pela volta de Cleiton Xavier, que jogou pouco, mas o suficiente para agradar. Ao final, o empenho foi recompensado com os aplausos da torcida. A eliminação se confirmava naquele momento, mas na verdade já tinha acontecido antes.

O Palmeiras abusou dos erros nas primeiras rodadas da Libertadores, especialmente na visita ao River Plate e na recepção ao Nacional. Além disso, não pode reclamar muito das circunstâncias em que arrancou pontos do Rosario Central, principalmente em casa. O custo daquela desorganização se paga agora. Se serve de ânimo, pelo menos Cuca pode botar ordem na casa pensando na reta final do Paulista e, sobretudo, no Brasileirão e na Copa do Brasil. A mudança de comando, em um elenco que (mesmo sem ser a maravilha que muitos pintam) tem boa quantidade de recursos, é o principal motivo de confiança por dias melhores.

Aclamado por alguns como o “grupo da morte”, a chave deixou a desejar. O Nacional cumpriu seu objetivo, sem ser exuberante, enquanto o Rosario Central rodou o elenco e não mostrou o seu real potencial. De qualquer maneira, a grande decepção foi mesmo o Palmeiras. A goleada no final é um paliativo. Mas também uma maneira de não se abater tanto com o fracasso. Há um novo projeto para se seguir em frente.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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