A Uefa, como o Brasil, está descobrindo as dificuldades de organizar um torneio que exige diversas viagens entre regiões com controles distintos da pandemia de coronavírus. O Slovan Bratislava, da Eslováquia, e o Prishtina, do Kosovo, estão fora da Champions League e da Liga Europa, respectivamente, após suas partidas de fases preliminares terem sido impedidas de acontecerem pelas autoridades locais por causa de testes positivos para COVID-19.

O Bratislava deveria enfrentar o KÍ Klaksvík, das Ilhas Faroe, fora de casa, em jogo único, pela primeira fase preliminar da Champions League, em 19 de agosto, quarta-feira da semana passada. O elenco havia testado negativo antes de sair da Eslováquia, mas um membro da delegação testou positivo nas Ilhas Faroe e as autoridades locais decidiram colocar todo o time eslovaco em quarentena.

A pedido do Bratislava, a partida foi adiada para o dia 21 de agosto, sexta-feira. Para disputá-la, de acordo com a regulação da Uefa para a temporada 2020/21, o clube deveria apresentar uma nova lista de jogadores com testes negativos. No entanto, um jogador desse segundo grupo apresentou dois testes positivos para COVID-19 em sequência, e a partida não pode ser disputada.

Em um comunicado, o diretor-geral do Bratislava, Ivan Kmotrík Jr., afirmou que o clube havia cumprido todos os requisitos do protocolo da Uefa e que tinha a disposição jogadores o suficiente para fazer o jogo. No entanto, é bom pontuar que foi uma decisão das autoridades de Ilhas Faroe que inviabilizou a partida ao colocar todo o elenco eslovaco em quarentena.

O Órgão de apelação da Uefa, nesta segunda-feira, declarou que a partida foi abandonada pelo Slovan Bratislava e classificou o KÍ Klaksvík à próxima fase com uma vitória por 3 x 0, por WO. O diretor do Bratislava afirmou que toda a delegação que viajou às Ilhas Faroe testou negativo ao chegar à Eslováquia e apontou decisão “discriminatória” das autoridades locais de colocar o time inteiro em quarentena sem permitir a realização de novos testes.

“Os resultados apenas confirmam nossa opinião de que as autoridades das Ilhas Faroe, de maneira proposital e injusta, nos impediram de jogar”, disse, em comunicado no site do Bratislava. “Os resultados mostram que se nosso pedido para testar a delegação fosse acatado, os jogadores teriam dado negativo e poderiam disputar o jogo”.

Algo parecido aconteceu com o Prishtina. Todos os testes deram negativos antes da viagem para Gibraltar para enfrentar o Licoln Red Imps, mas diversos jogadores apresentaram resultados positivos ao chegarem ao local da partida inicialmente marcada para terça-feira, 18 de agosto. O jogo da primeira fase preliminar da Liga Europa foi adiado sábado, dia 22, e gerou uma situação inusitada.

De acordo com regras especiais do regulamento da Uefa, se menos de 13 jogadores estiveram disponíveis para a partida por causa da COVID-19, o jogo pode ser adiado, e o clube poderá apresentar jogadores que não estão registrados na Uefa, mas que estejam filiados à sua respectiva federação nacional. Após o adiamento, o Prishtina fez um apelo aos outros clubes do Kosovo para tentar reunir um elenco de 20 para o jogo contra os gibraltinos.

A empreitada foi bem sucedida. “O Prishtina agradece os times Feronikel, Llapi, Trepca 89, Flamurtar, Balkans, Drenica e Vushtrri, que ajudaram o Prishtina com urgência. Desde que fomos admitidos à Uefa, o Prishtina recebe uma reação muito positiva dos times da nossa nação porque o sucesso na Europa ajuda todo o futebol do Kosovo”, afirmou o clube, em uma nota no Facebook.

Acontece, porém, que oito jogadores desse segundo grupo também apresentaram testes positivos para a doença derivada do coronavírus, e as autoridades e Gibraltar decidiram colocar toda a delegação do Prishtina em quarentena. O jogo não foi realizado no último sábado, e a Uefa também decretou WO, com vitória por 3 a 0 e classificação para o Lincoln Red Imps.

Com esses dois jogos, são três até agora cancelados nas fases preliminares das competições europeias, após o Drita, também do Kosovo, ter levado WO, contra o Linfield, da Irlanda do Norte, o que tem sido um enorme desafio que tende a ficar pior para a Uefa.

Porque por mais que a pandemia esteja relativamente controlada em alguns países da Europa, viagens entre países em situações diferentes, que aplicam protocolos diferentes, sempre serão um risco com o decorrer dos torneios, e ela acaba ficando sujeita, com razão, às decisões das autoridades locais. O que acontecerá quando os clubes grandes entrarem na competição?

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