Brasil

A Vila atrapalha o Santos

Pelé e Coutinho. Juary e João Paulo. Diego e Robinho. Neymar e Ganso. O raio do ótimo futebol caiu repetidas vezes na Vila. A torcida já espera por Gabigol. É lógico que nem todas as duplas são inesquecíveis, mas o que interessa quando se é fanático? Já vi amigos como Chico Silva, Fábio Mazzitelli, André Amaral e Mateus Silva Alvex verterem lágrimas por Toinzinho e Totonho. Seriam os novos redentores do futebol de excelência.

Exageros fora, a verdade é que o uniforme todo branco é sinônimo, através dos tempos, do chamado futebol-arte por quem, todos nós, nutrimos aquela saudade danada, aquele banzo que acompanhava os escravos brasileiros, melancólicos por estarem longe da sua terra.

Mas o futebol-arte combina com a Vila Belmiro? Estádio acanhado, mais parecido com uma arena de gladiadoes, uma espécie de mini Bombonera, é estádio típico para quem gosta de um alçapão. Aquela gritaria, aquela pressão, as havaianas voando como se fossem dardos envenenados, tudo isso ajuda?

Mal não faz, podem dizer. Será que não? Não é mais fácil um zagueiro de time pequeno marcar o Neymar na Vila do que no Morumbi? Ou no Pacaembu? O espaço é amigo eterno do lançamento e da velocidade. Estádio pequeno iguala Aílton Lira, Pita, Ganso a qualquer perna de pau. Exagero, é lógico, mas é inegável que limita o bom futebol. 

A Vila é pequena para o Santos. Tem a capacidade de acolher pouca gente. E dificilmente está cheia. Jogos com cinco mil pagantes? Qual o sentido disso? Receber o Penapolense no Pacaembu dá muito mais dinheiro do que na Vila.

A Vila é âncora para o time da cidade praiana. O Santos é do mundo, ganhou dois Mundiais jogando no Maracanã lotado. Tem de sair da Vila, tem de agradar sua imensa torcida na capital. É muito mais fácil um torcedor do Santos vir do interior paulista até São Paulo do que esticar a caminhada pela Anchieta ou Imigrantes.

A Vila é como o parceiro medíocre (namorada ou namorado) que não quer sair da cidadezinha do interior, não quer se aventurar, não quer buscar novos mundos. E, não contente em ficar, impede o outro de voar.

A Vila impede a realização de um grande progrma de socios torcedores, é um entrave para a fidelização da torcida. Dá menos renda e impede o clube de aumentar sua torcida.

O Santos precisa se afastar da Vila. Deixá-la para alguns jogos especiais e mandar o resto de suas partidas na Capital. Precisa buscar mais torcedores, precisa mostrar seu futebol-arte em palcos maiores. Até para não depender de novos raios salvadores. Eles podem ser apenas um trovãozinho, como foi Jean Chera.

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