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A diferença entre sonhar com a Libertadores e merecê-la: o Grêmio espremeu o Fla no 2º tempo

O Grêmio pode não ter exibido a regularidade suficiente para brigar pelo título, mas, inegavelmente, faz uma das campanhas mais notáveis neste Campeonato Brasileiro. Mostra disso está no segundo tempo que o Tricolor viveu neste domingo, em Porto Alegre. O time de Roger Machado espremeu o Flamengo, e a vitória por 2 a 0 ficou até mesmo barata. Representa as virtudes da equipe e a ascensão nos últimos meses. Merecidamente, deverá valer vaga na Libertadores, seis pontos à frente do quarto colocado.

Não foi uma partida perfeita do Grêmio, é verdade. Até porque o Flamengo foi melhor do que os anfitriões durante o primeiro tempo. Os tricolores até começaram o jogo com mais controle da bola, pressionando o erro dos adversários. Mas não conseguiam ser tão perigosos quanto os rubro-negros. Enquanto os erros nas construções de ataque sobravam, o Fla ainda ameaçou por duas vezes a meta de Marcelo Grohe, e os gremistas só foram chutar a primeira depois dos 40 minutos. Ainda assim, pouco em um duelo travado.

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No entanto, o Grêmio mudou de postura na volta do intervalo. E a entrada de Everton no lugar de Pedro Rocha ajudou a fazer a diferença. Os tricolores tiveram mais intensidade para aproveitar os recorrentes espaços na zaga do Flamengo. Aos seis minutos, Douglas lançou Luan, em grande jogada individual. Após driblar Paulo Victor, o atacante não foi fominha, e tocou para Everton marcar. Abriu o caminho dos gaúchos, buscando o segundo.

Já o Flamengo viu suas chances de reação desmoronarem aos 15 minutos. Guerrero recebeu cartão amarelo e, por ter feito gestos indicando que o árbitro precisa de óculos, acabou expulso. Independente do exagero que possa ter existido, o cartão vermelho aumenta as cobranças sobre o atacante. Falta qualidade ao seu lado e, mesmo passando em branco, o peruano foi um dos que mais se esforçou e criou pelos rubro-negros em Porto Alegre. Ainda assim, pouco para justificar sua expectativa e seus altos salários.

Depois disso, o Grêmio pôde dar sequência ao seu massacre com mais ênfase. O segundo gol só não saiu antes porque Wallace salvou em cima da linha, enquanto Paulo Victor realizou grande defesa com os pés. O Tricolor botava o Fla contra a parede, criando muitas chances, principalmente nas jogadas pelas laterais. Até que matou o jogo aos 39, com Bobô, que havia saído do banco pouco antes. Marcelo Oliveira roubou a bola e deu lindo lançamento para o atacante, entre a zaga. Na saída de Paulo Victor, ele não teve dó, e bateu com categoria por cobertura. No fim, ainda houve tempo para Éverton acertar a trave.

Implacável diante dos espaços e firme na defesa, o Grêmio mostrou o seu melhor nos 45 minutos finais. O time que os 37,7 mil presentes na Arena queriam ver e que decolou na tabela. Enquanto isso, o Flamengo fica para trás. São quatro derrotas consecutivas, muito longe da boa sequência da chegada de Oswaldo de Oliveira. E não dá para dizer apenas que a culpa está na queda do time, mas também pela forma como os rubro-negros não suportaram adversários mais fortes neste segundo turno. A Libertadores, que um dia pareceu possível, já é sonho distante a cinco rodadas do fim. Um lugar do qual dificilmente alguém tirará o Grêmio.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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