Texto publicado inicialmente no Calciopédia, referência sobre futebol italiano

Depois de duas semanas de pausa, o Campeonato Italiano retorna neste sábado (19). Durante o recesso invernal, trazemos para os leitores o nosso tradicional balanço do primeiro turno, sempre dividido em duas partes. A primeira delas saiu na quarta e, agora, entregamos a segunda, com as análises das 10 equipes que figuram na parte de cima da tabela da Serie A.

 

LEIA A PARTE 1: Balanço do primeiro turno da Serie A, parte 1: o meio da tabela e a zona de rebaixamento

Não dá para dizer que os 10 primeiros colocados surpreendam alguém. Afinal, o grupo é quase idêntico ao que fechou o primeiro turno de 2017-18 na metade superior da tábua de classificação. A exceção é o Milan, que era 11º e entrou no lugar da Udinese, atualmente 15ª. Os quatro times que estão na zona de classificação para a Liga dos Campeões também são os mesmos, com uma pequena diferença em seu ordenamento: a esta altura do último campeonato, o Napoli puxava a fila, com 48 pontos, um a mais que a Juventus. Na campanha atual, a Velha Senhora já disparou.

Outro fato interessante é que nenhum dos 10 primeiros colocados trocou de treinador durante o certame. Mais: o que podemos notar é que as equipes mais bem postadas na tabela apostam na continuidade dos projetos técnicos. Apenas o Napoli estreia comandante, e só porque Maurizio Sarri desejou viver uma aventura no exterior: os “professores” de todos os outros times analisados abaixo já tinham pelo menos seis meses de trabalho realizados quando o campeonato começou. Bem, chega de papo. Confira o balanço da Calciopédia!

Fiorentina

10ª posição. 19 jogos, 26 pontos. 6 vitórias, 8 empates, 5 derrotas. 25 gols marcados, 18 sofridos.
Time-base: Lafont; Milenkovic, Pezzella, Vitor Hugo, Biraghi; Benassi, Fernandes, Veretout; Chiesa, Simeone, Gerson.
Treinador: Stefano Pioli
Destaque: Federico Chiesa, atacante
Artilheiro: Marco Benassi, com 6 gols
Garçom: Cristiano Biraghi, com 3 assistências
Decepção: Marko Pjaca, atacante
Expectativa: Vaga na Liga Europa

Equipe com o elenco mais jovem da Serie A, a Fiorentina entrou em 2018-19 com pouquíssimas mudanças e muitas certezas por parte de Pioli. Em relação à última temporada, há apenas três caras novas no time-base, e todas elas só estão lá porque seus antecessores foram negociados: Lafont substituiu Sportiello, enquanto Fernandes e Gerson ocuparam os espaços de Badelj e Gil Dias. Após um belo início de campeonato, com muita força como mandante e atuações com futebol envolvente, o time de Florença sentiu o peso da irregularidade peculiar aos jogadores que ainda estão em processo de amadurecimento.

Em seu pior momento, a equipe violeta passou oito partidas sem vencer, com cinco empates seguidos. Contando com a confiança da diretoria, Pioli conquistou novo fôlego após boas vitórias sobre Empoli e Milan, no Italiano, e a classificação para as quartas de final da Coppa Italia, às custas do Torino. O que esses três jogos têm em comum? Neles, jogadores decisivos que estavam sumidos apareceram para garantir os triunfos – Cholito Simeone contra os rivais da Toscana e Chiesa frente aos adversários do norte. O crescimento da dupla na segunda parte do campeonato ditará o ritmo dos gigliati e o patamar que pode ser almejado. Vale destacar ainda o bom nível mostrado por Biraghi e Benassi, dois nomes frequentes nas listas da Itália de Mancini, assim como Chiesa.

Torino

9ª posição. 19 jogos, 27 pontos. 6 vitórias, 9 empates, 4 derrotas. 24 gols marcados, 19 sofridos.
Time-base: Sirigu; Izzo, N’Koulou, Djidji (Moretti); De Silvestri, Baselli, Rincón, Meïté, Aina (Ansaldi, Berenguer); Falque (Zaza), Belotti.
Treinador: Walter Mazzarri
Destaque: Soualiho Meïté, meia
Artilheiro: Andrea Belotti, com 7 gols
Garçons: Iago Falque e Simone Zaza, com 2 assistências
Decepção: Bremer, zagueiro
Expectativa: Vaga na Liga Europa

