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A inspiração de Cavalieri serviu de trunfo para o Flu surpreender o Grêmio

O Fluminense chegou às quartas de final da Copa do Brasil como azarão diante do Grêmio. A péssima fase dos cariocas no Brasileirão, somada à boa campanha dos gaúchos, eram motivos suficientes para que a balança pendesse ao outro lado. Além disso, o fraco empate por 0 a 0 no Maracanã dava a impressão de que os gremistas matariam o duelo em Porto Alegre. Ledo engano. Porque o Fluminense demonstrou uma organização bem maior do que a vista nas últimas semanas. E, muito graças a Diego Cavalieri, segurou o empate por 1 a 1 na Arena, o suficiente para a classificação às semifinais. Grande resultado do time de Eduardo Baptista.

Assim como já tinha acontecido no Rio de Janeiro, o confronto esteve longe de ser um primor em qualidade técnica. Os times se mostravam bem encaixados e com vontade, o que resultava em um jogo amarrado e com poucas oportunidades. E o Grêmio, mesmo ficando mais tempo com a bola, sofria para achar espaços. Com dificuldades na criação, a equipe de Roger Machado teve a grande chance de abrir o placar aos 19 minutos. Entretanto, após o cruzamento de Galhardo, Erazo perdeu ótima oportunidade na pequena área, carimbando o travessão. Um erro que fez falta mais tarde.

Diante da falta de efetividade do Grêmio, o Fluminense passou a assustar um pouco mais depois de meia hora de jogo. E, aos 39, arrancou o gol tão valioso. Marcos Júnior cruzou da direita e, mesmo com a área tomada por gremistas, Fred conseguiu subir sozinho no meio de quatro defensores para cabecear às redes. Vantagem aberta por um ídolo tricolor e mantida por outro. Aos 45, os gaúchos estiveram a um triz do empate, de novo com Erazo. Mas desta vez o equatoriano não teve culpa. A cabeçada firme acabou espalmada por Diego Cavalieri, em sua primeira defesa monumental na noite.

Para a segunda etapa, precisando de dois gols, o Grêmio partiu para cima. Bobô entrou em campo no lugar de Wallace logo na volta, enquanto Fernandinho substituiria Douglas pouco depois. Sobrava pressão, faltava abertura, diante da solidez defensiva dos adversários. E o Flu ainda tentava ampliar nos contra-ataques, também sem sucesso. Diante de tamanha insistência, os gremistas igualaram aos 29, em sobra aproveitada justamente por Bobô. E os 45 mil nas arquibancadas passaram a empurrar ainda mais o time para o tudo ou nada.

Diante da agressividade dos gaúchos, o segundo gol parecia questão de tempo. Mas os minutos se passavam e nada. Quando pôde virar, o Grêmio parou outra vez em Cavalieri, salvando cabeçada de Fernandinho rente ao travessão. Já no último lance de perigo, Giuliano chutou de fora da área e errou o alvo por centímetros, assustando bastante. Acabavam ali as chances do clube na Copa do Brasil.

Forte candidato à Libertadores, mas distante da briga pelo título, o Grêmio deve apenas manter o ritmo para o final do ano. Enquanto isso, o Fluminense vê suas esperanças aumentarem após o jogo de hoje. Não apenas pela classificação, mas pelo bom papel que fez em campo. Jogando assim, dificilmente a equipe corre maiores riscos no Brasileirão. E pode complicar também a vida do Palmeiras nas semifinais. Ao não carregar tantas expectativas, o Flu aparece mais leve para surpreender. Como já fez em Porto Alegre.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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