Brasil

A base de Mano

Mano Menezes chegou à Seleção Brasileira fazendo uma mudança brusca no sistema de jogo e nos convocados. Deixou de lado diversos medalhões que jogaram a Copa do Mundo e chamou jogadores jovens, que passaram a ser testados.

Depois de três jogos sob o comando do novo técnico, fica claro que o esquema tático escolhido ganhou consistência e o time já tem uma base.

A defesa, que não foi vazada nestes três jogos – muito em função da arbitragem, já que Irã e Ucrânia fizeram gols legais mal anulados -, parece estar formada. Lúcio e Juan eram os titulares até a Copa do Mundo, mas dificilmente chegarão a 2014. Além disso, são lentos, algo que, no esquema de Mano, deixaria o time muito exposto. O técnico escalou Thiago Silva e David Luiz, de 25 e 23 anos, que já mostraram qualidade em seus clubes e fizeram bons jogos.

Nas laterais, Daniel Alves foi muito bem na direita, o que não é exatamente novidade. A questão é que Maicon continua bem na Internazionale e sua convocação não seria surpresa. Mas será que ele viraria reserva de Daniel Alves, invertendo os papéis que viveram nos últimos anos na Seleção?

Na esquerda, André Santos mostra que é uma boa opção e que, no mínimo, é muito melhor do que Michel Bastos na posição. Como ainda não há um nome que agrade a todos – Marcelo parece desagradar tanto Mano quanto fazia com Dunga com sua displicência ao atender convocações -, pode ser o titular.

No meio-campo, a dupla de volantes parece bem estabelecida. Lucas e Ramires possuem qualidade para jogar e, embora eventualmente possam ser substituídos, já formam parte da base.

No ataque, Pato é nome certo, por suas boas atuações e gols. Robinho, mesmo sem viver um grande momento no clube, exerce um papel técnico importante na equipe e é, também, parte da equipe-base de Mano.

Com isso, sobram três vagas. Na linha de três do 4-2-3-1, Paulo Henrique Ganso e Neymar são, certamente, parte dos planos de Mano e virtuais titulares. Por motivos diferentes, não estiveram em campo, mas a tendência é que sejam também parte do time base.

A maior dúvida é o gol. Victor é bom goleiro e já mostrou que tem capacidade. Porém, Júlio César ainda é um dos maiores goleiros do mundo e tem todas as condições de voltar. A concorrência ainda é forte, com Gomes também em boa fase e com Diego Alves, do Almería, como um jogador muito promissor. Excluir Júlio César da equipe seria, no mínimo, pouco inteligente, pela sua capacidade técnica e até de liderança.

A base de Mano está montada. Outros jogadores podem entrar, especialmente nesse período em que Ganso e Kaká, machucados, não podem ocupar o papel de organizador da equipe. Mas duvido que Mano deixe de lado a base que montou nesses três jogos – e mais o período de treinamentos em Barcelona – para a partida contra a Argentina, em novembro. Que é um amistoso, mas qualquer resultado toma dimensões enormes.

Isso não impede que surpresas apareçam na lista de Mano. Ronaldinho Gaúcho é um dos que pode ser testado, justamente pela falta de um “10” clássico como Ganso. Seria razoável pensar na volta de Maicon e Júlio César.

Uma questão importante é que a convocação virá na fase final do Campeonato Brasileiro – que sabemos que não é interrompido para a realização dos amistosos –, seria altamente prejudicial para os clubes brasileiros terem seus jogadores chamados.

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Equipe Trivela

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