Assim como a Fiorentina, o Torino também não sofreu grandes alterações em seu elenco – e nem em seu desempenho. No entanto, com aproveitamento levemente superior ao obtido por Sinisa Mihajlovic, a equipe de Mazzarri somou 27 pontos e está brigando fortemente por vaga num torneio continental. É o melhor primeiro turno dos grenás desde 1994 e a torcida tem motivos para sonhar. Afinal, o Toro só não perdeu menos jogos do que a rival Juventus, que está invicta, e o Napoli (três). Ainda que empate muito (com nove, é o líder no quesito), o time ainda não foi derrotado como visitante e está sempre somando pontos. Este é um fator fundamental numa corrida tão disputada quanto a que estamos assistindo pelas vagas europeias: apenas sete pontinhos separam a Lazio, quarta colocada, do Parma, 12º.

O Toro é mazzarriano até a medula: não é brilhante, mas é eficiente. Tem um trio de mastins no meio-campo e é vezeiro em atacar pelos lados, buscando a ligação com o centroavante e o atacante que vem um pouco mais de trás – neste caso, Belotti e um entre Falque e Zaza. A solidez dos dois tridentes de centrais (zagueiros e volantes) é o ponto alto da equipe e tem em N’Koulou e Meïté seus melhores representantes. Uma boa notícia para a torcida granata é o reencontro do seu capitão com os gols. Belotti está livre dos problemas no joelho e ainda tem colecionado exibições negativas (quando a sua equipe não cria, fica totalmente alheio ao jogo), mas pelo menos já anotou sete tentos. Até o fato de quatro deles terem sido de pênalti é algo positivo: no início da campanha, Andrea tinha apenas 60% de acertos desde que chegou ao Piemonte, mas converteu todos os que cobrou em 2018-19.

Atalanta

8ª posição. 19 jogos, 28 pontos. 8 vitórias, 4 empate, 7 derrotas. 39 gols marcados, 27 sofridos.
Time-base: Berisha (Gollini); Rafael Tolói, Palomino, Mancini (Masiello); Hateboer, De Roon, Freuler, Gosens (Castagne); Gómez; Zapata, Ilicic (Pasalic, Rigoni, Barrow).
Treinador: Gian Piero Gasperini
Destaque: Josip Ilicic, meia-atacante
Artilheiro: Duván Zapata, com 10 gols
Garçom: Alejandro Gómez, com 6 assistências
Decepção: Arkadiusz Reca, lateral-esquerdo
Expectativa: Vaga na Liga Europa

A Atalanta é “apenas” a oitava colocada, mas não há uma equipe sequer da Itália que não tema encará-la. Afinal, a artilharia nerazzurra é pesadíssima: com 39 gols marcados, a tropa de Gasperini tem o melhor ataque do campeonato. A maior parte deles ocorreu a partir da 9ª rodada, quando o lesionado Ilicic voltou ao time titular e o bomber Zapata passou a se entender melhor com os novos colegas. A diferença de desempenho é flagrante: até aquele momento, a Dea havia passado cinco das oito partidas sem estufar as redes adversárias (três delas, consecutivamente), e depois não parou mais de punir os rivais. Foram incríveis 30 tentos em 11 jogos desde que o esloveno recuperou a forma – nove deles tiveram sua participação direta, com finalização ou assistência.

A máquina ofensiva criada por Gasperini tem a colaboração de peças de todos os setores. Não é raro ver Rafael Tolói aparecendo no ataque para auxiliar na criação de jogadas – em bolas aéreas, o zagueiro Mancini tem sido implacável e já marcou quatro vezes. Muito eficientes nas chegadas à linha de fundo, os agudos Hateboer e Gosens são alas extremamente adequados à proposta do treinador e são válvulas de escape importantíssimas, enquanto De Roon e Freuler concedem equilíbrio e ritmo no meio-campo. Livre para criar, Papu Gómez voltou a atuar em alto nível, às costas de Ilicic de Zapata. O colombiano merece um destaque à parte. Duván anotou nove gols em dezembro e ficou a um tento de igualar o recorde de uma lenda como Gunnar Nordahl. Somente o sueco, ex-Milan, teve um mês mais prolífico em toda a história do campeonato. Isso diz muito sobre a Atalanta: o céu (representado pela Liga dos Campeões) é o limite.

