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A nota do Brusque reforça como devemos apoiar iniciativas como o Observatório Racial do Futebol

Após denúncia de racismo feita por Celsinho na Série B, clube publicou um texto atacando a vítima

Tem situações tão abjetas que acontecem no futebol que, sinceramente, não dão a mínima vontade de escrever sobre o assunto. Pesa muito a intenção de não dar palco a posicionamentos desprezíveis e de não trazer tais palavras para dentro do nosso site. Porém, às vezes o absurdo é tão grande que também fica o impulso de se colocar de maneira diametralmente oposta ao ocorrido e combatê-lo. É o caso da nota publicada pelo Brusque neste domingo, menosprezando a denúncia de injúria racial feita por Celsinho em jogo da Série B neste sábado.

Em vez de se reservar ao seu direito de se defender, o Brusque preferiu atacar a vítima. O texto coloca o clube numa posição à parte da realidade, como se o racismo não fosse uma questão estrutural; tenta ensinar o que deve ou não deve ser apontado como injúria racial; acusa Celsinho de inventar suas recorrentes denúncias, na intenção de diminuir o que ocorreu no sábado. Enfim, um show de horrores, que pioram bastante a situação. Quando o clube poderia condenar o racismo e garantir a apuração, mesmo afastando-se da acusação, ele torna tudo mais grave.

O que ocorreu em Brusque só reforça a maneira como precisamos enfatizar iniciativas que combatam o racismo no futebol – e, em consequência, na sociedade. Neste sentido, fica uma sugestão: apoiem o Observatório da Discriminação Racial no Futebol. Tal episódio só demonstra como a discussão sobre o racismo no futebol é rasa e como o desprezo ao Celsinho reforça a discriminação. Como enfatiza o Observatório: “Racismo não se tolera. Racismo se combate”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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