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A emoção, enfim, garantiu uma semana de jogaços no Brasileiro – e o espectador agradece

O Campeonato Brasileiro demorou um bocado para esquentar os motores. A tabela da primeira rodada inicial foi praticamente binária. Tirando as goleadas de Palmeiras e Santa Cruz, todas as outras partidas terminaram em 0 a 0 ou 1 a 0 no placar. Mas, aos poucos, a emoção foi aumentando. E, ao longo dos últimos cinco dias, ninguém pode reclamar do nível de insanidade que rondou a Série A. Obviamente, o torneio teve os seus confrontos sem sal. Mas a quantidade de duelos cardíacos impressiona. A rodada passada proporcionara dois “4×3”: a virada da Chapecoense sobre o Coritiba e a imposição do Palmeiras sobre o Grêmio. Já nas últimas 24 horas, foram mais quatro encontros em alta rotatividade. Sport e Atlético Mineiro fizeram tarde de oito gols; Corinthians e Grêmio arrancaram vitórias heroicas nos acréscimos; enquanto o Palmeiras bateu o Flamengo em bom jogo de ótimo público.

A maior loucura se deu na Ilha do Retiro, com o empate em 4 a 4 entre Sport e Galo. Foram seis gols apenas entre os 25 minutos e o fim do primeiro tempo. Robinho participou dos quatro tentos mineiros, dando duas assistências e convertendo dois pênaltis – reclamados pelos pernambucanos. Entretanto, o Leão não se entregou na segunda etapa, buscando o empate com dois tentos. Edmilson segue o ótimo início no clube, enquanto Diego Souza decretou a igualdade com uma cobrança de falta magistral.

No quesito “até o fim”, a torcida do Corinthians já havia enchido o peito de orgulho com os 2 a 1 sobre o Coritiba em Itaquera. Foi sofrido, como tantos alvinegros se acostumaram a encarar. Mas André buscou o empate aos 44, enquanto Uendel arrancou a virada aos 49. Euforia parecida com a vivida pelos gremistas na Arena. O jogo com a Ponte Preta neste domingo foi movimentadíssimo. Contou com duas expulsões (que poderiam ser três) e bolas na trave. Aos 46 do segundo tempo, o poste impediu o gol da Macaca. Sorte tricolor, já que Luan brilharia mais uma vez. O atacante acertou um chutaço de fora da área, garantindo os três pontos. Corinthians e Grêmio, inclusive, agora dividem a liderança com o Internacional.

Já em Brasília, a Série A estabeleceu o seu recorde de público até o momento: 54 mil espectadores viram a vitória do Palmeiras sobre o Flamengo. O jogo começou a mil por hora, com Gabriel Jesus abrindo o placar e Alan Patrick igualando logo na sequência com um petardo. No segundo tempo, contudo, os alviverdes aumentaram a pressão. Iam parando no goleiro Alex Muralha, que contou com a ajuda de seus zagueiros sob as traves. Primeiro, Léo Duarte cometeu um pênalti que o juiz não viu, desviando cruzamento com a mão. Depois, quando César Martins executou uma defesaça, era impossível não apontar a marca da cal. Jean anotou o gol decisivo, 2 a 1 para os palmeirenses.

Em certos momentos, o Brasileirão ainda carece de qualidade – e não apenas dos jogadores, mas também dos árbitros. Não à toa, muitos gols acabam resultando de erros, em campo e no apito. Em emoção, pelo menos, o bom nível se garante. Fica muito melhor ver jogos nos quais os times não se fecham e nem se contentam com o placar magro. Quando demonstram vontade e coragem. O espectador agradece.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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