Sampdoria

7ª posição. 19 jogos, 29 pontos. 8 vitórias, 5 empates, 6 derrotas. 32 gols marcados, 23 sofridos.
Time-base: Audero; Bereszynski, Tonelli (Colley), Andersen, Murru; Praet (Barreto), Ekdal, Linetty; Ramírez; Quagliarella, Defrel (Caprari).
Treinador: Marco Giampaolo
Destaque: Fabio Quagliarella, atacante
Artilheiro: Fabio Quagliarella, com 12 gols
Garçom: Fabio Quagliarella, com 5 assistências
Decepção: Jakub Jankto, meia
Expectativa: Vaga na Liga Europa

Se a Atalanta tem um atacante que bateu na trave ao buscar um recorde, a Sampdoria tem um goleador que ainda pode garantir um lugar especial na história. O veterano Quagliarella nunca havia feito gols em mais do que quatro partidas seguidas, mas já balança as redes há nove e está a apenas dois jogos de igualar Gabriel Batistuta: o argentino, em seus tempos de Fiorentina, deixou sua marca em 11 rodadas em série. Capitão da Samp, desde 2017 Fabio vive a melhor fase de sua carreira e é um dos principais responsáveis por manter a equipe genovesa na briga por competições continentais. Não à toa, há quem cogite que o jogador, de 36 anos incompletos, volte à Nazionale.

A Sampdoria teve um breve período de queda, entre a 9ª e a 13ª rodadas, quando a sua defesa – quase intransponível até aquele momento – começou a apresentar falhas. O nível de concentração dos promissores Audero e Andersen ainda não é dos mais altos, e privilegiar um estilo de futebol mais conservador levaria riscos à campanha – com Tonelli como titular, beiraria o alarmante. Assim avaliou, de maneira correta, o técnico Giampaolo. Dali em diante, a equipe blucerchiata passou a atuar com menos compromissos defensivos, e mais orientada ao ataque. Foi com essa proposta, inclusive, que a Samp dominou o Napoli de Ancelotti na terceira rodada e obrigou o comandante azzurro a mudar seus planos táticos. Tal qual Torino e Atalanta, a Samp mostra mais qualidades e organização do que Roma e Milan, que têm elencos mais qualificados e estão à sua frente na disputa por vagas europeias. Se a mesma toada do primeiro turno for mantida, será interessante observar o embate entre projetos consolidados a baixo custo e agremiações que custam a engrenar mesmo com os altos investimentos.

Roma

6ª posição. 19 jogos, 30 pontos. 8 vitórias, 6 empates, 5 derrotas. 34 gols marcados, 24 sofridos.
Time-base: Olsen; Florenzi (Santon), Manolas (Juan Jesus), Fazio, Kolarov; Cristante, N’Zonzi (De Rossi); Ünder, Pellegrini (Zaniolo, Pastore), El Shaarawy (Kluivert); Dzeko (Schick).
Treinador: Eusebio Di Francesco
Destaque: Cengiz Ünder, atacante
Artilheiro: Stephan El Shaarawy, com 5 gols
Garçom: Cengiz Ünder, com 5 assistências
Decepção: Iván Marcano, zagueiro
Expectativa: Vaga na Liga dos Campeões

Entressafra na Cidade Eterna? A Roma começou a temporada cheia de mudanças no elenco, mas as reposições pareciam agradar a torcida. Quase seis meses depois, os giallorossi passaram pelo pior início de temporada desde 2012 e os torcedores mudaram de ideia. Hoje contestam Di Francesco, o presidente James Pallotta e o diretor Monchi: o primeiro, por não estar conseguindo fazer o time render como em sua primeira temporada no cargo; os dois últimos, por terem se desfeito de Alisson, Nainggolan e Strootman, pilares do coliseu romanista. De fato, os cartolas pecaram na montagem do setor defensivo, muito vulnerável no momento, com os temerários Juan Jesus, Fazio, Marcano e Santon. Apenas Manolas seria uma garantia (e não vive boa fase). Olsen alterna bons jogos com falhas incríveis.

Além disso, muita coisa tem dado errado em Trigoria. O alto número de lesões, por exemplo, tem comprometido os planos de Di Francesco – De Rossi, Pellegrini, Dzeko e, sobretudo, Pastore, foram os mais afetados. Reforços badalados, Marcano, Cristante e N’Zonzi custam a se adaptar e jogar bem, enquanto Kluivert não tem sido tão utilizado quanto se imaginava. De positivo, podemos destacar o protagonismo de Ünder, cada vez mais confortável pelos flancos romanos, a grande personalidade do garoto Zaniolo e o fato de Schick finalmente estar ameaçando a titularidade de Dzeko – na Serie A, os dois têm o mesmo número de gols (dois). Na reta final de 2018, a Roma se reencontrou parcialmente, com três vitórias em quatro jogos, e Di Francesco ganhou sobrevida no cargo. Embora a equipe tenha 10 pontos a menos que em 2017-18, a sua situação é praticamente a mesma: mantém contato com a zona Champions e, na própria competição continental, está nas oitavas. Repetir o desempenho europeu nos parece improvável. Uma vaga na LC via Italiano é mais plausível, mas os romanos precisarão mostrar mais futebol.

