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A eficiência pesou para o Atlético Paranaense bater o Flamengo na Baixada

Eficiência. Um fator essencial no futebol, que tantas vezes decide partidas – como aconteceu nesta quarta, na Arena da Baixada, pela Copa Libertadores. O Atlético Paranaense venceu o Flamengo porque foi mais eficiente em seus domínios. Os cariocas podem ter preponderado em algumas estatísticas importantes, como o total de finalizações e a posse de bola. Mas, na eficácia, não superaram o Furacão. Protegendo-se na defesa (e contando com os erros do ataque adversário), o time de Paulo Autuori soube aproveitar as suas chances. Conquistou a vitória por 2 a 1 e agora assume a liderança do Grupo 4, com sete pontos. Resultado valiosíssimo, em uma chave bastante parelha até o momento. O Fla tem seis, a Universidad Católica tem cinco e o San Lorenzo tem quatro.

Ambos os times precisaram lidar com desfalques importantes. O Atlético Paranaense não contou com Jonathan e Carlos Alberto, enquanto Felipe Gedoz começou no banco de reservas por opção de Paulo Autuori, apostando outra vez em Douglas Coutinho. Enquanto isso, Zé Ricardo gerenciou as ausências de Diego, Berrío e Everton, com Donatti poupado também por estar em recuperação. O panorama ficava mais aberto.

Impulsionado pela pressão da torcida nas arquibancadas, em belíssima festa antes do pontapé inicial, o Atlético partiu para cima. Seguiu o roteiro de seus outros jogos na campanha, botando muita intensidade nos minutos iniciais. Nikão era a principal alternativa ofensiva, e não abriu a contagem por um triz, acertando a trave. Aos poucos, o Flamengo começou a tomar o controle e respondeu. Movimentando-se bastante no ataque, Paolo Guerrero criou duas boas oportunidades. Travado na primeira, falhou na segunda, quando partia em ótimas condições. Além disso, Rômulo cabeceou com perigo. A falta de eficiência começava a pesar contra o Fla.

Em jogo bastante equilibrado, o Flamengo se posicionava mais à frente, mas não apresentava muita criatividade para abrir espaços na sólida marcação dos anfitriões. Do outro lado, o Furacão também não conseguia encaixar seus contra-golpes, diante do bom trabalho feito pelo meio-campo carioca sem a bola, principalmente pelo gás de Márcio Araújo. O primeiro gol aconteceria, então, a partir de uma bola parada. Matheus Rossetto cobrou falta em direção à área e Thiago Heleno cabeceou, mesmo em ângulo ruim. Alex Muralha, mal posicionado e demorando para reagir, acabou encoberto. O goleiro, aliás, vive um momento técnico ruim nos últimos tempos.

A reação do Flamengo só aconteceria nos primeiros minutos do segundo tempo. A equipe passou a arriscar mais, buscando o jogo pelos lados, com Guerrero bastante acionado. Quando marcou, o peruano estava impedido. Pelo Atlético, Felipe Gedoz entrou no lugar de Lucho González sob a expectativa de gerar mais dinamismo, mas exceção feita a uma tentativa de Douglas Coutinho, os ataques dos paranaenses também eram raros. O jogo voltava a esfriar, entre a falta de inventividade de um lado e os erros de passe do outro. Faltava mais ímpeto.

O jogo se abriu finalmente a partir dos 25 minutos, quando Zé Ricardo botou Leandro Damião e Matheus Sávio em campo, tirando Renê e Rômulo. Bem mais ofensivo, o Flamengo começou a pressionar de verdade. As pontas eram o melhor caminho, mas a imprecisão pesava contra. Damião, sobretudo, abusou dos erros. Cabeceou uma bola no travessão, em rebote que Guerrero não aproveitou. Depois, perdeu gol feito quando Weverton já estava batido. E, ao seu lado, Gabriel também falhou feio ao receber livre dentro da área, finalizando pessimamente.

Enquanto o desespero pesava contra o Flamengo, o Atlético Paranaense passou a acertar os contra-ataques. Logo mataria o jogo. Gedoz e Otávio mandaram para fora, até que o segundo tento saísse aos 42. Eduardo da Silva fez a jogada na linha de fundo, cruzando para Gedoz fuzilar, após inteligente corta-luz de João Pedro. Os cariocas até conseguiram responder pouco depois, em escanteio que William Arão emendou para as redes. O tento deu até uma esperança aos visitantes, em vão. Os atleticanos se mantiveram soberanos nas bolas alçadas a sua área.

Diante das circunstâncias, o Flamengo não jogou mal. De uma maneira geral, o problema se deu mais em ajustes individuais do que no coletivo em si, por mais que o time tenha demorado a buscar o gol, antes limitado ofensivamente à iniciativa de Guerrero. Não à toa, por aqueles que não funcionaram, as ausências terminam mais lamentadas. De qualquer forma, vale o que realmente aconteceu, não o que poderia acontecer. E, neste ponto, méritos ao Atlético Paranaense. As limitações não impediram o time da casa de buscar os seus gols e dar um passo importante em busca da classificação aos mata-matas. Entre competência e uma pitada de sorte, os três pontos são do Furacão.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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