Brasil

A grande fase de Thiago Neves

A temporada passada já havia deixado claro que o futebol brasileiro ganhara um jogador especial. Thiago Neves jogou muito bem no primeiro turno da Série A de 2005. Entrou em atrito com Lori Sandri, perdeu lugar no Paraná Clube e foi amargar a solidão em uma pequena equipe japonesa. O Fluminense se mostrou altivo e foi buscá-lo entre os muitos reforços de 2007. Entre esses, o badalado Carlos Alberto, que ofuscava todos os demais.

Mas isso foi só questão de tempo. As finais da Copa do Brasil fizeram com que Renato Gaúcho mesclasse o time titular e Thiago Neves aproveitou. Hoje, menos de um ano depois, Carlos Alberto procura recolocar a carreira em um rumo onde ela, na verdade, poucas vezes esteve. Thiago se tornou o principal jogador do Rio de Janeiro e, quiçá, de todo o Brasil. Veste a camisa dez e sabe, muito bem, dar ritmo ao jogo tricolor nos momentos necessários. Nos decisivos, é ele quem chama a responsabilidade.

Responsabilidade, aliás, Thiago Neves vem adquirindo nos últimos tempos. No emblemático episódio de sua transferência para o Palmeiras, absorveu bem as críticas, assumiu sua parcela de culpa e não deixou o rendimento dentro de campo despencar. Mesmo com as polêmicas incendiadas pela imprensa e pelo Botafogo na semifinal da Taça Guanabara 2008, o meia não se abalou e tratou de minimizar os episódios, como deveria, de fato, ser feito. É inclusive um dos poucos jogadores no país que dá boas entrevistas.

A nova grande fase de Thiago Neves, corroborada no clássico diante do Vasco, tem a ver com o amadurecimento na formação de jogo de Renato Gaúcho. Sem os três atacantes, o principal jogador do Fluminense passou a ficar mais perto do gol adversário. Ótimo finalizador, Thiago reassumiu a condição de liderança tricolor e a modificação teve efeito devastador: seis vitórias nos últimos sete jogos.

Thiago Neves já vem sendo falado pelo Milan, mas mais pareceu especulação da imprensa. A Unimed, parceira do Fluminense, investiu dinheiro no jogador e, segundo parece, não tem pressa em recuperá-lo. Thiago pode oferecer lucro com gols, passes e grandes atuações. A depender de quanto tempo passe nas Laranjeiras, tem condições de transformar tudo isso em títulos.

A ótima recuperação de Leão

Este colunista reconhece ser um feroz crítico de Emerson Leão. E o trabalho aqui realizado, desde agosto de 2007, de certa forma explicitou essa posição. Entretanto, há de se reconhecer: Leão virou o jogo na Vila Belmiro. Por mais que fique claro que o Santos de hoje é o menos forte da gestão Marcelo Teixeira, não havia qualquer cabimento em brigar contra o rebaixamento no Campeonato Paulista. O elenco santista entendeu isso e entende, também, suas limitações. Méritos do experiente treinador, que faz o que pode com o que tem nas mãos.

Fazer seus jogadores entenderem que um clube como o Santos precisa ganhar jogos foi o primeiro importante passo de Leão. Desde a trágica derrota para o Rio Preto, foram sete vitórias em nove partidas. Como elas têm o poder de encerrar crises, os episódios com Fábio Costa, Kléber e Kléber Pereira, rapidamente, foram abafados.

Diferentemente do início da temporada, hoje o torcedor conhece razoavelmente bem a escalação do Santos. Sabe quem perdeu terreno, como Alemão e Tiago Luís, sabe quem tem moral: Betão e Marcinho Guerreiro, tão criticados, assumiram posições importantes dentro do time e têm colaborado muito. Rodrigo Souto, ainda que seja quase sempre um jogador frio, tem decisivo papel no ataque e na defesa.

Contratação do tipo que deve sempre se desconfiar, o colombiano Molina surpreendeu. Mesmo sem se doar na marcação, o meia-esquerda conta com o providencial fôlego do menino Wesley para cobrir o lateral adversário e para buscar o choque com os zagueiros. Molina tem técnica e, ainda que oscile em muitos momentos, se tornou imprescindível para a realidade santista.

O grande jogador do Santos, porém, é Kléber Pereira. Diferente do jogador rápido e driblador que apareceu no Atlético Paranaense ao lado de Lucas, o camisa nove santista aprendeu o atalho para o gol e se posiciona e finaliza como quase ninguém. Entre os clubes grandes de São Paulo, é ele o maior artilheiro, com 11 gols em 16 jogos. No Peixe, tem o auxílio de todos para marcar e já recebeu elogios públicos de Leão – algo bastante incomum.

Ver o atual time do Santos atingindo o tricampeonato paulista ou uma grande campanha na Copa Libertadores parece difícil. Por mais que Emerson Leão consiga harmonia e bons resultados, o grupo tem pouca margem de evolução e limitações evidentes. Problema da direção, pois Leão recolocou o barco no prumo quando ninguém esperava e trouxe o elenco consigo. Merece, sim, elogios por isso.

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Equipe Trivela

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