Milan

5ª posição. 19 jogos, 31 pontos. 8 vitórias, 7 empates, 4 derrotas. 26 gols marcados, 20 sofridos.
Time-base: Donnarumma; Calabria (Abate), Musacchio (Zapata), Romagnoli, Rodríguez; Suso, Kessié, Bakayoko (Biglia), Çalhanoglu (Bonaventura); Higuaín, Cutrone (Castillejo).
Treinador: Gennaro Gattuso
Destaque: Suso, atacante
Artilheiro: Gonzalo Higuaín, com 6 gols
Garçom: Suso, com 8 assistências
Decepção: Alen Halilovic, meia
Expectativa: Vaga na Liga dos Campeões

Aos trancos e barrancos, o Milan está vivo na briga por uma vaga na Liga dos Campeões, que é o objetivo traçado pela diretoria no início da temporada. A torcida, porém, não se mostra muito esperançosa e tem seus motivos. Os principais são a eliminação num grupo bastante acessível da Liga Europa, as muitas partidas em que a equipe sofreu gols, as lesões que assolam o elenco, a dependência de Suso e o fato de Higuaín não ter vingado em San Siro – e, ao que tudo indica, já estar de saída após a ambiciosa operação com a Juventus na última janela de mercado. Se uma pontinha de esperança existe, porém, é por causa dos jovens: Lucas Paquetá já chegou jogando bem e Cutrone tem a possibilidade de se afirmar se Pipita realmente sair. Qualquer substituto do argentino chegará com menos cartaz e estará sujeito à competição com a joia da base.

Não dá para dizer que o ano dos rossoneri vem saindo como o planejado. Três dos reforços trazidos (Caldara, Strinic e Halilovic) nem entraram em campo na Serie A, por diferentes motivos, ao passo em que Higuaín (1280 minutos) e Bakayoko (886) foram os que mais jogaram. Para efeitos de comparação, Donnarumma, presente em tempo integral, atuou por 1710. Em resumo, as peças que chegaram para elevar o nível da equipe não fizeram diferença. O contestado Pipita é o que mais contribuiu, com seis gols na Serie A e dois na Europa League – e, vamos combinar, muito por mérito dos coelhos que Suso tira de sua cartola. A batata de Gattuso já está em temperatura elevada há meses, mas a diretoria, encabeçada agora por Ivan Gazidis e Leonardo, não tem dado indicações de que fará mudanças com a campanha em andamento. Independentemente do que o Milan consiga ao fim de 2018-19, algo nos parece claro: ou o fundo Elliott contrata um treinador consolidado, com ideias arejadas e lastro teórico, ou o Diavolo dificilmente voltará a competir por títulos. Ter “DNA rossonero” não basta.

Lazio

4ª posição. 19 jogos, 32 pontos. 9 vitórias, 5 empates, 5 derrotas. 28 gols marcados, 21 sofridos.
Time-base: Strakosha; Wallace (Luiz Felipe), Acerbi, Radu; Marusic, Parolo, Lucas Leiva (Badelj), Milinkovic-Savic, Lulic; Luis Alberto (Correa, Caicedo); Immobile.
Treinador: Simone Inzaghi
Destaque: Ciro Immobile, atacante
Artilheiro: Ciro Immobile, com 10 gols
Garçons: Marco Parolo, Luis Alberto e Ciro Immobile, com 2 assistências
Decepção: Sergej Milinkovic-Savic, meia
Expectativa: Vaga na Liga dos Campeões

Por qualidade e tamanho de elenco, capacidade de seu treinador e a boa execução de uma mesma ideia de jogo há quase três anos, a Lazio ainda é favorita para ficar com a quarta vaga para a próxima Liga dos Campeões. Apesar disso, a torcida tem motivos para não ter a confiança tão alta: se mesmo os excelentes times de 2016-17 e 2017-18 não conseguiram se classificar, porque a equipe atual, que não tem sido brilhante, o faria? Grosso modo, a resposta estaria na irregularidade dos seus rivais mais qualificados e na dificuldade de imposição dos que correm por fora – tudo isso intensifica o perde-ganha de pontos nesta disputada corrida. Alguns acontecimentos na reta final do ano passado também trazem bons presságios para o time, que ainda não aproveitou o máximo rendimento do trio formado por Milinkovic-Savic, Luis Alberto e Immobile.

