Brasil

A raiva de Thiago Silva na comemoração é o brio que também se pede da Seleção

O gol veio com fúria. Um chute forte, para rasgar o ar e estufar as redes. E a comemoração seguiu o tom. Thiago Silva não apenas vibrou pelo tento que abriu o placar contra a Venezuela. Ele desabafou, e muito. Soltou os palavrões, extravasando assim como já tinha feito na Copa do Mundo, nas quartas de final contra a Colômbia. Depois, dedicou o momento a Neymar. Deixou bem claro o descontentamento com toda a pressão. Agiu com raiva e com vontade. Sentimento que se espera mais da Seleção, e que reflita também no que acontece em campo.

VEJA TAMBÉM: Brasil não precisou ser brilhante para vencer a Venezuela, apenas um pouco mais organizado

As críticas sobre o Brasil se concentram principalmente na forma como o time vem jogando. Mas também possui reflexos na atitude. Jogadores que nem sempre assumem a postura de partir para cima e gritar no gramado. De carregar a bola e não deixar o peso só nas costas de Neymar. A exigência maior é que o Brasil jogue bem.  Mas também que demonstre intensidade. Que não se contente em administrar o resultado e se fechar apenas para segurar a vitória. Tem que aparecer, tem que vibrar. E no momento do jogo no qual o Brasil sofria mais com as cobranças de vencer, Thiago Silva fez isso.

Obviamente, o defensor tem seus defeitos. A maneira como se portou como capitão na Copa do Mundo, especialmente contra o Chile, mereceu as devidas críticas. Mas, ainda que não seja um exemplo emocional, Thiago Silva tem outros tipos de liderança. É um excelente zagueiro, que organiza a defesa taticamente, quase o contrário do que faz David Luiz. Além disso, essa demonstração de brio pode servir ao resto do time. Nem que seja para calar os críticos, mas que motive também a jogar bola. Enquanto isso, a braçadeira de capitão passou a Miranda, de postura mais discreta e controlada.

A seleção brasileira tem o peso que tem pelo que deveria jogar. E também por aquilo que devia representar. A maioria quer ver jogo bonito ou goleada. No entanto, se isso não acontece, incomoda muito mais não ver vontade. Como o time que caiu para a Colômbia se perdendo nos próprios nervos e girando em torno de seu próprio eixo, sem rumo. Que se jogue com raiva, para se descontar na bola, não no bate-boca com os adversários. Que se demonstre a indignação de Thiago Silva para que o time também se entregue mais e faça mais dentro de campo.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo