O Athletico Paranaense anunciou nesta sexta-feira, 27, o nome do seu novo técnico. Dorival Júnior foi o escolhido para comandar o Furacão e a sua escolha tem muito sentido. Dorival, aos 57 anos, substitui o novato Tiago Nunes, que foi para o Corinthians. Embora tenham diferenças, os dois possuem pontos em comum. Embora seja um veterano da casamata, Dorival mostrou nos seus últimos três trabalhos, no Santos, São Paulo e Flamengo, boas ideias de futebol.

Dorival não era a primeira opção do Furacão. O clube fez sondagens por vários treinadores estrangeiros, como informa a excelente Nadja Mauad, como Miguel Ángel Ramírez, do Independiente del Valle, Sebastian Beccacece (que acertou com o Racing), Ariel Holan (que foi para a Universidad Catolica), Domènec Torrent (ex-New York City, dos EUA, e atualmente sem clube), e Gustavo Quinteros (ex-Universidad Catolica e que acertou com o Tijuana).

Todos os treinadores estrangeiros consultados queriam o salário vinculado ao dólar, algo comu na Argentina, mas considerado algo pesado para o clube. Além disso, o desejo de trazer muitos profissionais para a comissão técnica também tornou a contratação de um estrangeiro mais complicada. No Brasil, a primeira opção era Rogério Ceni. O técnico, porém, decidiu permanecer no Fortaleza. Dorival, então, virou uma opção e o acerto aconteceu.

“É uma honra poder vestir essa camisa, uma camisa pela qual eu tenho um respeito muito grande, uma admiração por todo o trabalho que está sendo desenvolvido”, disse o novo treinador rubro-negro ao site do clube.

“Agora tenho a oportunidade de estar à frente desta grande equipe. Tenho certeza que darei meu máximo para que a torcida athleticana continue tendo grandes resultados, continue sonhando alto”, finalizou Dorival Júnior.

Dorival é um técnico com muitas passagens em grandes times, mas mostrou algum frescor nas suas ideias nas passagens mais recentes por Santos, São Paulo e Flamengo. Nos dois primeiros, conseguiu desenvolver bom futebol por algum tempo, com times que trabalhavam muito ofensivamente baseado em posse de bola e paciência. Seus times trabalhavam bem a bola, mas em alguns momentos sofreram com a falta de objetividade.

O Athletico com Tiago Nunes tinha uma verticalidade grande nos seus ataques. Embora fosse um time que soubesse alternar entre manter a posse de bola com mais paciência e acelerar o jogo em velocidade, normalmente preferia o segundo.

No Flamengo, Dorival chegou para segurar a onda até o fim do ano de 2018. O clube decidiu demitir Mauricio Barbieri em setembro e o treinador assumiu até dezembro. Melhorou o rendimento do time, organizou, mas bateu de frente com Diego Alves, depois de um episódio que o técnico considerou que o goleiro o desrespeitou. Depois de terminar bem o ano no comando do rubro-negro, até se cogitou que ele ficasse para 2019, mas acabou deixando o clube. O escolhido para iniciar 2019 foi mesmo Abel Braga – que duraria até maio, quando então viria Jorge Jesus para tornar o ano inesquecível para os rubro-negros.

No Athletico, Dorival terá uma boa oportunidade de mostrar o seu trabalho. O clube tem estruturas de primeira linha, seja em centro de treinamento, seja no estádio; um bom time, uma equipe que encontrou bons jogadores e até alguma capacidade de competir no mercado por jogadores, como foi o caso de Adriano, lateral ex-Barcelona, que preferiu o clube da sua cidade (ele se formou pelo Coritiba) do que ir para Santos ou São Paulo.

Dorival tem um estilo de jogo mais cadenciado que o seu anterior, mas mantida a estrutura de trabalho com uma boa comissão técnica permanente, e com o técnico disposto a entender o seu elenco para adaptar as suas ideias, tende a ser interessante. Até porque não são necessárias muitas adaptações.

Dorival é uma escolha que faz sentido para o Athletico. Para Dorival, também é uma boa escolha: ele vai para um clube em condições de fazer grandes campanhas e também que oferece alguma estabilidade. O time terá desafios em 2020, como a Libertadores e tentar, mais uma vez, fazer um bom Campeonato Brasileiro. O clube vem em uma boa sequência e pode – e deve – sonhar em ir ainda mais longe. O título da Copa do Brasil na temporada passada foi algo incrível para o clube. Competir no mais alto nível, tanto em termos continentais como no Campeonato Brasileiro, são os próximos degraus que o Furacão quer subir.