Pela primeira vez desde que assumiu a Lazio, Simone Inzaghi vive uma crise de resultados. Os celestes chegaram a passar cinco rodadas sem vitórias, entre a 12ª e a 16ª jornadas, e não têm um grande aproveitamento como mandantes (60%, com 10 partidas em seus domínios). A queda de rendimento coletivo no turno inicial passou pela má fase de peças fundamentais ao funcionamento da equipe. Não obstante o suspiro de alívio de dezembro, Milinkovic-Savic e Luis Alberto são aqueles que tiveram a baixa mais notável. Nomes como Lucas Leiva, no meio-campo, e Strakosha, na defesa, também estão um degrau abaixo do apresentado em 2017-18. Não é por acaso, portanto, que a ótima contratação de Acerbi não esteja tendo um grande impacto e que o time não impressione tanto no ataque. A Lazio marcou 18 gols a menos que no primeiro turno da campanha anterior e Immobile foi o maior “prejudicado”, já que tinha 16 a esta altura. A ver se o ressurgimento dos escudeiros do centroavante no mês passado foi apenas um brilhareco ou se eles voltam a exercer seu protagonismo.

Inter

3ª posição. 19 jogos, 39 pontos. 12 vitórias, 3 empates, 4 derrotas. 31 gols marcados, 14 sofridos.
Time-base: Handanovic; D’Ambrosio (Vrsaljko), De Vrij (Miranda), Skriniar, Asamoah; Vecino (Gagliardini), Brozovic; Politano, Nainggolan (Borja Valero, João Mário), Perisic (Keita); Icardi.
Treinador: Luciano Spalletti
Destaque: Mauro Icardi, atacante
Artilheiro: Mauro Icardi, com 9 gols
Garçom: Matteo Politano, com 3 assistências
Decepção: Ivan Perisic, atacante
Expectativa: Vaga na Liga dos Campeões

Agridoce. Talvez este adjetivo, que indica algo que tenha um duplo sabor, de características opostas, defina bem o sentimento do torcedor da Inter em relação à temporada 2018-19. As contratações feitas no mercado e o desempenho nas primeiras rodadas da Champions League faziam os nerazzurri sonharem: seria possível encarar a Juventus em solo nacional, superar o grupo da morte e avançar às oitavas? Nenhuma das ambições se concretizou, mas a equipe está absolutamente confortável na terceira posição do Italiano, que lhe daria uma nova chance no torneio continental em 2019-20. Ao mesmo tempo, brigar pelo título da Liga Europa parece factível. Em resumo, os objetivos traçados pela diretoria ainda estão à mão: participar frequentemente da LC e tentar adicionar uma taça à sala de conquistas do clube, órfã de novidades desde 2011.

Com a adição de De Vrij, Spalletti mantém a defesa interista entre as melhores do país, ao passo em que pouco a pouco dá um padrão de jogo mais definido à sua equipe. Em que pese o rodízio de peças de meio-campo, provocado pela participação na LC e sanções do Fair Play Financeiro, a Beneamata sempre girou no ritmo de Brozovic: em geral, quando ele não vai bem, o time cai de produção. A tentativa de redefinir o papel de Icardi, tornando-o mais participativo fora da área e solidário rendeu frutos, mas poderia ter sido ainda mais efetiva se Nainggolan e Perisic vivessem boa fase. O momento negativo do croata e os problemas físicos e comportamentais do belga têm sido compensados pelo fato de Candreva ter sido relegado ao banco e Politano, seu substituto, ter se inserido perfeitamente na equipe – Keita demorou a se integrar, mas teve um bom final de ano. Nesta década, o rumo da temporada nerazzurra tem sido definido entre janeiro e fevereiro: veremos se a equipe terá condições de se aproximar do Napoli ou se contentará em fazer uma campanha pela manutenção de seu posto atual.

Napoli

2ª posição. 19 jogos, 44 pontos. 14 vitórias, 2 empates, 3 derrotas. 37 gols marcados, 17 sofridos.
Time-base: Ospina (Karnezis, Meret); Hysaj, Albiol, Koulibaly, Mário Rui (Malcuit, Ghoulam); Callejón, Allan, Hamsík (Ruiz), Zielinski; Mertens (Milik), Insigne.
Treinador: Carlo Ancelotti
Destaque: Lorenzo Insigne, atacante
Artilheiro: Arkadiusz Milik, com 10 gols
Garçons: José Callejón, Lorenzo Insigne e Dries Mertens, com 4 assistências
Decepção: Simone Verdi, atacante
Expectativa: vaga na Liga dos Campeões

Como falamos em outro momento, “o competitivo Napoli de 2018-19 tem a mão de Ancelotti e a ‘memória prática’ de Sarri”. Os azzurri começaram a sua campanha cercados de dúvidas, pelos resultados negativos da pré-temporada e até mesmo por exibições difíceis de serem engolidas nas rodadas iniciais. As vitórias sobre Lazio e Milan foram conseguidas na marra, mas a derrota para a Sampdoria e o domínio exercido pelos adversários foi o catalisador necessário para a equipe se reinventar. Depois do 3 a 0, Ancelotti rearrumou a equipe, definiu o 4-4-2 como seu esquema-base e começou a dar sua cara ao time, mesmo preservando diversos conceitos aplicados por Sarri.

O time de Don Carletto tem ataque um pouco menos produtivo, mas é mais seguro na defesa e foi capaz de fazer partidas excelentes contra gigantes europeus, como Liverpool e Paris Saint-Germain. Tal controle que jamais foi visto em jogos continentais com Sarri, ainda que a classificação para as oitavas não tenha acontecido – vale destacar que, tal qual mencionamos sobre a Inter, o título da Europa League é factível para os campanos. No Italiano, o aproveitamento dos partenopei é inferior ao da temporada passada, mas isso não é demérito, visto que o time de 2017-18 estabeleceu o recorde histórico da agremiação e se tornou o vice-campeão com o maior número de pontos da Serie A (91). Entre os méritos de Ancelotti, estão ainda a transformação de Insigne num jogador mais perigoso, ao aproximá-lo da meta adversária, e a recuperação de Milik. Seu grande momento não se deve apenas à ausência de lesões: o polonês está nitidamente mais confiante e isso tem refletido no número de gols, geralmente decisivos, que ele tem marcado.

Juventus

1ª posição. 19 jogos, 53 pontos. 17 vitórias, 2 empates, nenhuma derrota. 38 gols marcados, 11 sofridos.
Time-base: Szczesny; Cancelo (De Sciglio), Bonucci, Chiellini, Alex Sandro; Bentancur (Can, Cuadrado), Pjanic, Matuidi; Dybala, Ronaldo, Mandzukic.
Treinador: Massimiliano Allegri
Destaque: Cristiano Ronaldo, atacante
Artilheiro: Cristiano Ronaldo, com 14 gols
Garçom: Cristiano Ronaldo, com 4 assistências
Decepção: Leonardo Bonucci, zagueiro
Expectativa: Título

A chegada de Cristiano Ronaldo já dava o tom: a Juventus quer fazer de 2018-19 um ano histórico para a agremiação. O próprio acerto com o craque abre a lista de recordes, uma vez que CR7 é o jogador mais caro que o clube já contratou. A segunda marca expressiva já adicionada ao índice de feitos da trajetória foi a de maior pontuação no primeiro turno desde que a Serie A adotou a vitória valendo três pontos e passou a ter 20 clubes: em 19 rodadas, foram conquistados 53 de 57 pontos possíveis. Assim, a Velha Senhora superou o que havia somado anteriormente – 52 em 2005-06 e 2013-14.

O título da Supercopa Italiana foi apenas o primeiro dos quatro que a Velha Senhora quer levantar este ano. A Tríplice Coroa é um objetivo real, mas deve ser abordado pouco a pouco. Com o octacampeonato da Serie A hipotecado em janeiro, é provável que a equipe de Turim trabalhe para ampliar durante parte do inverno a vantagem sobre o Napoli, que atualmente é de 9 pontos, para poder se concentrar no mata-mata da Liga dos Campeões, que começa em meados de fevereiro. Com Ronaldo e Mandzukic jogando por música, Pjanic e Bentancur distribuindo todos os curingas no meio-campo e Chiellini mais uma vez magnânimo na defesa, os bianconeri estão no grupo dos maiores favoritos ao título europeu. E nem mesmo as péssimas atuações de Bonucci devem tirá-la desse caminho.


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